Carvalho da Silva sobre a União Europeia

Opinião – Jornal de Notícias

Qual o caminho da Europa?

2011-10-08

Para onde caminha a União Europeia (UE) quando as suas políticas agravam aceleradamente as condições de vida da esmagadora maioria dos seus cidadãos, acentuam desigualdades, rompem solidariedades, amesquinham povos cuja história milenar constituiu alicerces do que se enuncia como cultura europeia?

Insisto na ideia de que só uma forte mobilização dos trabalhadores e dos povos (em particular das gerações mais jovens) pode travar o desastre e forçar o surgimento de políticas novas, libertar as sociedades do neoliberalismo e neoconservadorismo dominantes, que submeteram os partidos do chamado “arco do poder” e não têm deixado condições para projectos à esquerda se afirmarem.

É imperiosa a luta por um projecto europeu solidário, universalista, sólido em valores humanos e respeitador da história e cultura dos seus povos, quer numa perspectiva reformista quer na busca de sistemas políticos alternativos a este capitalismo que vai somando contradições e dimensões de crise.

Nos Estados Unidos da América cresce o movimento, particularmente jovem, que reivindica: “a Wall Street deve pagar pelos danos que fez à economia”. O presidente da Federação Americana do Trabalho (AFL-CIO) – central sindical cujo percurso até tem algumas nódoas – perante as desigualdades que marcam o seu país, já veio a público, e bem, apoiar os manifestantes e afirmar: “O 1% dos mais ricos controla a economia, lucra à custa dos trabalhadores e domina o debate político. Wall Street simboliza esta verdade simples: um pequeno grupo de pessoas tem nas suas mãos as vidas e meios de subsistência dos trabalhadores americanos”. Ali, como na Europa, é caso para perguntar: onde está a soberania dos povos?

Na UE é ignóbil a forma como estão a lidar com o problema das dívidas soberanas e designadamente com a situação da Grécia – país que vai na frente na queda para o precipício, mas acompanhado por outros.

Em nome da necessária estabilização da Banca, será que se prepara novo roubo aos orçamentos dos estados, continuando os accionistas a agir sem controlo público e sem garantir apoio ao investimento produtivo?

É um escândalo observarmos como, mesmo quando os cidadãos estão a ser violentamente sacrificados e a economia atrofiada, os grandes accionistas dos grupos financeiros e de certos sectores de actividade a que deitaram mão, continuem a distribuir entre si milhões e milhões de lucros.

Transformaram o sector financeiro numa espécie de “vaca leiteira”, sempre produtiva porque bem alimentada pela exploração de quem trabalha e pelo corte nos direitos sociais. Assim não há resolução para as “dívidas soberanas”!

A Grécia pode ter alguma informalidade excessiva instalada em várias áreas, mas o buraco em que se encontra não resulta, no fundamental, daí! Ele resulta do processo de agiotagem que atacou o país, da destruição das actividades económicas, do empobrecimento do povo feito pela diminuição dos salários e das prestações sociais, pelo agravamento do custo de vida, pelo ataque aos direitos sociais.

Só haverá solução para a Grécia, como para Portugal, com políticas diametralmente opostas. A dívida tem de ser renegociada a sério – e posta de lado grande parte dela porque é resultado de roubo – as actividades económicas apoiadas com políticas de investimento justas. E é indispensável um forte plano de apoio à criação de emprego e de retoma de políticas sociais solidárias.

Em Portugal vai-se repetindo o que de pior foi feito na Grécia.

Repete-se até à exaustão a ideia das inevitabilidades. Agrava-se a “informalidade” na economia e no trabalho. A recessão económica e o desemprego são o grande denominador comum de todas as políticas seguidas. Está-se a criar uma conjugação de efeitos explosivos entre os ataques ao Estado Social, o agravamento da injusta distribuição de riqueza e a diminuição acelerada de garantias de formação para as jovens gerações.

Fala-se da necessidade de responsabilidade social das empresas, para camuflar um violento ataque aos direitos dos trabalhadores.

Por aqui também a nossa dívida será cada vez maior.

hoje que é dia da criança, pensamento para 5 de Junho

“se tolerares isto, as tuas crianças serão as próximas

“if you tolerate this your children will be next”

 

The future teaches you to be alone
The present to be afraid and cold
So if I can shoot rabbits
Then I can shoot fascists

Bullets for your brain today
But we’ll forget it all again
Monuments put from pen to paper
Turns me into a gutless wonder

And if you tolerate this
Then your children will be next
And if you tolerate this
Then your children will be next
Will be next
Will be next
Will be next

O futuro ensina-te a estar sozinho
O presente a ter medo e frio
Se eu posso caçar coelhos
Então eu posso caçar fascistas

Balas para o teu cérebro hoje
Mas vamos esquecer tudo isso de novo
Monumentos passados da caneta para o papel
Tornam-me numa maravilha cobarde

E se tu toleras isso
Em seguida, os teus filhos vão ser os próximos
E se tu toleras isso
Em seguida, os teus filhos vão ser os próximos
Vão ser os próximos
Vão ser os próximos
Vão ser os próximos

Nenhuma mulher deve morrer por dar vida

Esta Campanha é uma iniciativa conjunta do Governo Português, com o apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), e em parceria com a ONG Associação para o Planeamento da Família, a Campanha do Milénio e a Caixa Geral de Depósitos.

O objectivo da campanha é reforçar o envolvimento do Estado e aumentar a consciencialização dos cidadãos portugueses em geral, e das crianças e jovens em particular, para o exercício de cidadania e solidariedade que a boa consecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio exige, promovendo uma cidadania global e a aquisição de ferramentas para uma acção crítica necessária para o cumprimento dos ODM até 2015 pelos Estados.

EM 2000, todos os 189 Estados Membros da Assembleia Geral das Nações Unidas assinaram a Declaração do Milénio, e nela identificaram os principais desafios ao desenvolvimento que a Humanidade enfrenta. Foi nesse momento que os líderes do mundo aprovaram os chamados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, tendo-se comprometido a alcançá-los num prazo de 15 anos.

Em 2010, quando se celebram 10 anos sobre este momento, o Estado Português considerou importante desenvolver uma iniciativa que promovesse o conhecimento da população portuguesa sobre este compromisso de cidadania e igualdade que compromete cada cidadão com uma mudança real no paradigma desenvolvimento, discriminação e pobreza no mundo. Em particular, ao centrar a campanha no ODM 5 – que visa reduzir em 75% a mortalidade materna no mundo até 2015 – procuramos também dar a conhecer realidades muito diferentes da nossa, bem como aquele que tem vindo a ser o contributo nacional para a melhoria do ODM 5 nos países de expressão portuguesa.

A evolução dos indicadores de saúde materno-infantil em Portugal é considerada internacionalmente um caso de sucesso, a que urge dar a necessária divulgação e replicação no contexto dos países parceiros da Cooperação Portuguesa. Um idioma comum, sistemas de formação, de investigação e de saúde cooperantes são mais-valias que é importante reconhecer e ver reconhecidos como contributos claros de cidadania, diálogo e desenvolvimento.

Por fim, com o seu enfoque nas escolas, a Campanha procura em concreto contribuir para a informação e educação para o desenvolvimento dos rapazes e raparigas portugueses, numa perspectiva de Cidadania e Direitos Humanos. A acção desenvolvida na Guiné-Bissau com o trabalho em matéria do ODM 5 e o acompanhamento de iniciativas apoiadas pela Cooperação oficial portuguesa em países lusófonos são recursos fundamentais que é importante valorizar e divulgar numa perspectiva de Educação para a Cidadania, Desenvolvimento e Direitos Humanos.