“A arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade”

Crise, enquadramento nacional para todas as políticas que hoje em dia são levadas a cabo no nosso país. Tornou-se a desculpa perfeita, o leitmotiv mesmo quando não existe qualquer causa lógica conexiva entre a realidade vivida pelos portugueses e o colocar em prática de políticas que supostamente deveriam dirigir-se aos problemas existentes.

Ora, quando ouvimos falar o reitor da Universidade Nova, Sampaio da Nóvoa, ficamos com a sensação que existindo pessoas com a sua capacidade de análise algo de inexplicável acontece no processo de ensino para termos gente tão mal preparada a governar-nos. Ou será a governar-se?!

O que nos leva à questão do papel das universidades, do papel que desempenham, não do outro!, no seio da nossa sociedade. Para quê? Para quem? Como? Do ideal da constituição da república portuguesa para a prática real o ensino superior, tal como os restantes níveis de ensino, a sensação que fica é a do vácuo de um fio condutor numa das áreas mais importantes para a formação e desenvolvimento dos seres humanos. Afinal que papel tem, para os decisores políticos, a educação na nossa sociedade? Reconhece-se ou não potencial transformador à educação e ao ensino? Reconhecendo-se, queremos implementar um sistema que permite a todos o acesso ao ensino ou queremos esquartejá-lo para fomentar uma genética sócio-económica e cultural?

A frase que me fica da intervenção de Sampaio da Nóvoa, além da do título deste post, talvez por defeito de formação e profissional da psicologia é

“não conseguiremos ser alguém na Europa e no mundo se formos ninguém em nós”

Pior que ser-se ignorante é não se saber reconhecer as limitações que possuímos, principalmente, quando essas limitações hipotecam sem direito o futuro de todos nós. E fosse mentira esta notícia, do corte das bolsas de doutoramento a estudantes no estrangeiro, seria outra.

Independentemente dos esforços políticos para tal, “as palavras, infelizmente, não mudam a realidade mas ajudam-nos a pensar, a conversar, a tomar consciência e a consciência, essa sim, pode mudar a realidade”. Para continuar a ouvir com muita atenção!

Alemanha vs. Portugal

A Alemanha derrota-se em Portugal através da participação cívica e política e não em Lviv na Ucrânia. Como hoje nas ruas do Porto onde mais de 30 mil saíram à rua. Nem a chuva os demoveu.

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deambulações da procura de significado psicológico para as trajectórias de vida dos ditos “desviantes”

Passados dois dias enfiada numa biblioteca qual rato que procura informação para resolução de problema complicado na transversalidade da psicologia, crime, justiça, política e superfícies discursivas descubro mais uma vez como alguém pode ficar alheado do mundo que tem lugar e acontece todos os dias.

Nem notícias, nem tv, apenas artigos, livros, teses e afins que abordem a transversalidade dos temas acima referidos. A obsessão, em que é impossível não se entrar, quando se procura o fio condutor de uma lógica que ainda não se conhece mas que se desvela à medida que as questões se adensam na proporção contrária às respostas que se obtêm torna a tarefa desafiante mesmo perante o cansaço dos olhos e da mente que não consegue gerir a informação no espaço-tempo que se desejaria.

O mais interessante, e nem por isso menos óbvio, é o facto de quaisquer autores andarem à procura sistematicamente do pedaço de realidade que irá tornar tudo mais perceptível, nem por isso mais aceitável, no âmbito dos comportamentos humanos. A panóplia de perspectivas é tão grande que uma pessoa sente-se tentada a tentar congregá-las todas para ver se assim falta menos qualquer coisa no grande mosaico que é o conhecimento científico de um determinado objecto/assunto.

Talvez as disciplinas precisassem de um outro diálogo para tornar mais perceptível a enormidade da complexidade que é o ser humano em determinados contextos, nem digo no contexto do que é ser-se humano em todas as vertentes! Em pleno século XXI continua a ser óbvia a compartimentalização do ser humano em caixas de conhecimento em que as disciplinas, até por motivos de categorização e arrumação face ao mundo em que vivemos, o colocam.

Não haverá por acaso um caminho mais ou menos errante, é um percurso que se baseia também nas nossas crenças e na forma de ver o mundo. Claro, o cientista é obrigado a confrontar as suas crenças com as descobertas científicas da realidade que se impõe, não estou a falar da que é fabricada – porque o conhecimento também se fabrica alicerçado em leituras do mundo que tendem a moldar as descobertas e as condutas. Nada de novo!

Nesta perspectiva a realidade de vivermos numa sociedade de classes, onde as pessoas não nascem há partida na mesma condição e não têm há partida os mesmos direitos – por mais estranho que isso ainda seja para mim à época em que vivo, onde existe a história que nos pode guiar e de onde devemos tirar as devidas lições. Onde existe o indivíduo (com a sua personalidade) e a sociedade, portuguesa ou outra, que abarca diversas culturas. Onde o indivíduo é produto de si próprio mas num contexto específico. E ainda assim, um mundo que procura respostas gerais para coisas tão particulares e que as procura em disciplinas como a psicologia para quem cada caso é um caso e não existem dois iguais. Uma disciplina que por vezes parece estar ao serviço de outras, como se não tivesse uma leitura própria do mundo ou um papel a desempenhar, aliás vários. Como ter a psicologia ao serviço do direito sem que esta se questione do seu papel, do seu lugar? Numa perspectiva behaviorista e arcaica onde o biológico não contempla o social, como se uma coisa e outra não perpassassem os indivíduos e nessa mescla se formasse e produzisse o indivíduo…

É talvez das questões mais básicas da epistemologia das ciências sociais que nascem as maiores inquietações, talvez por também serem as mais amplas sem directório de conformidade imposto à partida. Afinal o exame dos actos interessa mais ao direito pela possibilidade de ordenar a sociedade ou à psicologia por permitir outras direcções na abordagem do comportamento humano?! E sendo a última a minha preferencial, ou a que eu acho que devia ser seguida, porque fazemos ainda, nós psicólogos, avaliações e exames que permitem aos outros organizar o seu mundo para que não tenham pesadelos à noite ao invés de potenciarmos o desenvolvimento do indivíduo por forma a que escolha o seu rumo de forma consciente? e já agora da sociedade? presumo que nem Freud fosse psicólogo de se ficar pelo divã!

Society, have mercy on me
Hope you’re not angry if I disagree…
Society, crazy indeed
Hope you’re not lonely without me…

Leave it to me as I find a way to be
Consider me a satellite, forever orbiting
I knew all the rules, but the rules did not know me
Guaranteed