Orçamento de Estado 2013 e o Natal

“Daqui por alguns dias seremos novamente inundados com as mensagens de Natal que anualmente se repetem, cheias de apelos à solidariedade, repetindo preocupações com os mais sós, desprotegidos e fragilizados da nossa sociedade. Mensagens plenas de justeza no seu significado mais imediato num tempo em que a exploração avança galopante e alastram a miséria, a pobreza e o desespero.

Mas é preciso ir mais fundo.

Muitas dessas mensagens serão proferidas pelos responsáveis pela exploração, pela miséria, pobreza e desespero com que se dirão preocupados.

Aqueles que hoje, com o seu voto, aprovam o Orçamento do Estado para 2013 serão responsáveis pelo alastrar da miséria, pobreza e desespero a muitos milhares de portugueses mas procurarão certamente iludir o papel que cumprem.

Que não se lhes poupe nenhuma responsabilidade”

João Oliveira, deputado PCP

votos de um feliz natal e um próspero ano 2011

Aproximando-se o Natal e mais um fim de ano, desejo a todos os que por aqui passam votos de um Feliz Natal e de um Próspero Ano Novo. Que sejam, ambos, repletos de saúde, amor, felicidade, projectos e realizações pessoais e profissionais. Espero ainda que o ano que vem traga mais espírito crítico, reflexão, acção quer de cidadania, quer social, quer política, justiça e progresso social.

Os problemas não desaparecem nestas alturas mas, para bem da nossa Saúde (mental, física, emocional e espiritual) focamo-nos na nossa família, nos nossos amigos, naqueles que durante o ano, quer nas alturas boas quer nas más, nos sorriem, nos acarinham e permitem que ultrapassemos os obstáculos que vão aparecendo pelo caminho. Deixo por isso a música dos Operários do Natal, dedicada aos amigos, que ouvia quando era pequenina no gira discos lá de casa. Afinal, quem faz o Natal são os amigos 🙂

Que não seja vedada a ninguém a possibilidade de construir um futuro digno e feliz, é que já dizia o Ary dos Santos “O Natal é quando um homem quiser” 😉

Sim Marguerite. Contudo…

Sim Marguerite Duras. Sim, Escrever é “uma solidão sem a qual o escrito não se produz, ou se esfarela, exangue de procurar o que escrever. Perde o seu sangue, já não é reconhecido pelo autor. (…) É uma solidão. É a solidão do autor, a da escrita. Para iniciar a nossa coisa, interrogamo-nos acerca desse silêncio à nossa volta. Praticamente a cada passo que se deu numa casa e a todas as horas do dia , sob todas as luzes, quer estejam do lado de fora, quer sejam lâmpadas acendidas durante o dia. Essa solidão real do corpo torna-se outra, inviolável, a da escrita. (…) Não encontramos a solidão, fazêmo-la. A solidão faz-se só” (Duras, 2001, pp. 14-17*).

Contudo, Marguerite, penso que apenas conseguimos escrever na solidão pela partilha, e pelo amor, que sentimos e que os outros partilham connosco. Pelas vivências, pelas cumplicidades, pelas experiências, pelas presenças e também pelas ausências, pelas virtudes e também pelas fraquezas, que quotidianamente se impregnam na nossa pele, na nossa identidade, no que nos faz ser o que somos e não sermos outra coisa qualquer. Essas particularidades, todas elas, sem respeitar qualquer sequência, mas uma gestalt que nos permite na imensidão da experiência que é o amor, e a plenitude de dar e receber o mesmo, exercitar a solidão sem o suicídio, ou o recurso ao álcool, de que falas.

Partilha, e reflexão, como as de hoje. Possibilitadas pela partilha e amor dos amigos e da família. Pelo pulular das suas vidas que interagem incessantemente com a minha, porque me interesso e eles também. Porque quero que permaneçam. Que vivam em mim. Que perdurem. Tudo isto na solitude desta introspecção, o meu Natal. Que venham muitos mais.

A todos que por aqui passam continuação de boas festas. Votos de um ano novo cheio de amor, saúde, paz e progresso.

* Duras, M. (2001). Escrever (2ª ed.). Lisboa: DIFEL.