Gripe

Depois de uma incursão no ciberespaço à procura de informação sobre a gripe, parece que o meu sistema de activação reticular está focado num só ponto (a gripe), deixo aqui uns vídeos cuja informação achei no mínimo curiosa:

visão geral sobre a pandemia, Dr. Leonard Horowitz

parte 2, aqui

relatório de  Leonard Horowitz

um documentário de Julián Alterini

Tratamento de violadores e pedófilos

Ainda bem que não temos políticos, nem especialistas saudosistas do eugenismo. Esperemos que assim continue, e que a sociedade continue a ser devidamente esclarecida, como aconteceu com estas peças do diário de notícias:

Partidos contra castração química de violadores e pedófilos;

Os prós e os contras de três especialistas;

Caso contrário o desejo de justiça para uns, e o de vingança para outros, levará a pensar que a sociedade pode aplicar uma tecnologia de controlo do corpo modificando-o. Práticas que remontam à Itália de Mussolini, à Alemanha de Hitler, e aos EUA que a partir de 1907 (o estado de Indiana foi o primeiro) adoptou uma legislação acerca da esterilização de alguns doentes e criminosos. Enquanto as medidas de higiene face às doenças contagiosas após as descobertas de Pasteur preconizavam impedir a propagação de epidemias, as leis eugénicas preconizavam travar a propagação de doenças hereditárias (sendo que os argumentos científicos cedo revelaram ser fracos e a saúde pública não ter que temer estas “doenças hereditárias”). Contudo, foram levadas a cabo inúmeras esterilizações na Alemanha, nos EUA, na Dinamarca, na Suécia. Nos homens recorreram à vasectomia, e algumas vezes à castração, e nas mulheres à salpingectomia. O que há a ressaltar é que em todos os países em que este tipo de actos teve lugar, a justiça preocupou-se mais com a ordem social que com o “melhoramento genético” da espécie humana. Sendo que a sua aplicação alastrou-se às populações marginais, desde os considerados fracos, passando pelos imigrantes (principalmente nos EUA onde os italianos, polacos e irlandeses ameaçavam submergir a aristocracia yankee, pois eram acusados de uma fecundidade galopante).

Para percebermos melhor a gravidade destas medidas eugénicas, cito o projecto de legislação de Harry Laughlin acerca das pessoas “socialmente inaptas”:

É socialmente inapta toda a pessoa que, através do seu próprio esforço, é incapaz de maneira crónica, por comparação com as pessoas normais, de ser um membro útil da vida social organizada do Estado. (…) As classes sociais de inaptos são as seguintes: 1º os débeis mentais; 2º os loucos (incluindo os psicopatas); 3º os criminosos (incluindo os delinquentes e os pervertidos); 4º os epilépticos; 5º os ébrios (incluindo os viciados em drogas); 6º os doentes (tuberculosos, sifilíticos, leprosos e outros, afectados por doenças crónicas, infecciosas e legalmente despistáveis); 7º os cegos (incluindo aqueles cuja visão está seriamente diminuída); 9º os disformes (incluindo os estropiados), 10º os indivíduos a cargo (incluindo os órfãos, os inúteis, as pessoas sem domicílio, os vadios e os indigentes”. (Relatório do Laboratório Psicopático do Tribunal Municipal de Chicago (1922), in Haldane (1948), Hérédité et Politique, Paris: PUF).

Esta selecção de pessoas é artificial, nada tem que ver com a natureza. É uma escolha feita por homens dos homens a excluir e a integrar na medida das intervenções que sobre eles têm lugar como forma de continuarem a participar em sociedade. Lamentável. O preconceito face à homossexualidade, também, advém destas visões. Muitos usam argumentos biológicos, mas as teorias são sociais e construídas, nada têm que ver com a natureza. Baseiam-se na teoria que existe um fardo genético que há que ser eliminado para que o homem evolua para o super-homem, tal como os nazis fizeram com os judeus. Pois além da exterminação, o nazismo pretendeu-se científico. Tudo o que não pertencia à norma, fosse ela biológica, psicológica, intelectual, social ou estética, e que teve origem na biologia da época, o eugenismo tornou numa questão de saúde pública, confundindo a política com o tratamento de um rebanho. Ao poder político foi atribuído o controlo científico da sociedade e da sua evolução através do controlo da biologia dos indivíduos. Como refere André Pichot, em O Eugenismo, “é essa concepção biológica da sociedade que distingue o nazismo do simples fascismo”.

Há hoje em dia uma ladainha do determinismo genético dos comportamentos desviantes: sexo e crime, alimentam os media; há ainda a apologia da biologia da inadaptação social. No princípio do século XX juntou-se a criminalidade, o alcoolismo, as deficiências intelectuais às doenças hereditárias de modo a prognosticar a degenerescência da humanidade “e a fazer do eugenismo um imperativo sanitário, económico e filantrópico” (Pichot). Ora o eugenismo não foi eficiente, nem cientificamente justificado pela genética, contudo importante é que se acreditasse no seu discurso. Cabe aos psicólogos, entre outros cientistas de outras áreas, não impregnar os discursos de enunciados inverosímeis e medos infundados que potenciam a construção de cognições e representações sociais enviesadas, e apenas servem para legitimar a ordem social dominante, tal como as suas práticas de controlo social. Vejamos se este debate vai ficar por aqui, ou se ainda o irão promover…

Ainda para a discussão: Faltam especialistas para trabalhar nas prisões. Porque não se compreende com os princípios ressocializadores que constam do nosso código penal, como é que não contratam especialistas para trabalhar nas prisões. É que eles existem!