por cá também se defende a Moção de Censura a este (des)Governo

de facto, este Governo vive acima das minhas possibilidades.

Dizemos aqui ao Ministro Mota Soares, rejeitamos totalmente a ideia de que o país é um país de preguiçosos e de aldrabões que andam a enganar o governo e a receber subsídios que não deviam. Isso não são os portugueses, podem ser alguns com quem os senhores se relacionam mas não são os portugueses, os portugueses não são aldrabões e não são preguiçosos. Quem vive à conta do orçamento não são os pobres são os ricos e isso é que os senhores não querem mudar e por isso é que sempre acusam os pobres de serem aldrabões e de serem preguiçosos.  Bernardino Soares

Nada de novo na AR.

Moções de censura apresentadas pelo PCP e BE rejeitadas.

Votos contra PSD/CDS, abstenções PS. A conivência é vergonhosa quer a nível nacional quer a nível local.

Autarquias algarvias: taxas e tarifas. Quanto mais calado, mais roubado.

 Vasco Cardoso ao Região Sul 

Está em curso em toda a região do Algarve um processo de agravamento de taxas e tarifas diversas impostas pela maioria das autarquias do PS e do PSD às populações. Nos últimos meses sucedem-se os anúncios de aumentos brutais nos preços não só no conjunto de serviços prestados pelas câmaras municipais, mas também, na simples utilização do espaço público.

Aumentos no preço das tarifas das tarifas da água – em alguns casos para o dobro – como os que foram impostos pelas Câmaras Municipais de Albufeira ou de Lagos; alargamento das zonas de estacionamento pago, deixando milhares de automobilistas sem alternativas, como está a acontecer em Faro e Portimão; novas tabelas de preços pela utilização do espaço público em função da colocação de esplanadas, toldos, ou exibidores de produtos do pequeno comércio, designadamente em Vila Real de Santo António e Albufeira; criação de novas tarifas – seja associadas à factura da água, seja indexadas ao imposto sobre imóveis – como está a acontecer em Portimão ou VRSA, a pretexto das necessidades das corporações de bombeiros. No fundo, um verdadeiro assalto ao bolso das populações que se acrescenta ao roubo que está em curso por acção do Governo na concretização do Pacto de Agressão que PS, PSD e CDS subscreveram com a União Europeia e o FMI.

Na origem deste assalto estão os significativos cortes orçamentais ao poder local que têm vindo a ser concretizados nos últimos anos – e que foram brutalmente agravados no quadro das medidas da troika – e a acentuada quebra de uma das principais receitas das autarquias – fruto de um errado modelo de financiamento – em resultado do estoiro da actividade imobiliária e especulativa que durante décadas desgraçou o Algarve e o país. Quebras de receitas às quais se somam os incomportáveis juros à banca, fruto de um significativo endividamento de muitas autarquias seja porque para aí foram empurradas, seja porque se meteram em aventuras e negócios que acabariam por ser ruinosos.

O certo é que sem as receitas do governo central e dos licenciamentos de novas construções, e com o garrote imposto pela banca por via dos juros – de facto o capital financeiro é neste momento o grande sorvedouro de recursos nacional – as câmaras de maioria PS, PSD e PSD/CDS estão a assumir-se como parceiros do governo no esbulho que está a ser feito às populações.

E só poderá ficar surpreendido com este comportamento por parte de figuras como Macário Correia/PSD em Faro, Luís Gomes/PSD em VRSA ou Manuel da Luz/PS em Portimão, quem andar distraído sobre aquilo que tem sido a marca da governação destes partidos seja no governo central, seja no poder local. Mais, procurando ir passando pelos intervalos da chuva sempre que as posições nacionais dos seus partidos entram em confronto – e elas são tantas – com os interesses das populações locais, cada um destes autarcas, sempre que têm que escolher entre os interesses dos grupos económicos, dos banqueiros, dos especuladores, e os direitos das populações, optam pelos primeiros. E a verdade é esta!

É preciso interromper este caminho de exploração e empobrecimento que está a transformar a vida dos algarvios num inferno. Como defende o PCP e a CDU, é preciso ir buscar os recursos aonde eles efectivamente estão – não se pode aumentar a factura da água à população para tapar o buraco cavado pelas dívidas de milhões água dos hotéis de luxo como foi denunciado na Assembleia Municipal de Albufeira – fazendo uma justa distribuição da riqueza e tributação fiscal. É preciso afrontar todas e cada uma das medidas do governo, envolver e mobilizar as populações na exigência de uma vida melhor. O povo pode aguentar muito e durante muito tempo, mas não aguenta tudo e muito menos, o tempo todo.

Aumento do salário mínimo nacional!?

Hoje teve lugar na Assembleia da República o debate promovido pelo PCP acerca do aumento do salário mínimo nacional, depois de ontem PSD, PS e CDS terem votado contra a proposta do PCP que visava tributar em 2010 a distribuição de dividendos, ou seja, travar a antecipação de distribuição de dividendos já anunciada por várias grandes empresas para escapar ao agravamento fiscal do próximo ano.

Foi preciso Assis fazer birra e bater o pé para que os socialistas votassem quase em bloco contra a proposta. Será que alguém se recorda de Sócrates ter dito em entrevista à TVI, no mês de Novembro, que não era «moralmente aceitável» que a distribuição de dividendos extraordinários da PT se fizesse ainda em 2010.

Em entrevista à TVI, José Sócrates explicou que a «alteração feita no nosso sistema fiscal vai ter como consequência que a distribuição de dividendos pague imposto», não sendo, por isso, «moralmente aceitável que a PT fizesse isso antes» destas modificações.

«A administração da PT certamente compreenderá e fará essa distribuição de dividendos por forma a que esses dividendos paguem esses impostos contribuindo dessa forma para o esforço colectivo que estamos a fazer», acrescentou.

Pois! Está bem! É isso mesmo que está a acontecer…

Como escreveu Daniel Oliveira, no País mais desigual da Europa o salário mínimo não pode ser actualizado para uns miseráveis 500 euros. E nesse mesmo País o Parlamento chumbou a possibilidade dos accionistas da PT pagarem impostos pelos seus dividendos.

Dúvidas houvesse, para aqueles que ainda acreditam no Pai Natal (até porque estamos em Dezembro!!!), ficamos esclarecidos com esta política PS, PSD e CDS: quem tem que pagar impostos, fazer esforços, gerir recursos mínimos, lutar pelo país, viver à míngua com parcos euros, sacrificar-se, tudo em prol da “invenção da crise” são os indivíduos que trabalham todos os dias, mal pagos pela sua força de trabalho, pela sua capacidade de produção, os outros, os que inventam os termos, condições, que têm a possibilidade de ditar as regras (porque muitos dos que são mal pagos, pouco têm para comer, para prover às suas necessidades quanto mais aos seus desejos, assim o possibilitaram), esses, esses divertem-se a contar-nos estórias sobre o FMI, as SGPS’s, as Ongoings, usam termos como necessidade de sacrifício – sem saber o que isso significa, e todos os dias voltam para as suas casas satisfeitos com a exaltação do seu super-ego porque muito poucas pessoas os fazem encarar as diferenças e os obrigam a escolher e a fazer opções nesse plano em que a maior parte de nós habita, o da realidade.

a intervenção do PCP na Assembleia da República

É com estas acções, não com palavras, que se vê que há uns mais iguais que outros quando se diz que os políticos são todos iguais, que só querem é roubar, que nada muda, que querem é tachos: uns mais iguais que outros… uns mais independentes que outros… uns mais intricados com o poder económico que outros…

Para mudar é preciso primeiramente que não se continue a votar nos mesmos. Dizer que são todos iguais é sempre uma boa forma de nos desculparmos a nós próprios por não fazermos nada quanto a algo que nos incomoda…