Acerca das Autárquicas em Silves

Começo desde logo por agradecer a todos quantos, com a equipa da CDU à Câmara Municipal de Silves e às Juntas de Freguesia do concelho, partilharam os seus problemas, as suas preocupações e as suas ideias. A todos quantos votaram nestas equipas, acreditando numa alternativa, uma palavra de agradecimento pela confiança demonstrada e que se reflectiu nos resultados.

Na Câmara Municipal de Silves, a CDU mantém um lugar, elegendo Rosa Palma para vereadora. Relativamente à Assembleia Municipal de Silves, a votação aumentou de 19,90% em 2005, para 21,86% em 2009, o que possibilitou a eleição de mais um deputado  da CDU, que passa de quatro para cinco eleitos directos.

Relativamente às Assembleias de Freguesia, no geral, a CDU sobe de 25,92% em 2005, para 27,12% em 2009, o que resulta em mais dois eleitos, resultado apenas possível pela votação alcançada em São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra. No primeiro caso, a CDU foi a força mais votada, com 37,84% dos votos, garantindo a eleição de João Correia, para presidente da Junta de Freguesia, e  uma representação de seis eleitos na Assembleia. Com a duplicação do número de votos, em São Marcos da Serra, a CDU conquistou o seu segundo eleito na Assembleia de Freguesia. É de salientar ainda a subida de votos em Tunes (mais xxx votos e mais 3,35% do que em 2005), embora mantendo o número de eleitos.

Em Alcantarilha, a CDU subiu 2,46% relativamente a 2005, embora esse resultado não tenha ainda permitido ficar representada na AF. No geral, embora tenhamos descido a votação na freguesia da Silves (menos 5,67%), Armação de Pêra (2,19%), Algoz (2,14%) e Pêra (1,52%), há um reforço de 17,31% dos votos na CDU para as Assembleias de Freguesia.

Não posso deixar de mencionar que em São Bartolomeu de Messines a CDU foi a força política mais votada para todos os órgãos que se apresentaram a sufrágio no dia 11 de Outubro: Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Assembleia de Freguesia. Os messinenses deram um sinal claro da sua vontade de mudança para o rumo da freguesia e do concelho – um resultado inédito no resto das freguesias do concelho.

Com este reforço, nas Assembleias de Freguesia e na Assembleia Municipal, há uma abertura para uma mudança no panorama político do concelho. A CDU tem mais força, mais voz para fazer ouvir os problemas da população e para propor soluções, nos locais onde são decididas as políticas a seguir para o concelho e para as freguesias. A população tem garantido mais apoio e mais estímulo para as suas justas reivindicações e para as lutas que por elas decida levar a cabo. Por estas consequências concretas que a expressão do número de votos tem na prática, quem votou na CDU só pode estar satisfeito e não terá motivos para lamentar essa opção.

Tendo em mente os resultados, partilho uma última reflexão.

Para os eleitos da CDU e, mais especificamente, aqueles que vão ocupar cargos executivos nas juntas de Silves e de São Bartolomeu de Messines, é tempo de meter mãos à obra. Existe um programa que foi sufragado juntamente com as listas que se apresentaram às eleições, o que quer dizer que esse mesmo programa é o plano de trabalho que foi aprovado para os quatro anos que agora começam. Muitas vezes as pessoas reagem com receio face à mudança, devido à ruptura com a rotina instalada, à qual não são alheias as nossas emoções. É próprio dos seres humanos. Não somos apenas “animais políticos”, como afirmou Aristóteles, mas também “animais de hábitos”.  Contudo devemos ter presente que a mudança representa um outro rumo, um outro presente e futuro, escolhido pela maioria da população, e que este presente e este futuro têm de ser construídos através do diálogo e de uma nova prática, que conta com a participação popular, que conta com todos os moradores, que conta consigo em concreto.

in Jornal Terra Ruiva, edição n.º104

Tomada de posse da Câmara e Assembleia Municipal do concelho de Silves

A tomada de posse dos órgãos autárquicos do concelho de Silves teve lugar dia 21, quarta-feira, pelas 17h00m (atrasou-se um pouco, normal nestas coisas de protocolo) na Câmara Municipal de Silves.

Estiveram presentes alguns populares a assistir à mesma. Os discursos do presidente da Assembleia Municipal cessante, João José Ferreira, e da reeleita presidente da Câmara Municipal de Silves, Isabel Soares, focaram-se na necessidade de desenvolvimento do concelho, insistindo ambos no futuro que é necessário construir para a geração vindoura. Discursos sóbrios e a puxar pelo sentimento.  Ressaltar ainda, o facto de Isabel Soares se referir às virtudes do Rei Salomão, exprimindo que não almeja ser como ele, mas que espera poder nortear o seu caminho de acordo com os seus ensinamentos. Vejamos o que nos vão reservar estes próximos 4 anos…

Fica a sensação que ambos, João Ferreira, e Isabel Soares, querem dar a ideia de um começo novo, como que esperando que as pessoas se esqueçam que o executivo destes 12 anos que passaram era constituído pelo PSD, e que as políticas que foram aprovadas ao longo deste tempo tiveram sempre a votação favorável, ou abstenção do PS, como forma de viabilizar as políticas que foram colocadas em prática e que todos sentimos no nosso dia-a-dia. Ou seja, não podem desresponsabilizar-se das acções que levaram a cabo, e cujas consequências são conhecidas de todos nós. Por outro lado, é sempre possível olharem os resultados eleitorais e daí retirarem as suas ilações, pautando a sua actuação com respeito pela vontade dos que os elegeram para governar.

Interessante o discurso de João Ferreira, presidente cessante da Mesa da Assembleia Municipal, após a eleição de Maria José Encarnação. “Podem contar connosco” disse dirigindo-se à Mesa, acrescentando que com a bancada do PS não vão ter lugar traições, “nem vendetas“. Discurso negro e penoso, como que a cobrar o facto de ao longo destes anos a bancada do PS ter estado ao lado do PSD, permitindo o trabalho do executivo com o seu apoio na Assembleia Municipal. Esperava, talvez, João Ferreira continuar a presidir à Assembleia Municipal. Esquece-se o PS que a confiança que se deposita muitas vezes se perde pela actuação que se vai tendo ao longo do tempo. Para ser coerente, e tendo em conta o passado recente, João Ferreira só poderia ter sido eleito se o PSD tivesse votado na sua candidatura como forma de reconhecimento pelo trabalho da sua bancada em prol das políticas do executivo.

Ao que parece, pelo que se vai lendo nos blogues, incomodam as abstenções que tiveram lugar nesta votação da constituição da Assembleia Municipal. Mas só se vieram da CDU! O facto de o PS  não se ter mostrado força opositora capaz durante os últimos anos não incomoda. Quem faz coligações imorais é a CDU (gostava de saber quais são essas coligações), embora nunca tenho permitido e fomentado a prossecução das políticas do executivo PSD. De facto quem propaga esses discursos são pessoas atentas à vida política do concelho! Pessoas que tentam apagar o papel do PS ao longo destes anos, fazendo da CDU aquilo que não é, nem nunca será, bode expiatório, purga para as culpas dos actos dos outros. O PS teve o seu tempo na Assembleia, aliás não tinha votos suficientes no último mandato para ter eleito o seu candidato per se. Como já referi confia-se em quem é confiável. Um PS que sucumbiu ao PSD durante estes últimos anos não é de todo confiável. Não arranjem desculpas.

Mais, ao contrário do que um cidadão menos atento possa pensar, estas eleições, e a sua campanha eleitoral alcançaram em determinados sítios um baixo nível de argumentação, aliás muitas vezes nem sequer política, que muitos se esforçam por apagar. Contudo ela existiu. Os únicos responsáveis são os que a propagaram com ódios, e palavras mordazes, denegrindo aquilo que a política deve ser. Uma arte reguladora de relações que tem como fim a vivência harmoniosa dos cidadãos na sua freguesia, cidade ou país. Discursos antidemocráticos que se propagam pela blogosfera, escondidos sob a alçada do anonimato, porque dar a cara é coisa que hoje em dia as novas tecnologias excusam, permitindo a disseminação de enunciados infundados que minam a boa convivência, o respeito pelos adversários políticos, e pela discussão séria e democrática. Quem leva o serviço público a sério, e gosta de política por certo não tem este tipo de posturas, e consegue além de encaixar as críticas construtivas, rir-se de algumas crenças enraizadas quanto ao seu partido, aprecia um bom esgrimir de argumentos, logo uma vida democrática em que a presença de todas as forças é necessária, devido à pluralidade de valores, ideias, e ideais que cada sujeito possui.

Deixo, por fim, a lista dos membros que tomaram posse nessa quarta-feira, 21 de Agosto de 2009.

O executivo da Câmara Municipal ficou constituído por:

3 membros do PSD: Isabel Soares, Rogério Pinto, Maria Manuela Guerreiro;

3 membros do PS: Lisete Romão, Fernando Serpa, Mário Maximino;

e, 1 membro da CDU: Rosa Palma.

A Assembleia Municipal ficou constituída por:

12 membros do PSD: Maria José Encarnação; Rui da Silva, José de Sousa Ramos, Célia Coelho, Avantino Moreira, José Maria Gaio, Maria Emanuela Simões, Rui Jorge Paulino. Mais os quatro presidentes das Juntas de Freguesia: Sérgio Antão (Algoz), Fernando Bernardo (Armação de Pêra), José Marques (Pêra),  e, José Cebola (Tunes);

9 do PS: João Ferreira, Ana Sofia Belchior, Nuno Filipe Silva, José Ricardo Matos; Ana Cristina Santos, Fernando Sequeira Santos. Mais os dois presidentes das Juntas de Freguesia: João Palma (Alcantarilha) e José Folgado (São Marcos da Serra);

7 da CDU: João Estevens, Analídio Braz, Tânia Mealha, Paula Torres e José Carlos dos Santos; Mais os dois presidentes das Juntas de Freguesia: Mário Godinho (Silves), e João Correia (São Bartolomeu de Messines).

e 1 do BE: Filipe Bárbara.