análise s.w.o.t.

Andava a meter-me a par das notícias da blogosfera do concelho quando a ler o Penedo Grande, do qual sou assídua frequentadora, vejo que o Paulo propõe uma análise S.W.O.T – uma técnica bastante usada na gestão e planeamento estratégico das empresas, para o Concelho de Silves.

S.W.O.T. significa:

Strenghts – forças; Weaknesses – fraquezas; Opportunities – oportunidades; Treaths – Ameaças.

As forças e fraquezas referem-se ao ambiente interno e as oportunidades e ameaças ao ambiente externo das empresas. A ideia desta análise é avaliar as estratégias levadas a cabo pelas próprias empresas, decidindo se são eficazes ou se têm que ser modificadas e, avaliar o ambiente externo às mesmas de forma a minorar o seu impacto na performance das empresas, aproveitando as oportunidades e evitando/gerindo as ameaças. A contextualização das forças externas e internas vai possibilitar a tomada de decisões quanto às estratégias que as empresas devem tomar maximizando as oportunidades e minimizando os pontos fracos, ameaças e possíveis efeitos.

Como o Paulo estava a comentar a edição deste mês do Terra Ruiva e a entrevista ao vereador Fernando Serpa, escrevendo o seguinte:

Temos depois a entrevista ao Vereador Fernando Serpa. Aquilo que já todos sabíamos foi publicamente assumido… diz o próprio que está “disponível para ser candidato do PS” às próximas autárquicas. Sinceramente gostei da entrevista. Foi politicamente correcta e teve pormenores que revelam claramente a vantagem que leva sobre qualquer outro candidato que possa surgir dentro, ou fora, do PS Silves.

Goste-se ou não do estilo temos que reconhecer o trabalho e o esforço que tem sido feito pelo Dr. Serpa nos últimos tempos. A sua acção tem sido transversal e é preciso admitir que poucos conhecem os dossiers que se vão sucedendo como ele. É certo que tem a obrigação disso. É certo que já lá está há 20 anos (apesar de parecer que só agora despertou). Deverá ser levada muito a sério a sua “pré-candidatura” dentro do PS.

Não consegui deixar de pensar que a análise S.W.O.T. também se pode aplicar aos candidatos! E vai daí que lá comentei:

com uma afirmação destas “já lá está há 20 anos (apesar de parecer que só agora despertou)” achas mesmo que há condições para pensar seriamente em Fernando Serpa para candidato?!

Dentro da análise do cenário político, recorrendo ao método swot – strenghts, weaknesses, opportunities e threats, que também se pode aplicar aos candidatos e não apenas ao concelho o que disseste na frase que citei é uma clara fraqueza (w), que espelha o sentido de oportunidade (o) do candidato, que acordando para o que se passa no concelho ao fim de 20 anos é uma clara ameaça (t) para o futuro do concelho!

Se estão em 2011 preocupados com quem vai ser o sucessor na presidência da CMSilves em 2013 ao invés de andarem preocupados com o que podem fazer agora pelo concelho, pelas freguesias e pela população o resultado duma análise S.W.O.T. só pode ser que as estratégias a adoptar para minimizar ou ultrapassar os pontos fracos vão ser muito difíceis de forjar porque neste caso a oportunidade é uma mera aliada das fraquezas e ameaças cujo resultado prático será o agravamento das mesmas.

para ler o Terra Ruiva clique na imagem

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educação em portugal: o papel dos governos PS, PSD

 

em Portugal não se planeia, imita-se o que de pior se faz lá fora mesmo depois desses países mudarem de modelo!

 

A Educação anda por maus caminhos!

A Educação em Portugal não vai bem. Caminha por vias tortuosas. A tutela e os governos não cumprem com a sua maior quota-parte de responsabilidade. Ampliam o centralismo asfixiante e inoperante em detrimento da proclamada autonomia, e diminuem o investimento na escola pública (salva-se, é justo relevar, o lançamento/prosseguimento do programa de requalificação das escolas do ensino secundário).


Aí está o recente estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para o comprovar. O documento que analisa dados reportados ao ano de 2009 refere que Portugal não só se encontra abaixo da média dos 31 países da OCDE em matéria de investimento, como regrediu relativamente a 15 anos atrás: apenas 11,6 por cento do total da despesa pública se destina ao sector educativo (11,7 por cento em 1994), contra 13 por cento da média da OCDE.


O investimento anual por aluno situa-se nos 5200 euros, enquanto a média da OCDE é de 6400 euros. Portugal dedica 5,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) à Educação, ao passo que a média daquela organização é de 6,2 por cento. E quanto à população adulta, Portugal, à imagem de países como o México, a Turquia e o Brasil, regista dois terços de pessoas com idades entre os 25 e os 64 anos que não concluíram o ensino secundário.
Mas o pior de tudo, ainda é o clima agreste que teima em persistir no quotidiano das escolas e as medidas inconsequentes da tutela que infernizam a actividade docente (e a própria gestão dos estabelecimentos de ensino), desqualificando-a e vilipendiando-a, tanto em matéria de precariedade, vulgo mão-de-obra barata, e horários sufocantes, como em matéria de direitos e dignificação do estatuto da carreira de professor sob o manto diáfano do controlo das finanças públicas. Olvida-se e subestima-se o papel fulcral da Educação e da escola pública no desenvolvimento do país que nenhum combate aos défices justifica. Como se diz e com propriedade, “há vida para além dos défices”.


A visão economicista dos problemas da Educação a nível macro e micro, acompanhada de decisões centralistas, diversas delas, recheadas de ignorância da vida das escolas e dos problemas em concreto, mais não acarreta que doses redobradas de perdas de eficiência e eficácia na gestão dos recursos, e prejuízos para cima dos alunos, os verdadeiros sujeitos do processo de ensino-aprendizagem. A sanha de “poupar alguns tostões” é tamanha que não se sabe até que ponto não será verdade, a demora propositada e injustificável face às novas tecnologias de comunicação e informação, da colocação de professores na escola pública, mesmo que tal provoque a permanência de milhares de alunos sem aulas. O centralismo, problema endémico do ser português, também factor de atraso do país de Camões, que no quadro das políticas educativas é expressão da indisfarçável falta de confiança na liderança e estrutura dirigente das escolas, conduz em inúmeras ocasiões, à imposição de aberrações, absurdos, soluções e procedimentos idiotas, que em lugar do objectivo pretendido (melhor afectação dos recursos, melhor funcionamento da escola), o que se alcança é precisamente coisa diversa, i.e., perda preciosa de tempo e recursos, desmotivação profissional e desvio daquilo que é essencial na vida dos organismos educativos: a gestão e o planeamento pedagógicos.


Nos meandros de toda esta crise gerada por quem manda, há a sensação para não dizer a convicção, de que o plano de austeridade do governo de redução nos salários da função pública (no qual se inclui os professores), congelamento de progressões e pensões, aumento de impostos, diminuição dos apoios sociais, etc, atinge, sobretudo, as camadas sociais de mais baixos rendimentos e a classe média, em vez dos mais abastados e possidentes, não proporcionando uma repartição justa dos sacrifícios impostos. Congelam-se pensões de 200 euros! Permite-se a acumulação de pensões e vencimentos principescos pagos pelo Estado a uma mesma pessoa! A banca pode pagar somente 4% de IRC relativa a 2009! Os accionistas da Portugal Telecom obtiveram mais de 6 mil milhões de euros de mais-valias bolsistas com a venda da Vivo à Telefónica espanhola. Como o negócio passou por um paraíso fiscal na Holanda, não liquidaram um único euro de imposto no nosso país! É por esta e por outras que está marcada uma greve geral para 24 de Novembro, convocada pela CGTP e UGT.

Francisco Martins, Economista inTerra Ruiva, Outubro, edição 115