Espólio do Museu da Cortiça de Silves

“A vereadora da CDU, Rosa Palma, apresentou ontem (7 de Agosto), na reunião ordinária da Câmara Municipal de Silves, uma proposta para que o Executivo Permanente PSD da Câmara Municipal de Silves assegure verbas para adquirir o espólio cultural do Museu da Cortiça de Silves, no mais breve prazo possível. Esta proposta foi aprovada por unanimidade.

Assim, deixando para outro momento e local a análise das causas e responsabilidades, a CDU tenta evitar que aquele valioso património cultural se perca, no todo ou em fragmentos. É urgente salvar a maquinaria e vários objectos ligados à transformação da cortiça, com valor histórico e industrial. Seria criminoso não salvaguardar o maior arquivo documental do mundo sobre a história da indústria da cortiça. Seria imperdoável não preservar o espólio daquele que em 2001, com o prémio Luigi Micheletti, foi considerado o melhor museu industrial europeu e é, ainda hoje, o principal Museu da Cortiça em Portugal.

CDU Silves”
Consulte a proposta aqui

“A arrogância do pensamento inevitável é o contrário da liberdade”

Crise, enquadramento nacional para todas as políticas que hoje em dia são levadas a cabo no nosso país. Tornou-se a desculpa perfeita, o leitmotiv mesmo quando não existe qualquer causa lógica conexiva entre a realidade vivida pelos portugueses e o colocar em prática de políticas que supostamente deveriam dirigir-se aos problemas existentes.

Ora, quando ouvimos falar o reitor da Universidade Nova, Sampaio da Nóvoa, ficamos com a sensação que existindo pessoas com a sua capacidade de análise algo de inexplicável acontece no processo de ensino para termos gente tão mal preparada a governar-nos. Ou será a governar-se?!

O que nos leva à questão do papel das universidades, do papel que desempenham, não do outro!, no seio da nossa sociedade. Para quê? Para quem? Como? Do ideal da constituição da república portuguesa para a prática real o ensino superior, tal como os restantes níveis de ensino, a sensação que fica é a do vácuo de um fio condutor numa das áreas mais importantes para a formação e desenvolvimento dos seres humanos. Afinal que papel tem, para os decisores políticos, a educação na nossa sociedade? Reconhece-se ou não potencial transformador à educação e ao ensino? Reconhecendo-se, queremos implementar um sistema que permite a todos o acesso ao ensino ou queremos esquartejá-lo para fomentar uma genética sócio-económica e cultural?

A frase que me fica da intervenção de Sampaio da Nóvoa, além da do título deste post, talvez por defeito de formação e profissional da psicologia é

“não conseguiremos ser alguém na Europa e no mundo se formos ninguém em nós”

Pior que ser-se ignorante é não se saber reconhecer as limitações que possuímos, principalmente, quando essas limitações hipotecam sem direito o futuro de todos nós. E fosse mentira esta notícia, do corte das bolsas de doutoramento a estudantes no estrangeiro, seria outra.

Independentemente dos esforços políticos para tal, “as palavras, infelizmente, não mudam a realidade mas ajudam-nos a pensar, a conversar, a tomar consciência e a consciência, essa sim, pode mudar a realidade”. Para continuar a ouvir com muita atenção!

Alemanha vs. Portugal

A Alemanha derrota-se em Portugal através da participação cívica e política e não em Lviv na Ucrânia. Como hoje nas ruas do Porto onde mais de 30 mil saíram à rua. Nem a chuva os demoveu.

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Como um Grego explica a história da dívida a um Alemão

Em primeiro lugar agradeço à minha querida amiga Ana o email que me enviou a dar conhecimento destas preciosidades. Depois de confirmar a veracidade das cartas e seu coneúdo, decidi que era importante passar a mensagem. Nem os gregos são uns gastadores inconsequentes nem os alemães os tipos certinhos que só gastam de acordo com as suas possibilidades e pagam o que devem!

Na revista alemã Stern, um alemão escreveu uma carta aberta a um grego. Passados dias um grego respondeu ao alemão. Transcrevo as cartas aqui na íntegra – só possível porque o blogger Sérgio Ribeiro as traduziu.
Vale a pena ler porque a imprensa quando aborda o tema escamoteia o que está por detrás, a história, aliás como é boa tradição da descontextualização que o capitalimo perpetua.
Lá diz o ditado, “quem diz o que quer, ouve o que não quer”.

 

O título e sub-título da carta que o alemão, Walter Wuelleenweber, escreveu rezava! assim:
Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia.
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!

 

O Grego Georgios Psomás respondeu-lhe o seguinte:

Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!… não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.

Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.
Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.

Cordialmente,

Georgios Psomás

Krugman e o regime do rendeiro

O que explica essa oposição a toda e qualquer tentativa de atenuar o desastre económico? Consigo pensar numa série de causas, mas Kuttner faz uma boa constatação: tudo o que estamos a assistir faz sentido se pensarmos na direita como representando os interesses dos rendeiros, dos credores que têm crédito do passado – obrigações, empréstimos, dinheiro – ao contrário de pessoas que realmente tentam viver através da produção material. A deflação é um inferno para os trabalhadores e os proprietários das empresas, mas é o paraíso para os credores.

(…)

Pensar no que está a acontecer como a regra dos rendeiros, que estão a ter os seus interesses servidos às custas da economia real, ajuda a fazer sentido da situação.

O que os finlandeses não sabem sobre Portugal | What Finns don’t know about Portugal

O vídeo que se segue foi apresentado pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, ontem, no encerramento das Conferências do Estoril. Independentemente de não concordar com as negociatas do Governo com a troika, nem com o plano de enterro financeiro do país elaborado pelos anteriores, o vídeo não será apenas para os Finlandeses mas também para que os Portugueses recordem quem são! Muitos parecem andar adormecidos e talvez este vídeo seja uma inspiração para despertarem!

The following video was presented by the Mayor of Cascais, yesterday, at the closure of the Estoril Conferences. Whether I disagree with the Government’s bargaining with the troika, or with the burial plan prepared by the country’s financial past, I think this video will not only serve to tell Finns who we are but also to remember the Portuguese who they are! Many seem to go numb and perhaps this video is an inspiration for awakening!

  

Um exemplo a seguir

Almada decide encerrar grandes superfícies aos domingos e feriados à tarde

Assim se protege o comércio local do capitalismo desenfreado levado a cabo pelas grandes superfícies que não ajudam ao desenvolvimento do produtor e do comércio local, apenas descapitalizam os nossos recursos agrícolas e humanos.

Devia ser um exemplo a seguir por esse país fora.

por Abril e Maio na Freguesia de S. B. de Messines

A Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, em parceria e colaboração com as Associações e Instituições locais, vai levar a efeito mais um programa de comemorações do 25 de Abril e 1º de Maio.

Comemorar os princípios e valores que Abril e Maio nos trouxeram, “Criar desassossego” para acordar mentalidades e promover as mudanças necessárias nas mentalidades e atitudes, são as linhas orientadoras do programa deste ano.

O desporto, a música, a literatura, a poesia, a arte em geral como promotora da mudança, estará presente ao longo do mês de Abril e Maio, trazendo para as ruas de Messines, Amorosa e Passadeiras a festa, o convívio e a reflexão.

banca privada ganhou 340 milhões € num dia

No dia a seguir a saber-se que Portugal ia recorrer ao Fundo Europeu a banca privada em Portugal ganhou 340 milhões €.

Oiça a Raquel Freire aqui.

Pelos vistos apenas os islandeses “acham (…) que não têm de pagar pelos erros dos banqueiros e pela decisão daqueles países em usar dinheiros públicos para cobrir prejuízos privados”.

Keep you doped with religion and sex and TV,
And you think you’re so clever and classless and free,
But you’re still fucking peasents as far as I can see,
A working class hero is something to be

Mantêm-te dopado com religião e sexo e TV,
E tu pensas que és tão inteligente e sem classes e livre,
Mas continuam a ser ignorantes do meu ponto de vista,
Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

o FMI não vem para ajudar, o que é preciso é mudar o rumo da política

Em última análise a culpa de aqui estarmos hoje é não apenas dos que nos governam mas dos que os escolheram para nos governar, em 30 anos não aprenderam nada.

Não há diluição, não pode haver diluição, das responsabilidades. É preciso apurá-las e responsabilizar quem nos trouxe até aqui. Afinal, o que se faz hoje ao nosso país é criminoso, pura criminalidade económica e essa também deve ser punida.

Quando foi adoptado o Euro a Alemanha tinha uma balança comercial deficitária para com a UE, agora está na mó de cima.

Andamos a financiar quem? Uma pista: lucro para o FMI 520 milhões €. Lucro para os países da UE 1060 milhões €.

Andamos a pagar a crise de quem?! A da banca e a financiar os outros países como a Alemanha para que não cheguem eles a este ponto!