as portagens da Via do Infante hoje aprovadas pelo PSD, CDS-PP e PS

comunicação do PCP na Assembleia da República pela Abolição das Portagens na Via do Infante

Realizou-se, hoje, na Assembleia da República a votação do projecto de resolução do PCP para a abolição das portagens na Via do Infante. O Projecto de Resolução foi rejeitado, com a seguinte votação:
A favor da abolição de portagens: PCP (incluindo o deputado eleito pelo Algarve, Paulo Sá), BE (incluindo a deputada eleita pelo Algarve, Cecília Honório), PEV e Isabel Moreira (PS);
Contra a abolição das portagens: PSD, PS e CDS, incluindo os deputados eleitos pelo Algarve Mendes Bota (PSD), Pedro Roque (PSD), Cristovão Norte (PSD), Elsa Cordeiro (PSD) e Artur Rego (CDS);
Abstenção: 4 deputados do PS, dois deles eleitos pelo Algarve (João Soares e Miguel Freitas).

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Antes do actual governo coligação PSD-CDS/PP havia quem fosse acérrimo defensor da Via do Infante não ter portagens, quem não se lembra dos discursos de Macário Correia:

O troço maior de estrada designada Via Infante está feito e pago há 20 anos com fundos europeus e não é feito pela engenharia financeira das SCUT, a não ser um pequeno troço para Lagos. (2009, Diário de Notícias)

É um caso diferente porque não existe alternativa à Via do Infante, a 125 é uma rua não é uma estrada, por outro lado porque foi construída com fundos europeus há cerca de 20 anos e não de acordo com o modelo SCUT, há apenas uma pequena parte onde isso se aplica e por último porque isso nos vai criar uma situação de grande desigualdade com Espanha, porque o Algarve tem circunstâncias muito especiais na actividade turística.(26 Janeiro 2011, Expresso)

Depois da tomada de posse do novo Governo PSD-CDS/PP, a 21 de Junho de 2011, um novo discurso de Macário Correia:

Neste contexto, com as medidas da Troika em cima da mesa, com os principais partidos políticos do arco da governabilidade comprometidos com a Troika, não se antevê qualquer possibilidade desta situação de isenção ser, digamos assim, considerada e nem sequer aprovada por qualquer destes partidos políticos que estão comprometidos com a situação financeira dramática que o país naturalmente tem. (…) a época de argumentação infelizmente passou e o clima neste momento está muito condizente com uma certa aceitação. (19 Julho 2011, RTP)

Assim se percebe que para muitos palavras leva-as o vento, a não ser quando ficam escritas nalgum lado e as podemos retomar e recordar como aqui. As palavras cristalizam no papel, nas comunicações, na nossa memória mesmo que para os indivíduos que as proferem não tenham qualquer valor.

Assim se vão rindo na cara de quem neles votou, cuspindo nos valores que supostamente defendem e nas expectativas que criaram nos seus eleitores.

Continuem a votar neles e a dizer que são todos iguais!

Nota: para quem não sabe o preço das portagens, aqui fica:

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Paulo Sá eleito deputado CDU pelo Algarve

No dia da sua eleição, rtp.

Paulo Sá é o primeiro deputado eleito pela CDU por Faro desde 1987

Paulo Sá é professor associado com agregação do departamento de física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve, doutorado em Física pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

A importância da sua eleição prende-se com o reforço do trabalho da CDU na Assembleia da República em defesa do nosso país e mais especificamente do Algarve. Embora a CDU não tivesse deputado pelo Algarve, a CDU nunca deixou de levar os problemas do Algarve à Assembleia da República através dos outros deputados eleitos. Uma dessas situações foi o arranjo da Estrada EN264 Messines-Algoz que PS e PSD rejeitaram pois o Algarve necessitava de outras coisas mais urgentes!!!!!!!!!!!!! Olhando para o concelho de Silves não se percebe sequer o que foi feito!

Ainda quanto aos resultados obtidos pela CDU nestas legislativas, apesar de termos consolidado a expressão eleitoral – o que já havia acontecido nas legislativas de 2009, temos um longo trabalho pela frente já que de fundo não houve alteração no quadro de prática política do país com este governo PSD – CDS.  Como afirmou Jerónimo de Sousa ontem à noite:

PSD e CDS bem podem nesta noite e nestas horas mais próximas insistirem na palavrosa disputa sobre o futuro governo, as pastas e ministérios que cada um já reclamará, para iludir os previsíveis entendimentos em torno daquilo que os une e unirá: a defesa dos interesses dos grupos económicos e financeiros; a concretização de um programa, o pacto com o FMI, a UE e o BCE que é uma verdadeira declaração de guerra aos direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo que, todos e cada um por si, mantiveram escondido dos portugueses.

O resultado destas eleições são essencialmente expressão directa de um apoio eleitoral ditado pelo conjunto de promessas e intenções que PSD, CDS e PS semearam, iludindo sempre que o memorando que subscreveram com o FMI e a UE, constitui de facto o seu único e verdadeiro programa de acção.

Os votos agora obtidos por PSD e CDS, mas também pelo PS, podem ser apresentados como resultado do que falsamente prometeram. Mas não podem seguramente ser invocados para legitimar o programa de ingerência externa que mantiveram escondido e portanto não escrutinado, e para justificar as medidas de agravamento da exploração de quem trabalha, de acentuação das injustiças, de empobrecimento e declínio do país.

E mentira fosse que não estão todos na mesma página, cá está a 1ª página do expresso:

Convém ter em mente que embora Sócrates se vá demitir de secretário-geral do PS outros lá continuam resguardados pela sua frase de ontem em que assumiu a responsabilidade sozinho. Sangrou um para que os outros não tivessem que dar a cara. Não hajam ilusões porque não estamos em tempo de poder cometer muitos mais erros! não é com a saída de Sócrates que o PS vai passar a ser de esquerda!