Boston, 15 Abril

Depois dos ataques às Torres Gémeas a 11 de Setembro de 2001, em 2003, os professores do Centro Internacional de Resposta a Catástrofes da Universidade de Illinois em Chicago questionaram-se sobre o que tinha sido aprendido em termos das consequências do terrorismo para a saúde mental. Juntaram por isso um grupo de oradores de diversas áreas numa conferência intitulada “Cidades de Medo, Cidades de Esperança: Saúde Pública Mental da América na Era do Terrorismo”. O objectivo era explorar as reacções e respostas ao terrorismo na América Urbana. Um dos temas abordados foram as fontes de medo e fontes de esperança.

Nesta era de terrorismo as organizações governamentais e não governamentais são responsáveis por gerir os medos gerados pelos perpetradores mas também pelos medos gerados pelas contra-respostas do governo às agressões. O público considera o governo e os media como mensageiros e até determinada medida como fontes de medo. Contudo, na discussão gerada chegaram à conclusão que os media podem ser uma fonte de medo ou uma fonte de esperança. Isto porque os media podem educar através do fornecimento de informações e, por isso, devem representar não apenas o medo mas também a esperança. A ambivalência de as instituições que gerem o medo serem, também, elas capazes de veicular esperança foi algo que não se conseguiu evitar.

Vamos ver como as instituições vão gerir o medo já que um dos impactos do medo é limitar a interacção colectiva e promover o isolamento e mentalidades fechadas, todas as quais diminuem a capacidade de esperança. Contudo, tem sido positiva até agora a forma como o governo tem falado sobre o que se está a passar em Boston, tal como os media. Não se avançou com acusações infundadas sobre quem fez o quê e porquê. Aguardemos.

Espero que desenvolvam iniciativas que promovam resiliência comunitária como forma de ultrapassar o sucedido – uma das lições retiradas da CORC em 2003. A resiliência pode ser aprendida; a resiliência é uma viagem, não se resume a um único evento ou ponto no tempo; e, a viagem de cada indivíduo é diferente.