‎”A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores” Platão

“Carta aberta” a todos os cidadãos que votam PS e PSD

O 25 de Abril de 1974 e a Constituição que um ano depois foi aprovada, estabeleceu em Portugal um regime democrático de base partidária, à semelhança da maioria das democracias do mundo.Nos primeiros anos, os partidos foram inundados por novos militantes cheios de vontade de dar o seu contributo à construção da democracia e do país. Nunca como então, os partidos tiveram uma vida interna tão intensa e tanta qualidade nos seus militantes e dirigentes eleitos. 

Mas com a estabilização democrática e entrada de Portugal na CEE (1985), muitos militantes deixaram de acompanhar a vida dos seus partidos (que naquele tempo exigia um grande consumo de tempo em reuniões – não havia Internet) e dedicaram-se às suas vidas profissionais.  As novas gerações também já não viam na participação política um dever cívico relevante (o país estava no bom caminho) e as suas vidas profissionais eram desafiantes e muito recompensadoras, não lhes dando tempo ou interesse em participar num partido.

Neste processo PS e PSD foram perdendo cada vez mais militantes. Ficaram e entraram nestes partidos essencialmente aqueles que queriam fazer carreira ou aceder a um dos muitos empregos que estes partidos oferecem aos militantes abnegados.

Mas para conquistar melhores lugares e mais poder dentro destes partidos era necessário ganhar eleições internas, ter votos. Dada a reduzida e decrescente base de militantes, para conquistar votos passou a ser necessário “arrebanhar” militantes- subalternos que garantissem votos para ganhar eleições.  Mesmo quem não gostasse dessa prática, se queria ter protagonismo no partido, tinha de entrar no jogo da compra e arrebanhamento de votos.

Assim, e nas ultimas duas décadas, muitas centenas de dirigentes partidários construíram o seu “sindicato de votos”, isto é , um exercito de militantes-subalternos que a única coisa que fazem no partido é votar em quem o “chefe” manda. Claro que manter este exército de votantes custa dinheiro, desde pagar quotas até outras regalias, como por exemplo, promoções no trabalho.

Infelizmente, a realidade é que este foi o processo de “aprofundamento democrático” que PS e PSD viveram últimos 20 anos. Hoje temos os nossos dois principais partidos dominados pelo chamado “aparelho” “oligarquia” “maquina oleada”, palavras que descrevem as tais centenas de dirigentes que dominam os muitos milhares de votos, que decidem todas as eleições internas do partido. Hoje, os destinos da nossa democracia e do nosso país dependem destes senhores. Só acede aos cargos de liderança, quem eles decidem e nas condições que eles “impõem” a esses candidatos a líder. Quem tem uma agenda de mudança que vá contra os seus interesses, é “esmagado” nas eleições internas pela tal “máquina” de votos.

Mas a verdade é que este fenómeno só se pôde desenvolver e consolidar, porque nos últimos 20 anos os cidadãos esclarecidos e informados, com vida e profissão fora da política e que votam esclarecidamente no PS ou PSD, ao mesmo tempo excluiram-se de participar dentro destes, votando nas suas eleições internas, retirando assim aos nossos dois principais partidos a possibilidade de ter uma imensa maioria de militantes-cidadãos livres e informados, que são fundamentais para que as eleições internas sejam processos verdadeiramente democráticos, representativos e que permitam eleger melhores dirigentes e lideranças, afastar quem cometa abusos ou seja incompetente,  e abrir espaço à renovação e qualificação da política.

Todos os vícios e criticas que hoje fazemos a estes dois grandes partidos, têm origem na falta de uma imensa maioria de militantes cidadãos que imponham uma dimensão cidadã, a eleição dos melhores, a capacidade de renovação e a meritocracia dentro destes partidos, através do poder do seu voto, da sua critica e da sua inflexibilidade para com os abusos e incompetências.

Nenhum partido de poder do mundo actual, pode aperfeiçoar-se se internamente não tiver uma vida democrática saudável e muitíssimo participada pelos cidadãos, nomeadamente nas suas eleições internas. A política e os partidos, são um assunto demasiado sério para ser deixado apenas para os políticos e dirigentes partidários.

Se queremos que o nosso país progrida, se desejamos um melhor futuro para as novas gerações e para os nossos filhos, temos o dever de assegurar que a nossa democracia e os partidos que elegemos funcionam bem. Essa responsabilidade é nossa, e cumpre-se se nos filiarmos, acompanharmos com atenção a vida do partido (felizmente hoje com a Internet, quase tudo pode ser feito a partir de casa ou trabalho) e participarmos esclarecidamente nas suas eleições internas, votando nos melhores, promovendo com o nosso voto a renovação e aperfeiçoamento dos nossos principais partidos.

“A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores.” (Platão)

Nota: partilhem esta nota com todos os amigos e conhecidos que votam PS e PSD e não estão filiados nestes partidos.

Vais aceitar mais esta roubalheira? Até quando vais pactuar com esta política?

5 de Junho sai de casa, não te cales! Não te resignes! Luta!

Procura conhecer as ideias dos partidos. Filia-te naquele em que te identificas.

Tem voz activa. Vota.

análise s.w.o.t.

Andava a meter-me a par das notícias da blogosfera do concelho quando a ler o Penedo Grande, do qual sou assídua frequentadora, vejo que o Paulo propõe uma análise S.W.O.T – uma técnica bastante usada na gestão e planeamento estratégico das empresas, para o Concelho de Silves.

S.W.O.T. significa:

Strenghts – forças; Weaknesses – fraquezas; Opportunities – oportunidades; Treaths – Ameaças.

As forças e fraquezas referem-se ao ambiente interno e as oportunidades e ameaças ao ambiente externo das empresas. A ideia desta análise é avaliar as estratégias levadas a cabo pelas próprias empresas, decidindo se são eficazes ou se têm que ser modificadas e, avaliar o ambiente externo às mesmas de forma a minorar o seu impacto na performance das empresas, aproveitando as oportunidades e evitando/gerindo as ameaças. A contextualização das forças externas e internas vai possibilitar a tomada de decisões quanto às estratégias que as empresas devem tomar maximizando as oportunidades e minimizando os pontos fracos, ameaças e possíveis efeitos.

Como o Paulo estava a comentar a edição deste mês do Terra Ruiva e a entrevista ao vereador Fernando Serpa, escrevendo o seguinte:

Temos depois a entrevista ao Vereador Fernando Serpa. Aquilo que já todos sabíamos foi publicamente assumido… diz o próprio que está “disponível para ser candidato do PS” às próximas autárquicas. Sinceramente gostei da entrevista. Foi politicamente correcta e teve pormenores que revelam claramente a vantagem que leva sobre qualquer outro candidato que possa surgir dentro, ou fora, do PS Silves.

Goste-se ou não do estilo temos que reconhecer o trabalho e o esforço que tem sido feito pelo Dr. Serpa nos últimos tempos. A sua acção tem sido transversal e é preciso admitir que poucos conhecem os dossiers que se vão sucedendo como ele. É certo que tem a obrigação disso. É certo que já lá está há 20 anos (apesar de parecer que só agora despertou). Deverá ser levada muito a sério a sua “pré-candidatura” dentro do PS.

Não consegui deixar de pensar que a análise S.W.O.T. também se pode aplicar aos candidatos! E vai daí que lá comentei:

com uma afirmação destas “já lá está há 20 anos (apesar de parecer que só agora despertou)” achas mesmo que há condições para pensar seriamente em Fernando Serpa para candidato?!

Dentro da análise do cenário político, recorrendo ao método swot – strenghts, weaknesses, opportunities e threats, que também se pode aplicar aos candidatos e não apenas ao concelho o que disseste na frase que citei é uma clara fraqueza (w), que espelha o sentido de oportunidade (o) do candidato, que acordando para o que se passa no concelho ao fim de 20 anos é uma clara ameaça (t) para o futuro do concelho!

Se estão em 2011 preocupados com quem vai ser o sucessor na presidência da CMSilves em 2013 ao invés de andarem preocupados com o que podem fazer agora pelo concelho, pelas freguesias e pela população o resultado duma análise S.W.O.T. só pode ser que as estratégias a adoptar para minimizar ou ultrapassar os pontos fracos vão ser muito difíceis de forjar porque neste caso a oportunidade é uma mera aliada das fraquezas e ameaças cujo resultado prático será o agravamento das mesmas.

para ler o Terra Ruiva clique na imagem

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