Câmara Municipal de Silves: adjudicação directa de serviços jurídicos

A 31 de Julho de 2013, na reunião extraordinária da Câmara Municipal de Silves, foi aprovada a proposta do executivo social-democrata (PSD), de adjudicação dos serviços jurídicos por ajuste directo à PLMJ Sociedade de Advogados, RL., com a abstenção do Partido Socialista (PS) e com voto contra da Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV).

Lamentavelmente, embora, não totalmente surpreendidos, a CDU regista a posição dos Vereadores do PS, que através da abstenção, viabilizaram a proposta da Maioria PSD na Câmara Municipal de Silves, no sentido de atribuir por Ajuste Directo, na nossa opinião, à revelia da Lei e com gastos desnecessários e volumosos para o erário público – conforme demonstrado na Declaração de Voto – a prestação de serviços jurídicos à empresa PLMJ Sociedade de Advogados, RL.

Infelizmente, o PS Silves habituou-nos ao seu fraquejar nos momentos decisivos, e aliar-se ao PSD local, quando estão em causa assuntos verdadeiramente importantes para a vida dos munícipes e do concelho de Silves. Exemplos: viabilização dos orçamentos camarários contendo reduções brutais nas transferências para as Juntas de Freguesia e no volume de subsídios às colectividades; aumentos exponenciais do tarifário da água e saneamento, taxas e licenças, etc.

Que cada um faça o seu juízo de valor!

 

CDU Silves

Protecção e valorização da produção de amêndoas e figos no Algarve

Recentemente, uma delegação do PCP visitou pequenas fábricas familiares, onde são fabricados os afamados doces regionais algarvios de amêndoa e figo (frutas de amêndoa, queijinhos de figo, estrelas de figo e amêndoa, entre outros). Pudemos aí constatar que as amêndoas e os figos usados na confeção da doçaria regional não são de produção nacional, mas importados da Turquia (figo) e dos Estados Unidos da América (amêndoa).

Como é possível que se tenha chegado a esta situação, em que uma região com características muito favoráveis à produção de amêndoa e figo de elevada qualidade, se veja forçada a importar esses frutos de mercados distantes para poder continuar a produzir os seus doces regionais à base de amêndoa e figo?

O Algarve goza de vantagens climáticas peculiares à zona mediterrânica, possuindo condições privilegiadas para a produção de amêndoa e figo. Num passado remoto e próximo, as amêndoas e os figos algarvios eram consideradas de elevada qualidade, gozando de grande aceitação e preferência, quer no mercado nacional, quer nos mercados internacionais.

Contudo, nas últimas décadas, a produção de amêndoas e figos algarvios entrou em profundo declínio, em resultado do abandono a que o setor agrícola nacional tem sido votado por sucessivos governos do PSD, PS e CDS. O número de explorações agrícolas e as áreas afetas aos amendoais e figueirais reduziram-se drasticamente e muitos dos pomares de sequeiro que ainda subsistem encontram-se abandonados. A produção regional de amêndoa e figo registou uma quebra acentuada, sendo hoje praticamente residual quando comparada com o volume destes frutos secos importados da Turquia e dos Estados Unidos da América. Para este declínio contribuiu ainda a desertificação humana de parcelas significativas do território rural regional, fruto de um modelo de desenvolvimento regional que apostou quase exclusivamente no turismo de sol e praia.

Os produtores algarvios de amêndoa e figo debatem-se com custos crescentes dos fatores de produção e, simultaneamente, com uma diminuição acentuada do preço de comercialização. Acresce ainda que os métodos tradicionais para secar as amêndoas e figos (ao sol, em tabuleiros cobertos de uma fina rede) não são admitidos, obrigando a avultados investimentos em estufas próprias para a secagem. Às debilidades nas infraestruturas de apoio ao escoamento da produção, soma-se a política de esmagamento das margens dos produtores praticadas pelas grandes superfícies comerciais.

Assim, o Grupo Parlamentar do PCP questionou o Governo (pergunta em anexo), exigindo medidas para proteger e valorizar os produtos agrícolas regionais, em particular a amêndoa e o figo, garantindo o seu escoamento e as condições de comercialização que assegurem a necessária rentabilidade aos produtores agrícolas.

Com os melhores cumprimentos,

Pedro Ramos
(Chefe de Gabinete do Grupo Parlamentar do PCP)

aqui

Orçamento de Estado 2013 e o Natal

“Daqui por alguns dias seremos novamente inundados com as mensagens de Natal que anualmente se repetem, cheias de apelos à solidariedade, repetindo preocupações com os mais sós, desprotegidos e fragilizados da nossa sociedade. Mensagens plenas de justeza no seu significado mais imediato num tempo em que a exploração avança galopante e alastram a miséria, a pobreza e o desespero.

Mas é preciso ir mais fundo.

Muitas dessas mensagens serão proferidas pelos responsáveis pela exploração, pela miséria, pobreza e desespero com que se dirão preocupados.

Aqueles que hoje, com o seu voto, aprovam o Orçamento do Estado para 2013 serão responsáveis pelo alastrar da miséria, pobreza e desespero a muitos milhares de portugueses mas procurarão certamente iludir o papel que cumprem.

Que não se lhes poupe nenhuma responsabilidade”

João Oliveira, deputado PCP

O (des)Governo miserável e incompetente da Câmara Municipal de Silves

Publico na íntegra o comunicado da Junta de Freguesia de que tive conhecimento mesmo agora.
A incompetência deste excutivo camarário, PSD, não é novidade pois tem sido constante e reiteradamente praticado ao longo de 12 anos. A questão que fica é: como é que quem votou uma e outra e outra vez na incompetência não se sente responsável pelo que se tem passado na autarquia de Silves e nas Juntas de Freguesia da mesma que sofrem directamente com esta má gestão?!
Do que é que precisam mais para se desiludirem?!

COMUNICADO À POPULAÇÃO
O executivo da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines convida toda a população a participar numa reunião/debate a realizar no dia 25 de Setembro, às 18h30, no Salão da Junta.
Neste encontro queremos dar a conhecer à população, a grave crise financeira em que a Junta de Freguesia se encontra, causada pelo facto da Câmara Municipal não ter ainda transferido qualquer verba no ano de 2012, para pagamento das obras e trabalhos que temos realizado, no âmbito das nossas competências.
Chegou a hora de dizermos basta a esta situação que está a matar a actividade da Junta de Freguesia e a prejudicar seriamente os apoios concedidos às colectividades, clubes e associações. Por isso, apelamos à participação geral nesta reunião!
E porque não aceitamos que a nossa freguesia continue a ser prejudicada e tratada desta forma exigimos que a Câmara Municipal tome as medidas necessárias para resolver de vez o problema da recolha do lixo. Há sítios da freguesia que esperam há mais de 15 dias que o lixo seja recolhido, é uma questão de saúde pública.
Na Vila de Messines, a situação não é melhor, pois os serviços da Câmara Municipal andam a recolher o lixo e a transportá-lo em veículos totalmente inadequados, de caixa aberta, que vão escorrendo lixiviados pelas ruas por onde passam, deixando um rasto de porcaria e mau cheiro e criando sérios perigos para a saúde pública.

Isto não pode continuar, é tempo da Câmara Municipal cumprir com as suas obrigações, é a altura para nos juntarmos e exigirmos respeito e justiça.
No dia 25 de Setembro compareça na sua Junta de Freguesia e deixe a sua opinião. Todos temos uma voz. Juntos encontraremos um caminho.

O Presidente da Junta de Freguesia de S. Bartolomeu de Messines
João Carlos Correia

Autarquias algarvias: taxas e tarifas. Quanto mais calado, mais roubado.

 Vasco Cardoso ao Região Sul 

Está em curso em toda a região do Algarve um processo de agravamento de taxas e tarifas diversas impostas pela maioria das autarquias do PS e do PSD às populações. Nos últimos meses sucedem-se os anúncios de aumentos brutais nos preços não só no conjunto de serviços prestados pelas câmaras municipais, mas também, na simples utilização do espaço público.

Aumentos no preço das tarifas das tarifas da água – em alguns casos para o dobro – como os que foram impostos pelas Câmaras Municipais de Albufeira ou de Lagos; alargamento das zonas de estacionamento pago, deixando milhares de automobilistas sem alternativas, como está a acontecer em Faro e Portimão; novas tabelas de preços pela utilização do espaço público em função da colocação de esplanadas, toldos, ou exibidores de produtos do pequeno comércio, designadamente em Vila Real de Santo António e Albufeira; criação de novas tarifas – seja associadas à factura da água, seja indexadas ao imposto sobre imóveis – como está a acontecer em Portimão ou VRSA, a pretexto das necessidades das corporações de bombeiros. No fundo, um verdadeiro assalto ao bolso das populações que se acrescenta ao roubo que está em curso por acção do Governo na concretização do Pacto de Agressão que PS, PSD e CDS subscreveram com a União Europeia e o FMI.

Na origem deste assalto estão os significativos cortes orçamentais ao poder local que têm vindo a ser concretizados nos últimos anos – e que foram brutalmente agravados no quadro das medidas da troika – e a acentuada quebra de uma das principais receitas das autarquias – fruto de um errado modelo de financiamento – em resultado do estoiro da actividade imobiliária e especulativa que durante décadas desgraçou o Algarve e o país. Quebras de receitas às quais se somam os incomportáveis juros à banca, fruto de um significativo endividamento de muitas autarquias seja porque para aí foram empurradas, seja porque se meteram em aventuras e negócios que acabariam por ser ruinosos.

O certo é que sem as receitas do governo central e dos licenciamentos de novas construções, e com o garrote imposto pela banca por via dos juros – de facto o capital financeiro é neste momento o grande sorvedouro de recursos nacional – as câmaras de maioria PS, PSD e PSD/CDS estão a assumir-se como parceiros do governo no esbulho que está a ser feito às populações.

E só poderá ficar surpreendido com este comportamento por parte de figuras como Macário Correia/PSD em Faro, Luís Gomes/PSD em VRSA ou Manuel da Luz/PS em Portimão, quem andar distraído sobre aquilo que tem sido a marca da governação destes partidos seja no governo central, seja no poder local. Mais, procurando ir passando pelos intervalos da chuva sempre que as posições nacionais dos seus partidos entram em confronto – e elas são tantas – com os interesses das populações locais, cada um destes autarcas, sempre que têm que escolher entre os interesses dos grupos económicos, dos banqueiros, dos especuladores, e os direitos das populações, optam pelos primeiros. E a verdade é esta!

É preciso interromper este caminho de exploração e empobrecimento que está a transformar a vida dos algarvios num inferno. Como defende o PCP e a CDU, é preciso ir buscar os recursos aonde eles efectivamente estão – não se pode aumentar a factura da água à população para tapar o buraco cavado pelas dívidas de milhões água dos hotéis de luxo como foi denunciado na Assembleia Municipal de Albufeira – fazendo uma justa distribuição da riqueza e tributação fiscal. É preciso afrontar todas e cada uma das medidas do governo, envolver e mobilizar as populações na exigência de uma vida melhor. O povo pode aguentar muito e durante muito tempo, mas não aguenta tudo e muito menos, o tempo todo.

as portagens da Via do Infante hoje aprovadas pelo PSD, CDS-PP e PS

comunicação do PCP na Assembleia da República pela Abolição das Portagens na Via do Infante

Realizou-se, hoje, na Assembleia da República a votação do projecto de resolução do PCP para a abolição das portagens na Via do Infante. O Projecto de Resolução foi rejeitado, com a seguinte votação:
A favor da abolição de portagens: PCP (incluindo o deputado eleito pelo Algarve, Paulo Sá), BE (incluindo a deputada eleita pelo Algarve, Cecília Honório), PEV e Isabel Moreira (PS);
Contra a abolição das portagens: PSD, PS e CDS, incluindo os deputados eleitos pelo Algarve Mendes Bota (PSD), Pedro Roque (PSD), Cristovão Norte (PSD), Elsa Cordeiro (PSD) e Artur Rego (CDS);
Abstenção: 4 deputados do PS, dois deles eleitos pelo Algarve (João Soares e Miguel Freitas).

Notícias relacionadas: Sul Informação  Diário Online

Antes do actual governo coligação PSD-CDS/PP havia quem fosse acérrimo defensor da Via do Infante não ter portagens, quem não se lembra dos discursos de Macário Correia:

O troço maior de estrada designada Via Infante está feito e pago há 20 anos com fundos europeus e não é feito pela engenharia financeira das SCUT, a não ser um pequeno troço para Lagos. (2009, Diário de Notícias)

É um caso diferente porque não existe alternativa à Via do Infante, a 125 é uma rua não é uma estrada, por outro lado porque foi construída com fundos europeus há cerca de 20 anos e não de acordo com o modelo SCUT, há apenas uma pequena parte onde isso se aplica e por último porque isso nos vai criar uma situação de grande desigualdade com Espanha, porque o Algarve tem circunstâncias muito especiais na actividade turística.(26 Janeiro 2011, Expresso)

Depois da tomada de posse do novo Governo PSD-CDS/PP, a 21 de Junho de 2011, um novo discurso de Macário Correia:

Neste contexto, com as medidas da Troika em cima da mesa, com os principais partidos políticos do arco da governabilidade comprometidos com a Troika, não se antevê qualquer possibilidade desta situação de isenção ser, digamos assim, considerada e nem sequer aprovada por qualquer destes partidos políticos que estão comprometidos com a situação financeira dramática que o país naturalmente tem. (…) a época de argumentação infelizmente passou e o clima neste momento está muito condizente com uma certa aceitação. (19 Julho 2011, RTP)

Assim se percebe que para muitos palavras leva-as o vento, a não ser quando ficam escritas nalgum lado e as podemos retomar e recordar como aqui. As palavras cristalizam no papel, nas comunicações, na nossa memória mesmo que para os indivíduos que as proferem não tenham qualquer valor.

Assim se vão rindo na cara de quem neles votou, cuspindo nos valores que supostamente defendem e nas expectativas que criaram nos seus eleitores.

Continuem a votar neles e a dizer que são todos iguais!

Nota: para quem não sabe o preço das portagens, aqui fica:

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rescaldo das legislativas 2011

O país já tem novo primeiro-ministro eleito, Passos Coelho.

O PSD não ganhou com maioria absoluta e a vitória ao contrário do que se vai lendo e ouvindo por aí não é indiscutível nem extraordinária. É o framing effect (efeito do enquadramento) a tentar dar cartas nos media para ver se as pessoas interiorizam o que de facto não é um facto!

Já Jerome Bruner concebia o senso comum (ou “folk psychology” na sua definição) como um conceito central para o estudo do pensamento. De acordo com o autor, todas culturas têm como um dos seus elementos constitutivos mais importantes uma psicologia popular, um conjunto de descrições mais ou menos conectadas, de carácter normativo, um sistema pelo qual as pessoas organizam a sua experiência e o seu conhecimento sobre o mundo social. Uma das características principais do senso comum é o facto de que ele tem nas narrativas, e não nos conceitos, os seus princípios organizadores. Senso comum e narração de estórias estão, portanto, vinculados. De modo similar, Norman sugere que estórias são meios maravilhosos para resumir experiências, eventos cognitivos importantes, já que a lógica não faz parte do pensamento natural. Segundo o autor, não se trata de afirmar que estórias são melhores ou superiores à lógica, mas que são esferas distintas que enfatizam critérios diferentes. Sendo que nalgumas situações, pode ser mais apropriado usar ambas no processo de tomada de decisões. As estórias são melhor compiladas e lembradas do que os factos e requerem um número maior de informações contrárias ou negativas para serem mudadas. Alguns autores chegam a afirmar que devido ao lugar central das narrativas na sociedade, o homem é essencialmente um “animal contador de estórias”.

A actividade de contar estórias é uma característica central da psicologia política e tem como base as teorias psicológicas que argumentam que os seres humanos pensam, imaginam e fazem escolhas morais baseados em estruturas narrativas. De acordo com estas teorias, estórias são meios para interpretar eventos através da construção de “padrões causais” que integram aquilo que se sabe sobre um evento, bem como aquilo que é conjuntural mas relevante para o desenvolvimento da interpretação; já as narrativas fornecem uma solução para um problema de vida fundamental: como criar uma ordem inteligível nos assuntos humanos. Além disso, as narrativas são também elementos importantes no trabalho dos profissionais dos media.

Já Hall explicava como um evento tem que se tornar uma estória antes que se torne um evento comunicacional, a construção de narrativas é uma parte integral da construção de notícias, um facto já demonstrado por diversos estudos. Por exemplo, narrativas e drama têm sido historicamente elementos centrais na cobertura das presidenciais pelos meios de comunicação nos Estados Unidos. Todavia, existe um dilema entre a norma da objectividade e o papel de contador de estórias: ao construir narrativas, os jornalistas têm que colocar os eventos nalgum tipo de enquadramento que dará sentido a estes eventos. Portanto, as narrativas têm contribuído para tornar o jornalismo numa actividade mais interpretativa. O tratamento das notícias como drama e narrativa tem outro efeito importante: ele leva à personalização do processo político, focando políticos individuais no lugar de partidos políticos, instituições e factores estruturais.

Concluindo, inconsistências e falta de coacções sistemáticas nos sistemas de crenças são factos normais do pensamento humano. As pessoas resolvem várias destas contradições e inconsistências ao desenvolver narrativas que lhes permitem interpretar temas e eventos políticos através de uma estória que os explica em termos de vínculos causais específicos.

Estes resultados eleitorais dependem por isso da forma como desenvolvemos narrativas. Como é que elas mudam? O que nós incorporamos numa narrativa depende do ponto de vista ou enquadramento a partir do quais interpretamos a realidade, já que a forma típica de enquadramento que usamos tem nas narrativas a sua forma principal. Os enquadramentos são elementos constitutivos  importantes das narrativas e do processo pelo qual fazemos sentido do mundo da política. É por isso que muitos autores investigam a relação entre enquadramentos e pensamento político.

No campo da psicologia, o conceito de enquadramento foi desenvolvido para explicar os determinantes cognitivos das escolhas, principalmente em situações de risco. As experiências conduzidas por Kahnemam e Tversky demonstram que mudanças na formulação dos problemas de escolha causam mudanças significativas nas preferências; que as escolhas e preferências políticas podem mudar não por causa de alterações das informações, mas sim devido à apresentação de enquadramentos específicos para a mesma informação. Efeitos relacionados com a formulação dos problemas e questões podem ocorrer sem que as pessoas estejam conscientes do impacto do enquadramento na decisão final e podem ser explorados de forma deliberada para manipular a atractividade das opções. Enquadramentos são, portanto, importantes instrumentos de poder.

Assim se pode perceber que o enquadramento negativo ou positivo aumente ou diminua a força das atitudes dos cidadãos. O que me leva a  um estudo realizado nos EUA por Bizer, Larsen e Petty e conduzido entre uma amostra representativa de residentes de dois estados norte-americanos durante uma campanha política real onde documentaram o efeito de enquadramento face a candidatos para os quais as pessoas já possuíam atitudes nesse contexto. Os resultados demonstraram que expressar oposição momentânea face ao candidato de quem não gostavam fez com que as pessoas estivessem mais predispostas em envolverem-se/empenharem-se em comportamentos políticos relevantes do que expressar apoio pelo candidato da sua preferência. Especialmente, entre pessoas com preferência por um candidato em detrimento de outro. Aqueles que foram induzidos a perceber as suas atitudes negativamente (ou seja, como oposição ao outro candidato) relataram estar mais dispostos a oferecer-se para a campanha, doar dinheiro e votar pelo seu candidato preferido que as pessoas que foram induzidas a perceber as suas atitudes de forma positiva (isto é, apoiar o seu candidato). Como esperavam os investigadores, não foi encontrado qualquer efeito entre pessoas que não tinham qualquer preferência. Por fim, os efeitos de enquadramento nas intenções comportamentais foram mediadas pelo impacto do enquadramento na certeza de atitudes. As pessoas tinham mais certezas quando induzidas a pensar na sua preferência eleitoral como uma de oposição em vez de apoio, e essa certeza reforçada foi responsável pelo facto do enquadramento de atitudes de forma negativa levar a uma atitude mais consistente de intenções comportamentais.

Ora, talvez assim se perceba como o PS atingiu resultados tão baixos e PSD e CDS-PP capitalizaram outros votos. Claro que podem existir outras explicações já que o comportamento eleitoral é ainda hoje campo de controvérsias e de crescente pesquisa pelo mundo fora. Contudo, à que reter da teoria dos efeitos do enquadramento que todos os dias somos bombardeados com mensagens pelos media, e outros meios de controlo informal e formal da sociedade, que de forma consciente ou inconsciente têm efeitos práticos em nós. Reconhecê-los é uma forma de poder para que não bebamos insipidamente tudo o que nos chega e compremos falsos discursos como este da grande vitória expressiva que não foi uma maioria.

A fragilidade dos resultados eleitorais destas legislativas demonstram o quão dividido está o país em termos de ideais e ideias para o presente e futuro, que não há consenso quanto às soluções, que tudo pode por isso ser pensado e possível. Boaventura Sousa Santos já falou em eleições daqui a dois anos pois não só este novo Governo não goza dessa maioria expressa, como as condições impostas pela Troika são anti-democráticas – diria eu de ingerência na soberania nacional, e, por fim, as condições sócio-económicas e estruturais em que o mundo ocidental parece habitar colapsam diante das pressões dos mercados e ultimamente sofrem, e bem, as pressões resultantes dos movimentos sociais que vão surgindo e tomando forma um pouco por todo o lado. Tudo está em aberto!

Logo, a bem da memória de Sá Carneiro, que muitos dizem estimar, convinha que não usassem os slogans quando os mesmos são inverdades. É que 1 mentira mil vezes repetida não se torna uma verdade!

O PSD não tem maioria. Ela só existe em coligação com o CDS-PP. Líder que é líder deve reconhecê-lo!

Paulo Sá eleito deputado CDU pelo Algarve

No dia da sua eleição, rtp.

Paulo Sá é o primeiro deputado eleito pela CDU por Faro desde 1987

Paulo Sá é professor associado com agregação do departamento de física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, doutorado em Física pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

A importância da sua eleição prende-se com o reforço do trabalho da CDU na Assembleia da República em defesa do nosso país e mais especificamente do Algarve. Embora a CDU não tivesse deputado pelo Algarve, a CDU nunca deixou de levar os problemas do Algarve à Assembleia da República através dos outros deputados eleitos. Uma dessas situações foi o arranjo da Estrada EN264 Messines-Algoz que PS e PSD rejeitaram pois o Algarve necessitava de outras coisas mais urgentes!!!!!!!!!!!!! Olhando para o concelho de Silves não se percebe sequer o que foi feito!

Ainda quanto aos resultados obtidos pela CDU nestas legislativas, apesar de termos consolidado a expressão eleitoral – o que já havia acontecido nas legislativas de 2009, temos um longo trabalho pela frente já que de fundo não houve alteração no quadro de prática política do país com este governo PSD – CDS.  Como afirmou Jerónimo de Sousa ontem à noite:

PSD e CDS bem podem nesta noite e nestas horas mais próximas insistirem na palavrosa disputa sobre o futuro governo, as pastas e ministérios que cada um já reclamará, para iludir os previsíveis entendimentos em torno daquilo que os une e unirá: a defesa dos interesses dos grupos económicos e financeiros; a concretização de um programa, o pacto com o FMI, a UE e o BCE que é uma verdadeira declaração de guerra aos direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo que, todos e cada um por si, mantiveram escondido dos portugueses.

O resultado destas eleições são essencialmente expressão directa de um apoio eleitoral ditado pelo conjunto de promessas e intenções que PSD, CDS e PS semearam, iludindo sempre que o memorando que subscreveram com o FMI e a UE, constitui de facto o seu único e verdadeiro programa de acção.

Os votos agora obtidos por PSD e CDS, mas também pelo PS, podem ser apresentados como resultado do que falsamente prometeram. Mas não podem seguramente ser invocados para legitimar o programa de ingerência externa que mantiveram escondido e portanto não escrutinado, e para justificar as medidas de agravamento da exploração de quem trabalha, de acentuação das injustiças, de empobrecimento e declínio do país.

E mentira fosse que não estão todos na mesma página, cá está a 1ª página do expresso:

Convém ter em mente que embora Sócrates se vá demitir de secretário-geral do PS outros lá continuam resguardados pela sua frase de ontem em que assumiu a responsabilidade sozinho. Sangrou um para que os outros não tivessem que dar a cara. Não hajam ilusões porque não estamos em tempo de poder cometer muitos mais erros! não é com a saída de Sócrates que o PS vai passar a ser de esquerda!

cdu, para um país com futuro

sou obrigado a concordar que as campanhas do PCP são autênticas. E como sou uma pessoa de direita sou insuspeito na análise porque considero que o PCP, ou melhor, o ideal comunista, faz tanto sentido no século XXI como comprar uma charrete para ir para o trabalho. Mas em termos de mobilização, animação, ausência de patranhas ou idas à pesca de figurantes para encherem praças ou palcos o PCP continua a dar lições aos restantes partidos cheios de vícios, marketing e falsidade. E isso tem a ver com uma coisa simples: a genuinidade, a autenticidade dos militantes e principalmente do seu líder, Jerónimo – o dançarino. Just Dance!

Ai essa cabecinha sr. tiago mesquita!
Se não tem vícios, marketing e falsidade é porque o ideal comunista é de facto uma solução, e discordo se si, com o preço do gasóleo e da gasolina actual mais valia andar de charrete, farta de contribuir para alimentar burros que nem isso sabem fazer estou eu.
E se a “cassete” não muda é porque o nosso país não evoluiu. E estivéssemos enganados a história recente infelizmente mostra que não estávamos. O Euro a colapsar, solidariedade europeia zero – até porque a ideia da UE não era essa, os comunistas é que são os utópicos mas os outros é que compram facilmente os discursos populistas de treta, – e até o “Paulinho das Feiras” tem feito a sua campanha com uma das faixas da nossa cassete, a agricultura e a revitalização do tecido produtivo.
No fim do dia há os que preferem viver amedrontados com o estado actual de coisas do que encarar a possibilidade de mudança séria, honesta e progressiva para o país. No dia 5 de Junho basta votarem CDU para um outro rumo.

Em democracia a qualidade da mesma está nas nossas mãos.

ainda os cortes nas autarquias

Para que no ano que vem não andem uns a fazer-se de santos e outros a pedir clemência, deixo aqui duas notícias que convém ler, avaliar criticamente e reter.

Uma de 15 de Outubro de 2010, do Expresso, que refere os cortes de 5% nas autarquias e onde se pode ler:

O presidente dos autarcas socialistas, Rui Solheiro, afirmou hoje que as transferências do Estado para as autarquias vão sofrer no próximo ano um corte na ordem dos 5%. (…)

“Com o Programa de Estabilidade e Crescimento II e com a concordância do PSD, verificou-se uma diminuição das transferências de 100 milhões de euros até ao final do ano. O corte para 2011 será de cinco por cento em relação àquilo que foram as receitas dos municípios em 2010”, referiu o presidente da Câmara de Melgaço. (…)

Segundo o vice presidente da ANMP, na reunião com José Sócrates, “não houve vozes críticas” dos autarcas socialistas perante esta medida do Governo.

A outra de 29 de Dezembro de 2010, do Observatório do Algarve, onde se lê relativamente ao impacto dos cortes nas autarquias do Algarve:

Os orçamentos das autarquias do Algarve espelham as assimetrias regionais: Loulé chega aos aos 173,6 milhões, enquanto Aljezur tem 13,2 milhões. Denominador comum são os cortes. Impasse continua em Silves e Faro espera aprovação do plano de reequilibrio financeiro.

O impasse na câmara de Silves (PSD) continua depois de as duas propostas do orçamento para 2011 apresentadas no executivo camarário pela autarca do PSD Isabel Soares, em minoria, terem sido chumbadas pela oposição PS e CDU.

Contrariamente ao que afirma Isabel Soares, que em declarações ao Observatório do Algarve dramatizou o chumbo, afirmando que o mesmo conduziria a uma gestão em duodécimos, com consequências, por exemplo, para a contratualização de funcionários, entre outras, a lei diz que a não aprovação implica a execução “do orçamento em vigor no ano anterior com as modificações que já tenham sido introduzidas até 31 de dezembro”.

Ou seja, caso a Assembleia Municipal de Silves, onde o PSD é igualmente minoritário, ratifique o chumbo, ficam sem efeito as medidas propostas pelo executivo de Isabel Soares de diminuição de verbas para o orçamento de 2011.

Entre elas, os tão contestados corte de transferências para as Juntas de Freguesia que começaram por ser acima dos 50% na primeira proposta, tendo sido depois retificados na segunda, mas ainda assim sem convencer os vereadores da oposição.

O cenário é, portanto de a autarquia de Silves (PSD) manter o orçamento de 2010 que rondou os 57 milhões de euros – quando a última proposta de 2011 era de 48 milhões.

O chumbo traria a “a realização, apenas, dos projetos contemplados no Plano Plurianual de Investimentos (PPI) em vigor no ano anterior com as modificações que entretanto lhe tenham sido introduzidas até 31 de Dezembro, sem prejuízo dos limites das correspondentes dotações orçamentais”, como esclarece o portal da Direção Geral das Autarquias Locais.

Depois ainda há quem fale de apoio às instituições sociais, às colectividades, etc. Se são dirigentes partidários e fazem parte destes partidos que se lembraram, propuseram, votaram favoravelmente e possibilitaram meter em prática estas medidas, uma boa tarefa para o ano novo seria procurar criar uma, ou várias consciências lógicas e coerentes…

O que me faz lembrar: