Declaração Jerónimo Sousa sobre encontro com PS

Declaração de Jerónimo de Sousa
Secretário-geral do PCP
Encontro com o Partido Socialista
Lisboa, 4 de Junho de 2013

No encontro que acabámos de realizar manifestaram-se algumas das mais significativas diferenças de opinião e mesmo divergências quanto às soluções e respostas indispensáveis para tirar o País da situação para onde foi atirado por anos de política de direita e pelo chamado memorando de entendimento subscrito por PS, PSD e CDS com a troika estrangeira e pela acção devastadora do actual governo.
Expressámos ao PS a nossa convicção que não há nem crescimento económico nem criação de emprego sem rejeitar o Pacto de Agressão; que não é possível dinamizar o investimento público e privado ou pôr o país a crescer, sem renegociar a dívida e estabelecer, negociada ou unilateralmente, um montante para o serviço da dívida compatível com aqueles objectivos.
A demissão do governo e a realização de eleições são, sem dúvida, uma exigência e um imperativo nacionais.
Mas a questão essencial e decisiva reside em assegurar que à derrota do governo se some a ruptura com a política de direita, que se rejeitem e abandonem as manobras para perpetuar o Pacto de Agressão sem a troika, por via da subordinação às políticas e directivas da União Europeia como o PS sustenta e defende. Ou que se pretenda, de outra forma, manter a política de austeridade e consolidação orçamental como o PS explicitamente assumiu no seu Congresso.
É por isso que muitos portugueses, onde se incluem milhares de socialistas, não compreendem nem aceitam que a direcção do PS continue a reafirmar a sua disponibilidade para encontrar na direita – PSD e CDS – parceiros de futura governação, indiciando assim a vontade de prosseguir a mesma política que levou o país à situação em que se encontra.
Só com uma política patriótica e de esquerda, que inscreva como objectivos recuperar a soberania económica, orçamental e monetária e repor os direitos e rendimentos roubados aos trabalhadores e ao nosso povo, é possível dar solução aos problemas nacionais, assegurar os direitos sociais constitucionalmente consagrados, criar emprego e elevar as condições de vida dos portugueses, dar futuro a milhares de pequenas e médias empresas hoje condenadas à falência.
Os que insistem em manter o país amarrado ao memorando de entendimento com a troika e subordinado à União Europeia e ao federalismo são responsáveis por bloquear o caminho para a política alternativa indispensável ao País.
Aos que aspiram a uma verdadeira mudança na vida política, a todas as forças e personalidades empenhadas em romper com a política de direita, a todos os trabalhadores e ao povo português dizemos que esse objectivo estará tão mais perto de ser realizado quanto mais força e mais influência o PCP tiver.

“As palavras são importantes: empréstimo não é ajuda” João Rodrigues

Uma comunicação social livre, exigente, isenta e plural é uma condição fundamental da democracia. À relevância do papel social de produção e difusão de notícias deve corresponder a mesma dose de responsabilidade e exigência no tratamento noticioso da realidade que é, necessariamente, construída pela própria noticia. Especialmente num período em que nos aproximamos de eleições, a responsabilidade sobre os temas tratados não deve existir apenas no plano da justa distribuição de tempo pelas várias ideias e opções politicas que se apresentam perante o sufrágio dos cidadãos: a semântica reveste-se igualmente de uma importância crucial no tratamento noticioso.

Neste sentido, torna-se manifestamente inaceitável que a generalidade dos órgãos de comunicação social continue a reproduzir, displicentemente, a ideia de que o empréstimo da “troika” FMI-BCE-UE constitui uma “ajuda externa”, optando assim, implicitamente, pela aceitação acrítica desta noção.

Ora, em primeiro lugar, um empréstimo com uma taxa de juro tão elevada dificilmente pode ser considerado uma ajuda. E, em segundo lugar, este empréstimo, encontra-se associado a um acordo, que obriga o Estado Português a cumprir – a troco do empréstimo – um conjunto de contrapartidas que se materializam em medidas de austeridade fiscais, sociais e económicas. Por último, assumir acriticamente que se trata de uma ajuda significa ignorar a profunda controvérsia, contestação e discussão quanto à pertinência e adequação destas medidas, cujos impactos sociais e económicos nefastos são amplamente reconhecidos.

Ao atribuir-se ao memorando da “troika” o epíteto de “ajuda externa” está-se portanto a construir, ou a veicular com manifesta parcialidade, uma narrativa política que favorece quem se comprometeu com este acordo, em detrimento de outras narrativas, igualmente existentes, nomeadamente da parte de quem o contesta. Quando a ideologia se infiltra desta forma inaceitável, numa sociedade plural, no tratamento noticioso, é não só o jornalismo que sai diminuído, mas também a própria democracia.

Sabemos, pelos programas dos partidos que concorrem a eleições, que existem diferentes abordagens, interpretações e propostas de solução no que concerne ao problema da dívida da República Portuguesa. São estas perspectivas que estarão sob escrutínio dos eleitores no dia 5 de Junho. Ao assumir acriticamente a ideia de “ajuda externa”, a comunicação social interfere no processo plural de debate de ideias, contribuindo para que a ideologia se sobreponha à democracia. É por isso inaceitável que o acordo da “troika” receba o rótulo de “ajuda”, tornando-se por isso urgente que os diferentes órgãos de comunicação social se lhe refiram em termos mais rigorosos, isentos e correctos de um ponto de vista da linguagem económica, recorrendo por exemplo às expressões de “crédito”, “empréstimo” ou “intervenção externa”.

Um empréstimo não é ajuda. Subscrevam a petição.

João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas

Economia – Comissão Europeia desmente José Sócrates – RTP Noticias, Vídeo

A Comissão Europeia diz que o programa de ajuda a Portugal é tão duro como os programas da Grécia e da Irlanda. Um porta-voz desmentiu frontalmente José Sócrates, e disse que ele é o primeiro-ministro português e não grego ou irlandês.

via Economia – Comissão Europeia desmente José Sócrates – RTP Noticias, Vídeo.

O que os finlandeses não sabem sobre Portugal | What Finns don’t know about Portugal

O vídeo que se segue foi apresentado pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, ontem, no encerramento das Conferências do Estoril. Independentemente de não concordar com as negociatas do Governo com a troika, nem com o plano de enterro financeiro do país elaborado pelos anteriores, o vídeo não será apenas para os Finlandeses mas também para que os Portugueses recordem quem são! Muitos parecem andar adormecidos e talvez este vídeo seja uma inspiração para despertarem!

The following video was presented by the Mayor of Cascais, yesterday, at the closure of the Estoril Conferences. Whether I disagree with the Government’s bargaining with the troika, or with the burial plan prepared by the country’s financial past, I think this video will not only serve to tell Finns who we are but also to remember the Portuguese who they are! Many seem to go numb and perhaps this video is an inspiration for awakening!

  

Memorando da Troika

Deixo aqui o Memorando da Troika traduzido pelo pessoal do Aventar.
É no mínimo vergonhoso que uma coisa desta importância não se encontre na nossa língua… mas dá jeito, assim a malta não sabe o que é que consta do documento, nem dos outros que hão-de vir depois do 6 de Junho!

Para quem não tem problemas com o Inglês, o original encontra-se aqui.

Para ler e decidir em consciência. O importante é que no dia 5 não existam desculpas para a desinformação e escolhas decorrentes da mesma.

Nota: a troika é  mesmo o carro conduzido com três cavalos alinhados lado-a-lado, o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia e o Banco Central Europeu! Contudo, ainda vivemos num país soberano e devemos lembrar-nos disso. Nada está definido e com as eleições tudo pode mudar desde que não fiquem os mesmos de sempre à frente dos destinos do País. Mas isso quem decide é a maioria dos cidadãos!