“Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar”

Hoje, quando a União Europeia navega em águas agitadas sem rumo perceptível e em que os chamados países periféricos sofrem as consequências de decisões que parecem tudo menos inocentes, é oportuno recordara voz lúcida de Álvaro Cunhal que na altura muitos acusaram de “velho do Restelo”. Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão à Comunidade Económica Europeia e a entrada no “clube dos ricos”, quando a maioria do povo português embarcava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas.
Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso.

Pedro Pezarat Correia

como portugal segue cegamente uma Merkel ignorante

Já Tocqueville dizia que a democracia não só contém o germe de um totalitarismo ubíquo e intrusivo, por mais gentil e protector que seja, como implica o risco de criar uma aristocracia industrial que pode produzir um novo tipo de autoritarismo – tendências que se podem desenvolver num contexto democrático ao invés de o substituírem!

Depois temos isto:

Hipóteses:

1) não sabe nada de geografia e o seu sentimento de omnipotência de quem tudo controla e sabe ainda leva a que coloque em questão o que a professora lhe diz. ominpotência como compensação de fragilidades que tem?! era interessante observá-la noutros contextos!

2) é um acto falhado e a má localização denúncia a sua vontade expansionista de conquista da Europa e arredores?!
Não se pode tomar o acontecimento isolado para uma análise séria mas que isto é da maior importância é! Uma pessoa que dita e desdita o rumo da Europa tem dela um desconhecimento contextual profundo, ou alguém vai advogar que a senhora percebe dos problemas dos países e da europa mas é fraca a geografia?!

3) Ou talvez ainda digam que ela tem problemas de orientação espacial?! Se assim é espero que ela não conduza!

Verdade verdadinha é que a intolerância em termos psicológicos denota a cristalização de cognições e rigidez de pensamento com pouca permeabilidade às cognições e crenças de outros indivíduos. Esta fulana à frente da Europa é uma preocupação constante e crescente. Como é que a União Europeia está subserviente à Alemanha?! Em 27 estados-membros não escorre a nenhum soberano acabar com a ditadura de ser tão ignóbil?! Ou são todos tão ou mais ignorantes para deixarem alguém assim liderar?! E para quê?!

É nestas alturas que tenho a sensação que os fulanos que deviam estar no desemprego estão todos a exercer funções!…

Carvalho da Silva sobre a União Europeia

Opinião – Jornal de Notícias

Qual o caminho da Europa?

2011-10-08

Para onde caminha a União Europeia (UE) quando as suas políticas agravam aceleradamente as condições de vida da esmagadora maioria dos seus cidadãos, acentuam desigualdades, rompem solidariedades, amesquinham povos cuja história milenar constituiu alicerces do que se enuncia como cultura europeia?

Insisto na ideia de que só uma forte mobilização dos trabalhadores e dos povos (em particular das gerações mais jovens) pode travar o desastre e forçar o surgimento de políticas novas, libertar as sociedades do neoliberalismo e neoconservadorismo dominantes, que submeteram os partidos do chamado “arco do poder” e não têm deixado condições para projectos à esquerda se afirmarem.

É imperiosa a luta por um projecto europeu solidário, universalista, sólido em valores humanos e respeitador da história e cultura dos seus povos, quer numa perspectiva reformista quer na busca de sistemas políticos alternativos a este capitalismo que vai somando contradições e dimensões de crise.

Nos Estados Unidos da América cresce o movimento, particularmente jovem, que reivindica: “a Wall Street deve pagar pelos danos que fez à economia”. O presidente da Federação Americana do Trabalho (AFL-CIO) – central sindical cujo percurso até tem algumas nódoas – perante as desigualdades que marcam o seu país, já veio a público, e bem, apoiar os manifestantes e afirmar: “O 1% dos mais ricos controla a economia, lucra à custa dos trabalhadores e domina o debate político. Wall Street simboliza esta verdade simples: um pequeno grupo de pessoas tem nas suas mãos as vidas e meios de subsistência dos trabalhadores americanos”. Ali, como na Europa, é caso para perguntar: onde está a soberania dos povos?

Na UE é ignóbil a forma como estão a lidar com o problema das dívidas soberanas e designadamente com a situação da Grécia – país que vai na frente na queda para o precipício, mas acompanhado por outros.

Em nome da necessária estabilização da Banca, será que se prepara novo roubo aos orçamentos dos estados, continuando os accionistas a agir sem controlo público e sem garantir apoio ao investimento produtivo?

É um escândalo observarmos como, mesmo quando os cidadãos estão a ser violentamente sacrificados e a economia atrofiada, os grandes accionistas dos grupos financeiros e de certos sectores de actividade a que deitaram mão, continuem a distribuir entre si milhões e milhões de lucros.

Transformaram o sector financeiro numa espécie de “vaca leiteira”, sempre produtiva porque bem alimentada pela exploração de quem trabalha e pelo corte nos direitos sociais. Assim não há resolução para as “dívidas soberanas”!

A Grécia pode ter alguma informalidade excessiva instalada em várias áreas, mas o buraco em que se encontra não resulta, no fundamental, daí! Ele resulta do processo de agiotagem que atacou o país, da destruição das actividades económicas, do empobrecimento do povo feito pela diminuição dos salários e das prestações sociais, pelo agravamento do custo de vida, pelo ataque aos direitos sociais.

Só haverá solução para a Grécia, como para Portugal, com políticas diametralmente opostas. A dívida tem de ser renegociada a sério – e posta de lado grande parte dela porque é resultado de roubo – as actividades económicas apoiadas com políticas de investimento justas. E é indispensável um forte plano de apoio à criação de emprego e de retoma de políticas sociais solidárias.

Em Portugal vai-se repetindo o que de pior foi feito na Grécia.

Repete-se até à exaustão a ideia das inevitabilidades. Agrava-se a “informalidade” na economia e no trabalho. A recessão económica e o desemprego são o grande denominador comum de todas as políticas seguidas. Está-se a criar uma conjugação de efeitos explosivos entre os ataques ao Estado Social, o agravamento da injusta distribuição de riqueza e a diminuição acelerada de garantias de formação para as jovens gerações.

Fala-se da necessidade de responsabilidade social das empresas, para camuflar um violento ataque aos direitos dos trabalhadores.

Por aqui também a nossa dívida será cada vez maior.

hoje que é dia da criança, pensamento para 5 de Junho

“se tolerares isto, as tuas crianças serão as próximas

“if you tolerate this your children will be next”

 

The future teaches you to be alone
The present to be afraid and cold
So if I can shoot rabbits
Then I can shoot fascists

Bullets for your brain today
But we’ll forget it all again
Monuments put from pen to paper
Turns me into a gutless wonder

And if you tolerate this
Then your children will be next
And if you tolerate this
Then your children will be next
Will be next
Will be next
Will be next

O futuro ensina-te a estar sozinho
O presente a ter medo e frio
Se eu posso caçar coelhos
Então eu posso caçar fascistas

Balas para o teu cérebro hoje
Mas vamos esquecer tudo isso de novo
Monumentos passados da caneta para o papel
Tornam-me numa maravilha cobarde

E se tu toleras isso
Em seguida, os teus filhos vão ser os próximos
E se tu toleras isso
Em seguida, os teus filhos vão ser os próximos
Vão ser os próximos
Vão ser os próximos
Vão ser os próximos

“As palavras são importantes: empréstimo não é ajuda” João Rodrigues

Uma comunicação social livre, exigente, isenta e plural é uma condição fundamental da democracia. À relevância do papel social de produção e difusão de notícias deve corresponder a mesma dose de responsabilidade e exigência no tratamento noticioso da realidade que é, necessariamente, construída pela própria noticia. Especialmente num período em que nos aproximamos de eleições, a responsabilidade sobre os temas tratados não deve existir apenas no plano da justa distribuição de tempo pelas várias ideias e opções politicas que se apresentam perante o sufrágio dos cidadãos: a semântica reveste-se igualmente de uma importância crucial no tratamento noticioso.

Neste sentido, torna-se manifestamente inaceitável que a generalidade dos órgãos de comunicação social continue a reproduzir, displicentemente, a ideia de que o empréstimo da “troika” FMI-BCE-UE constitui uma “ajuda externa”, optando assim, implicitamente, pela aceitação acrítica desta noção.

Ora, em primeiro lugar, um empréstimo com uma taxa de juro tão elevada dificilmente pode ser considerado uma ajuda. E, em segundo lugar, este empréstimo, encontra-se associado a um acordo, que obriga o Estado Português a cumprir – a troco do empréstimo – um conjunto de contrapartidas que se materializam em medidas de austeridade fiscais, sociais e económicas. Por último, assumir acriticamente que se trata de uma ajuda significa ignorar a profunda controvérsia, contestação e discussão quanto à pertinência e adequação destas medidas, cujos impactos sociais e económicos nefastos são amplamente reconhecidos.

Ao atribuir-se ao memorando da “troika” o epíteto de “ajuda externa” está-se portanto a construir, ou a veicular com manifesta parcialidade, uma narrativa política que favorece quem se comprometeu com este acordo, em detrimento de outras narrativas, igualmente existentes, nomeadamente da parte de quem o contesta. Quando a ideologia se infiltra desta forma inaceitável, numa sociedade plural, no tratamento noticioso, é não só o jornalismo que sai diminuído, mas também a própria democracia.

Sabemos, pelos programas dos partidos que concorrem a eleições, que existem diferentes abordagens, interpretações e propostas de solução no que concerne ao problema da dívida da República Portuguesa. São estas perspectivas que estarão sob escrutínio dos eleitores no dia 5 de Junho. Ao assumir acriticamente a ideia de “ajuda externa”, a comunicação social interfere no processo plural de debate de ideias, contribuindo para que a ideologia se sobreponha à democracia. É por isso inaceitável que o acordo da “troika” receba o rótulo de “ajuda”, tornando-se por isso urgente que os diferentes órgãos de comunicação social se lhe refiram em termos mais rigorosos, isentos e correctos de um ponto de vista da linguagem económica, recorrendo por exemplo às expressões de “crédito”, “empréstimo” ou “intervenção externa”.

Um empréstimo não é ajuda. Subscrevam a petição.

João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas

o FMI não vem para ajudar, o que é preciso é mudar o rumo da política

Em última análise a culpa de aqui estarmos hoje é não apenas dos que nos governam mas dos que os escolheram para nos governar, em 30 anos não aprenderam nada.

Não há diluição, não pode haver diluição, das responsabilidades. É preciso apurá-las e responsabilizar quem nos trouxe até aqui. Afinal, o que se faz hoje ao nosso país é criminoso, pura criminalidade económica e essa também deve ser punida.

Quando foi adoptado o Euro a Alemanha tinha uma balança comercial deficitária para com a UE, agora está na mó de cima.

Andamos a financiar quem? Uma pista: lucro para o FMI 520 milhões €. Lucro para os países da UE 1060 milhões €.

Andamos a pagar a crise de quem?! A da banca e a financiar os outros países como a Alemanha para que não cheguem eles a este ponto!

reflexão do II Encontro Nacional de Redução de Riscos

Começar por dizer que desde que há vinte anos que em Portugal se abandonou o paradigma político, ideológico e terapêutico em torno da abstinência de drogas, muitas questões se foram levantando em torno da eficácia das políticas e estratégias de redução de riscos e minimização de danos. Entre o alheamento social até à proibição são muitas as atitudes políticas perante o flagelo das drogas. O paradigma da abstinência foi substituido pela constatação de necessidades ditadas pela emergência da criação de uma resposta que minorasse os efeitos em termos de saúde pública face a uma doença, VIH/SIDA, que se alastrava sem que houvesse qualquer definição de políticas preventivas, soluções terapêuticas ou de respeito face à dignidade humana, insurgindo-se na altura muitos moralistas. Actualmente as evidências demonstram que, não fora o arrojo de meia dúzia de profissionais de saúde pública e o alarmismo então fundado em torno da transmissão do VIH/ SIDA, poderia ter actualmente proporções mais preocupantes: porque se constatou que afinal não são apenas as populações utilizadoras de drogas ilícitas os potenciais grupos de risco pois existem muitas outras atitudes, tendências, actividades, preferências ou dependências que são factores de maior risco.

Assim e, apesar dos constrangimentos existentes pela falta de coragem política e planeamento estratégico alicerçado em evidências científicas que levam a que muitas das equipas de rua

produzam trabalhos meramente assistencialistas, quando o assistencialismo deveria constituir apenas e só um meio para aproximar o utente dessas mesmas equipas,

fazendo da redução de riscos um trabalho meramente sanitário e uma forma de evitar contágios o resultado da discussão ao longo destes dois dias serviu para perceber que existem associações em Portugal e lá fora, neste caso concreto em Espanha, que encaram a redução de riscos de forma holística,

relevando os direitos humanos na definição de políticas e medidas de redução de danos, produzindo conhecimento, implementação e execução no sentido de adaptar o sentido inicial da redução de danos à realidade e às necessidades actuais. Daí que d

as inúmeras apresentações interessantes que tiveram lugar neste encontro destaco a discussão em torno dos kits de consumo higiénico, o seu papel nos contextos pesados das drogas, as salas de consumo assistido (ainda muito controversas no nosso país) e a redução de riscos em contextos festivos. Destaco-as quer pela inovação na introdução de novos/melhorados instrumentos nos kits – como os recipientes próprios para o “caldo” no lugar das anteriores colheres de café, distribuição de papel de alumínio para a heroína fumada (distribuido pelo GiruGaia desde 2005); quer pela invenção de novos instrumentos – como as seringas Sterifilt, quer pela educação dos consumidores face ao conhecimento da composição das drogas que adquirem e consomem – projecto Checking da Agência Piaget para o Desenvolvimento, vulgo APDES que se complementa com o o projecto Check-in – grupo de intervenção que actua na gestão de prazeres e riscos em contextos festivos de universidades, festivais de verão, discotecas, etc.

Quanto à experiência espanhola com as salas de consumo assistido um dos dados interessantes é o consumo da heroína ter diminuído de 2000 a 2010, tendo neste período entrado em funcionamento as salas de consumo assistido, como a de Bilbao em 2003. Assim a experiência espanhola é face dos resultados positivos da aplicação de medidas de redução de riscos, de âmbito social, sanitário e terapêutico. Estas salas de consumo assistido estão abertas todos os dias, incluindo o fim-de-semana, facilitando o acesso a um lugar de descanso e encontro, com salas de consumo injectado ou por inalação/fumado, com intercâmbio de seringas e distribuição de material preventivo  para uma educação para a saúde e redução de danos. Destina-se a fazer face à evidência. É um recurso para melhorar a qualidade de vida das pessoas que estão dependentes das drogas (por via intra-venosa, fumada ou “snifada”) e que se encontram em situação de risco e/ou exclusão social. É uma forma de dar alguma humanidade àqueles que já não se importam de serem vistos a injectar-se no vão dos prédios, nas lixeiras ou na rua; que não se importam com a higiene pessoal; que não se importam com as doenças que contraem pela utilização das seringas de outros; que não se importam com o local onde dormem; enfim, dos que não se importam com nada desde que consigam a dose seguinte. Proporcionam ao utilizador um espaço para o consumo de diferentes tipos, encontro e convívio social, serve para tomar uma bebida ou uma refeição ligeira e é também sala de realização de actividades e ateliers. O acompanhamento é feito com técnicos de diferentes áreas que vão dando crédito aos relatos das necessidades de ordem sanitária, social, psicológica, familiar. Permite uma recuperação da auto-estima e ao mesmo tempo uma abordagem para um possível encaminhamento para serviços de saúde, centros de tratamento de toxicodependências, serviços sociais, centros de atendimento psicológico e/ou psiquiátrico. A forma de vencer a resistência dos vizinhos e a reserva dos políticos foi envolvê-los na concepção e na implementação do projecto, foram realizadas inúmeras reuniões com os vizinhos.

O vício das drogas está presente nos bairros e nas ruas de várias cidades e vilas do nosso país, e do mundo, já não é possível ficar alheio. Os toxicodependentes já não são invisíveis. Deambulam, sobretudo, pelas cidades repetindo circuitos entre o ponto de tráfico das drogas, o sítio em que a consomem e os locais onde arrecadam o dinheiro para as comprar. É uma longa caminhada de urgência para aplacar o vício que destrói o corpo por dentro. Em Portugal as estratégias de combate são várias, desde a distribuição, pelas inúmeras equipas de rua, de preservativos e seringas até ao internamento em clínicas de desintoxicação e recuperação (com custos exorbitantes para as famílias e de baixa eficácia), passando ainda pelo programa de substituição de opiácios feito através do fornecimento de metadona que funciona nos Centros de Atendimento a Toxicodependentes. Contudo ainda não temos salas de consumo assistido. Além disso, ficou patente que o Instituto da Droga e Toxicodependência não é muito favorável a esta medida pois, defendeu o seu representante no encontro, que as respostas actuais lidam com o fenómeno de forma pacífica e consensual – o que levou a críticas por parte de alguns dos presentes que trabalham no terreno, em contexto de proximidade, inclusive à crítica dos “números rosa do IDT” como se agora fôssemos um país em que a problemática das drogas não tenha lugar porque tudo está resolvido no sentido de ter uma resposta eficaz às diferentes problemáticas desta população.

Neste encontro foi apresentado um estudo, que fez parte da tese de mestrado de Janete Gonçalves e Rita Aires, acerca da receptividade dos agentes sociais e da população face à implementação de uma sala de consumo assistido em Guimarães. Os resultados são animadores uma vez que a maioria da população inquirida se mostrou receptiva mesmo que a sala de consumo assistido se localizasse ao lado de suas casas e quanto aos agentes sociais (Câmara Municipal de Guimarães, duas Juntas de Freguesia da zona, Bombeiros e Agrupamento de Centros de Saúde, IDT) o único “parecer” desfavorável foi o IDT. As questões levantadas pelos parceiros quanto às suas preocupações com este projecto embora se tenham mostrado favoráveis foram estudos que fundamentem a implementação de uma sala de consumos assistida – a experiência espanhola é aqui a considerar e, a integração desta sala numa rede de estruturas mais alargada – protocolos com os hospitais, unidades de doenças infecto-contagiosas, com os serviços de urgência e com a polícia. Um outro dado a mencionar é o facto de a população e os consumidores que referiram ser favoráveis a esta medida terem dado as mesmas respostas e motivos para o seu apoio. Do lado da população preocupação com a saúde pública e pelo facto de o fazerem “longe da vista” (das ruas, etc.) tal como do lado dos consumidores, para o fazerem longe da vista da população em geral e pelas condições de higiene que lhes permite outra segurança em termos de contrair doenças. Já se sabe que a vontade existe faltam agora os meios e a articulação de todos os interessados para que surja um projecto piloto!

Vantagens da experiência espanhola que já conta com oito salas de consumo assistido: reduziu-se o consumo a céu aberto nas ruas circundantes; verificou-se uma diminuição da pequena delinquência; conhece-se o nível de saúde da população toxicodependente; diminuiu-se o perigo de contágio de doenças infecciosas como a Sida as hepatites B, C; aumentou a sensação de segurança geral e os toxicodependentes ganharam uma réstea de humanidade.

No fim, é apenas lamentável que nem sequer tenha saído uma notícia na comunicação social acerca deste encontro e das temáticas lá debatidas com a agravante de existir muita investigação-acção na área a ser concretizada no nosso país, como as associações que promoveram este encontro. De lamentar ainda a posição da representante da ANF quando disse que a compra e distribuição de seringas mais largas para evitar o risco de morte, entre outros, pela injecção de suboxone é um incentivo ao seu consumo (deve-se ter esquecido no que se baseia a redução de riscos e minimização de danos), o que levou a assistência a manifestar o seu desagrado e a perguntar pelas seringas para a injecção de heroína…

A primeira meta da intervenção de redução de danos é tentar estabilizar o comportamento problemático do indivíduo e prevenir uma maior exacerbação das consequências prejudiciais. Tende a estimular a manutenção da mudança de comportamento e a não permitir que o problema se agrave. A redução de danos promove o acesso a serviços de baixa exigência como alternativa às respostas tradicionais de alta exigência.” (“Estratégia nacional de luta contra a droga 2005-2012”, p. 6851)

 



 

e como o Orçamento de Estado apresenta cortes em tudo, mais um:

Cortes ameaçam afastar doentes dos tratamentos de álcool ou drogas ilícitas


Problemas das pescas no Algarve

No Algarve, em encontros com pescadores e com o Sindicato dos Pescadores do Sul, ouvimos diversas críticas à PCP – política comum de pescas, que não tem em conta as dificuldades da pesca artesanal, dando particular destaque à liberalização do preço do pescado na lota e à não existência de uma margem de lucro fixa, o que fez baixar o rendimento dos pescadores enquanto aumenta o lucro dos intermediários, a discriminação dos pequenos barcos a gasolina que não recebem o apoio dado a quem utiliza gasóleo, a baixa quota de pesca de atum, o acordo de pescas transfronteiriço.

Assim, solicitamos à Comissão Europeia as seguintes informações:

1. Que medidas estão previstas para dar resposta a estas reivindicações dos pescadores?
2. Estão previstas alterações à PCP que tenham em conta as críticas dos pescadores portugueses?
3. O que se passa com a quota de atum atribuída a Portugal?

Pergunta Escrita de Ilda Figueiredo e João Ferreira no Parlamento Europeu