Rosa Palma, Presidente da CM de Silves: comemorações do 25 de Abril

Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da CMSilves
Excelentíssimos Senhores Vereadores
Excelentíssimos Membros da Assembleia Municipal
Excelentíssimos Senhores Presidentes das Juntas de Freguesia
Caros Concidadãos
Senhores Jornalistas

Em nome do Município de Silves, terra recheada de fortes tradições democráticas e antifascistas e um riquíssimo historial de lutas operárias que deu um valioso e heroico contributo para a queda da ditadura de Salazar e Caetano que perdurou durante os longos 48 anos de opressão, isolamento e escuridão, saúdo o 41.º (quadragésimo primeiro aniversário) do Movimento das Forças Armadas (MFA).

Saúdo com alegria o corajoso levantamento militar conduzido pelos Capitães que em 25 de Abril de 1974 instaurou a Democracia e a Liberdade, libertou os presos políticos, assegurou o regresso dos exilados, restabeleceu direitos fundamentais da pessoa humana como a livre expressão do pensamento e opinião, a liberdade de imprensa, a livre criação de associações e partidos políticos, a liberdade sindical, o direito à greve, a elaboração de uma nova Constituição da República Portuguesa, a organização de eleições livres, etc.

Tudo isto, é bom recordar, estava consagrado no Programa do MFA, que gradualmente se estendeu ao campo dos direitos económicos e sociais (salário mínimo, contratação coletiva, subsídios de férias e de Natal, segurança social, saúde, educação), ao processo de descolonização, e à profunda transformação da economia e sociedade portuguesas.

Sem a heroica gesta dos militares de Abril e da aliança Povo/MFA que, desde logo, se firmou nas ruas, largos e avenidas das aldeias, Vilas e Cidades de todo o Portugal, através de entusiásticas e espontâneas concentrações e manifestações, a instauração e consolidação do regime democrático não teria acontecido.

Uma das conquistas mais bem sucedidas da revolução portuguesa do 25 de Abril de 1974 foi precisamente a instauração do Poder Local Democrático.

Poder Local constituído por Municípios e Freguesias que através do exercício das suas competências, levaram o desenvolvimento a todo o território, no campo das infraestruturas básicas que não existiam – redes de abastecimento de água e saneamento, higiene pública, energia elétrica, arruamentos, vias de comunicação, escolas, centros de saúde, etc.

41 anos passados após o 25 de Abril de 1974, as nuvens são densas e ensombram a vida dos portugueses.

Muito do conquistado com o 25 de Abril de 1974 no âmbito dos direitos sociais e das transformações estruturais da economia portuguesa andou para trás.

Fenómenos recentes, agravados ao abrigo do programa de resgate da Troika, como o empobrecimento generalizado da população, a liquidação da classe média, o aprofundamento das desigualdades, o “colossal” aumento de impostos que ultrapassou os limites do imaginável, a corrupção que atinge em escala alarmante os mais altos responsáveis da governação, a concentração da riqueza nuns poucos, as mordomias e os privilégios de alguns – ameaçam a implosão do regime democrático, alimentam a desconfiança do povo nas instituições e nos políticos, julgando-se erradamente, todos por iguais, exigem um novo rumo nas políticas que têm vindo a ser prosseguidas.

Há com certeza, responsáveis pelo estado a que isto chegou.

Embora o dia de hoje não seja o momento para clivagens partidárias, é próprio da democracia, aceitar e confrontar leituras divergentes da realidade, sendo que, a meu ver, é fundamental não branquear o estado atual do país.

Desde 1976, os governos têm-se constituído em regime de alternância, ora PS ora PSD. Sozinhos, coligados, atrelados ou não à muleta do CDS, formam aquilo a que se convencionou chamar o Bloco Central de Interesses. É difícil distinguir as políticas de uns e de outros. Portugal encontra-se num autêntico pântano político do qual é necessário sair.

É sintomático do estado do país e da democracia, e dá que pensar, a recusa persistente da Associação dos Militares do 25 de Abril em tomar parte nas comemorações oficiais da Revolução dos Cravos na Assembleia da República sob a liderança do atual maioria de direita.

Comprovadamente, este já não é o país do 25 de Abril, cujos valores e mudanças geradas, alimentaram a esperança dos portugueses numa sociedade mais justa e solidária.

O Poder Local Democrático está sujeito a várias ameaças.

A sua autonomia e capacidade de resposta aos problemas das populações é violentada:

Quando se corta consecutivamente nas transferências de meios financeiros, não se cumprindo a própria Lei das Finanças Locais e os compromissos assumidos com a ANMP;

Quando se tenta impingir novas competências nas áreas da educação ou da saúde, no âmbito do processo de degradação da escola pública ou da liquidação do Serviço Nacional de Saúde;

Quando se impõe alterações ao tarifário da água através do regulador (ERSAR) ou se condiciona o acesso aos próximos programas comunitários, forçando os Municípios a se submeterem aos ditames governamentais, com o propósito cada vez mais claro, de se proceder à privatização do apetecido negócio da água;

Quando se restringe a contratação de pessoal absolutamente necessário ao seu funcionamento, com exigências absurdas – de forma cega, e sem olhar às diferentes realidades de cada um dos Municípios.

No dia da Liberdade e da Democracia, deixo uma nota de esperança aos munícipes do concelho de Silves, fazendo uma breve síntese do ano e meio de mandato autárquico sob a liderança da CDU.

O novo executivo restabeleceu a credibilidade financeira do município, passando a cumprir com todos os seus compromissos;

Pôs ordem na casa, melhorando os níveis de organização e planeamento;

Promove uma gestão aberta e transparente, de grande proximidade aos eleitos e às populações;

Iniciou a reestruturação de vários setores camarários, visando o seu melhor funcionamento;

Encetou medidas de melhoria na higiene pública que são notórias;

Foi o primeiro Município a assegurar as 35 horas de trabalho semanal no quadro dos Municípios algarvios;

Adotou um novo relacionamento com as escolas, as associações e as JF/UF, reforçando a intervenção no terreno e a transferência de meios, e incutindo maior espírito de cooperação e entreajuda;

Não promoveu aumentos de taxas ou tarifários;

Aplica as taxas mais reduzidas do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis);

Prepara a revisão em baixa da Tabela de Taxas e Licenças, com vista a um conjunto de incentivos à atividade económica no concelho;

Desenvolve uma política intensa, de qualidade e inovadora, nas áreas da cultura ou do turismo, promovendo a descentralização pelas freguesias ou a cooperação intermunicípios;

Tem aproveitado ao máximo aquilo que resta do último Quadro Comunitário de Apoio;

Prepara afincadamente um conjunto alargado de projetos que terão impacto no futuro próximo nos níveis de bem-estar e desenvolvimento do concelho.

Em suma, festejamos Abril, a Liberdade e a Democracia duramente conquistadas, com confiança no futuro.

Mobilizando e unindo vontades e energias, seremos capazes de enfrentar e ultrapassar as dificuldades, e progredir no sentido de uma sociedade inclusiva e solidária, defender e melhorar o serviço público, com vista à elevação dos indicadores de bem-estar dos cidadãos e os níveis de desenvolvimento do concelho de Silves, que implica necessariamente uma mudança profunda nos rumos da governação do país, no respeito pelos princípios e valores que nortearam o 25 de Abril de 1974.

Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!

discurso proferido pela Presidente da Câmara Municipal de Silves: Rosa Palma, na Assembleia Municipal Extraordinária comemorativa do 25 de Abril que teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Ordem de Trabalhos da Assembleia Municipal 28 Fevereiro 2014

Deixo aqui a Ordem de Trabalhos da Assembleia Municipal de Silves que tem lugar hoje pelas 21h na Sociedade de Instrução e Recreio de São Marcos da Serra. Tem período de audiência ao público pelo que se alguém tem questões a colocar à Câmara Municipal de Silves, ou sobre o Municipio Silves, pode usar este período para o fazer.

ainda os cortes nas autarquias

Para que no ano que vem não andem uns a fazer-se de santos e outros a pedir clemência, deixo aqui duas notícias que convém ler, avaliar criticamente e reter.

Uma de 15 de Outubro de 2010, do Expresso, que refere os cortes de 5% nas autarquias e onde se pode ler:

O presidente dos autarcas socialistas, Rui Solheiro, afirmou hoje que as transferências do Estado para as autarquias vão sofrer no próximo ano um corte na ordem dos 5%. (…)

“Com o Programa de Estabilidade e Crescimento II e com a concordância do PSD, verificou-se uma diminuição das transferências de 100 milhões de euros até ao final do ano. O corte para 2011 será de cinco por cento em relação àquilo que foram as receitas dos municípios em 2010”, referiu o presidente da Câmara de Melgaço. (…)

Segundo o vice presidente da ANMP, na reunião com José Sócrates, “não houve vozes críticas” dos autarcas socialistas perante esta medida do Governo.

A outra de 29 de Dezembro de 2010, do Observatório do Algarve, onde se lê relativamente ao impacto dos cortes nas autarquias do Algarve:

Os orçamentos das autarquias do Algarve espelham as assimetrias regionais: Loulé chega aos aos 173,6 milhões, enquanto Aljezur tem 13,2 milhões. Denominador comum são os cortes. Impasse continua em Silves e Faro espera aprovação do plano de reequilibrio financeiro.

O impasse na câmara de Silves (PSD) continua depois de as duas propostas do orçamento para 2011 apresentadas no executivo camarário pela autarca do PSD Isabel Soares, em minoria, terem sido chumbadas pela oposição PS e CDU.

Contrariamente ao que afirma Isabel Soares, que em declarações ao Observatório do Algarve dramatizou o chumbo, afirmando que o mesmo conduziria a uma gestão em duodécimos, com consequências, por exemplo, para a contratualização de funcionários, entre outras, a lei diz que a não aprovação implica a execução “do orçamento em vigor no ano anterior com as modificações que já tenham sido introduzidas até 31 de dezembro”.

Ou seja, caso a Assembleia Municipal de Silves, onde o PSD é igualmente minoritário, ratifique o chumbo, ficam sem efeito as medidas propostas pelo executivo de Isabel Soares de diminuição de verbas para o orçamento de 2011.

Entre elas, os tão contestados corte de transferências para as Juntas de Freguesia que começaram por ser acima dos 50% na primeira proposta, tendo sido depois retificados na segunda, mas ainda assim sem convencer os vereadores da oposição.

O cenário é, portanto de a autarquia de Silves (PSD) manter o orçamento de 2010 que rondou os 57 milhões de euros – quando a última proposta de 2011 era de 48 milhões.

O chumbo traria a “a realização, apenas, dos projetos contemplados no Plano Plurianual de Investimentos (PPI) em vigor no ano anterior com as modificações que entretanto lhe tenham sido introduzidas até 31 de Dezembro, sem prejuízo dos limites das correspondentes dotações orçamentais”, como esclarece o portal da Direção Geral das Autarquias Locais.

Depois ainda há quem fale de apoio às instituições sociais, às colectividades, etc. Se são dirigentes partidários e fazem parte destes partidos que se lembraram, propuseram, votaram favoravelmente e possibilitaram meter em prática estas medidas, uma boa tarefa para o ano novo seria procurar criar uma, ou várias consciências lógicas e coerentes…

O que me faz lembrar:


Assembleia Municipal de Silves Sessão Ordinária 27 Dezembro 2010

clique na imagem para aceder à ordem de trabalhos!

A Câmara Municipal de Silves e os Critérios, ou como a Matemática não Engana.

deixo aqui o post do Messines-Alte

Proposta de Orçamento da CM de Silves para 2011.

Foi com atenção que li os posts nos Blogs “25 de Abril”, da Tânia Mealha e, “Coisas da Economia”, do Francisco Martins, onde estes mostram o quadro de cortes proposto pela CM de Silves para as diferentes freguesias.

Lamentam-se, mais o Francisco que a Tânia, esta é mais guerreira, não entender o critério utilizado para estabelecer os cortes referidos, alguns chegando aos 50%, mas já vislumbravam que as juntas de freguesia da CDU eram de longe as mais prejudicadas.

A Tânia mostra ainda ter esperança quando escreve “…claro que temos que ter em conta que esta medida só passa se o PS votar favoravelmente uma vez que o PSD não tem maioria…”. Vamos ver.

Fiquei curioso com o assunto e dei-me ao trabalho de ir ver os dados fornecidos com maior.

Tentei correlacionar a percentagem do corte atribuído a cada freguesia, com a votação obtida por cada partido para a Assembleia de Freguesia nas últimas eleições autárquicas. Se acaso houvesse “marosca”, como insinuavam a Tânia e o Francisco, essa seria prontamente revelada pelo gráfico na forma de uma clara correlação linear, que seria evidenciada por uma distribuição dos cortes ao longo de uma linha recta, indicando assim que as percentagens no corte dos fundos atribuidos estavam de facto relacionados com a escolha feita pelos eleitores quando colocarem o seu voto nas urnas.

Pois bem, os resultados não poderiam ser mais claros:

Para o PSD, na CM de Silves, o PS é indiferente, não passa de uma força política que poderá sempre ser útil e, como tal, convém não a hostilizar. Por isso mesmo, a votação no PS não foi utilizada como critério para a distribuição dos cortes e o gráfico mostra uma correlação nula.

Correlação do corte por freguesia com a votação no PS para a Assembleia de Freguesia

Já quanto ao próprio PSD e à CDU a conversa é diferente. Como quem parte e reparte sempre escolhe a melhor parte, o PSD tratou de presentear as suas juntas com os menores cortes possíveis, o gráfico mostra por isso que quanto maior a votação no PSD menor é o corte efectuado na verba atribuída.
Já a CDU é claramente o inimigo a abater e, a CM Silves não faz disso segredo, castiga as freguesias rebeldes. Quem ousou votar na CDU leva! (Jorge Coelho não diria melhor). O gráfico mostra claramente que quanto maior foi a percentagem de votos atribuída à CDU maior é o corte na verba atribuída, ou seja a mensagem é clara, “desenrasquem-se e para a próxima não repitam a graça”.

Correlação do corte por freguesia com a votação para a Assembleia de Freguesia no PSD (a amarelo) e na CDU (a vermelho)

É assim a vida, eu só digo, “não é nada que o Alberto João não tenha já feito na Madeira”.

mais minutas de actas!

Já se encontram disponíveis aqui mais minutas de actas.

Mais concretamente as número 11, 12 e 13 de 2009, anteriores às que tinham sido colocadas, e a número 5 de 2010.

Assembleia Municipal de Silves em S. B. de Messines I

Acabada de chegar na segunda-feira ao nosso país e terra, almoçando tardiamente (quase seria um lanche!) um bacalhau com grão regado com azeite e vinagre, polvilhado com cebola e salsa em pleno rejubilo familiar e gastronómico, depois de uma folga pra tentar diminuir o efeito da troca de horários, eis que me dirigi para a Assembleia Municipal que teve lugar na Junta de Freguesia de S. B. de Messines. A primeira parte pelo menos! É que houve continuação pelas 21h na terça-feira dado que ficamos a meio dos trabalhos.

Segunda-feira foi assim!

A Assembleia Municipal (adiante AM) não teve nada de novo. Isto é, embora as queixas por parte dos cidadãos presentes sobre a falta de obra e resolução de problemas na freguesia de S. B. de Messines, e noutras, continuem as respostas são invariavelmente as mesmas, ou será melhor dizer a mesma já que é sempre temos que esperar, ter paciência, não se pode resolver porque imagine-se “o QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional e os fundos comunitários não apoiam a construção” de novas infraestruturas higiénico-sanitárias, diz a presidente Isabel Soares em resposta aos cidadãos que perguntaram pelas mesmas para a Fonte João Luís, Azinhalinho, Zimbreira e Benaciate. E a julgar pelo estado do Concelho nem estradas – como a da Foz do Ribeiro/Zebro, Vale Fontes, Vale Favas reclamadas pelos cidadãos que se deslocaram à AM, nem coisa alguma! Ocorreu-me então porque é que andam sempre (o PSD nacional) a falar de gestores para as câmaras, é que posta a coisa desta maneira se é só para gerir sem uma visão de filosofia de organização, direcção e administração de futuro baseada em ideias, ideais e valores específicos para o bem da comunidade silvense de facto só precisamos de um gestor, não de um executivo partidário!!! Ou será que o PSD por saber desta ineficiência numa estratégia de ultrapassar obstáculos internos pondera o uso de gestores para fazer face ao déficit de execução dos programas políticos com que os seus membros concorrem às eleições???? É que verdade seja dita 30% é a execução orçamental desta Câmara, os outros 70% sabe-se lá… ficam pra executar um dia no âmbito dos “amigos imaginários” típico das crianças, isto é saudável até, entre os 3 e os 7 anos de idade. O problema é que este executivo já está na adolescência, 12 anos…

Depois o PS Silves, pela voz de alguns dos seus vereadores, como gosta sempre de fazer da política e dos problemas das populações um concurso pra ver quem diz mais coisas que não foram ainda feitas, e repete sempre as mesmas coisas – e eu a pensar que a cassete era da CDU! – para dar um ar de defensor dos interesses públicos como partido de esquerda que deveria ser – teve que trazer o seu rol para dar a entender que até sabe quais são os problemas da população. Mas depois entra em contradição quando sabendo desses mesmos problemas o vereador não permanente do PS no executivo camarário se abstêm na votação do aumento das taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis permitindo assim que as mesmas subam. Contraditório! Certo?! Contudo, como não conseguem encarar a discrepância entre o que pregam e as atitudes que praticam chamam aos outros demagogos… ou então não sabem o que a palavra significa e dizem-na porque a acham bonita. Para que não restem dúvidas, demagogia: “discurso ou acção! que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político”, entre outras definições. Esta estratégia para quem parece, como diz o Paulo Sousa, estar a candidatar-se “à la longue” parece ter muitas fraquezas”. Vamos ver o que nos reservam os deputados do PS Silves na terça-feira quanto ao IMI: mais ou menos demagogia?!…

O mais engraçado é que dando uma vista de olhos pela blogosfera leio que o Paulo Dinis percebeu que existe um vereador que conta estórias! Paulo há pessoas que serão sempre, e apenas, excelentes contadores de estórias por mais que isso nos decepcione pelas expectativas que nelas colocamos… Há quem tenha dado esse vereador como desaparecido mas, posso dizer que foi visto na segunda-feira à porta da Junta de Freguesia de S. B. de Messines e aparenta boa saúde!

A proposta mais engraçada que ouvi foi um estudo sociológico para perceber a desertificação de São Marcos da Serra, juntamente com a afirmação de que o real debate seria a agricultura, aliás a falta do seu desenvolvimento e o seu fim!, e que disso não se falou na assembleia que ontem teve lugar. Esta intervenção que veio da bancada do PSD colhe em mim uma valente gargalhada para afastar a irritação, estes senhores andam a gozar com os cidadãos. Não percebem que é por causa das políticas nacionais do PSD e do PS que a população migra cada vez mais para o litoral porque eles fomentam o fecho de escolas, dos centros de saúde, das estações de caminho de ferro, privatizam os serviços, etc. o que leva as pessoas a procurarem estes serviços vitais para o pleno desenvolvimento de qualquer ser humano, no contexto em que nos encontramos, onde eles existem e mais, onde existe a possibilidade de arranjarem trabalho.

Falar de agricultura?! Pois claro! Faz todo o sentido. A CDU fê-lo muita vez, quando era necessário tomar medidas estruturantes para o País, mas para muitos senhores do PSD e PS era a cassete! Nessa altura não interessava discutir.

Agora é que o PSD acordou para a vida, depois de viabilizar a Política Agrícola Comum (vulgo, PAC) juntamente com o PS aquando da entrada de Portugal na União Europeia. Uma política que de comum a única coisa que tem é o facto de não fazer dos países da União Europeia concorrentes leais, em que se promove o cultivo das espécies em percentagens não justificadas – porque não é para o pousio das terras que elas existem, é para minar a capacidade de produção, crescimento, riqueza, oferta e procura de cada país… Além de que os subsídios têm servido muito mais para alimentar velhos latifundiários que não produziram nada – compraram uns terrenos, uns carros, etc as notícias falam por si, daí se percebe a nossa dificuldade em explicar como não somos competitivos quando tivemos fundos para isso, do que pequenos e médios produtores e agricultores que com dificuldades têm continuado o seu labor. Portanto essa política da PAC de distribuir pelos produtores um rendimento conforme com o seu desempenho é na realidade uma forma encapotada de continuar a explorar os pequenos. E o objectivo quanto à redução dos excedentes é uma vergonha, com tanta gente a passar fome no mundo e joga-se o leite fora, paga-se multas pela produção em excesso, quando deveriam aproveitar essa riqueza de géneros alimentícios para distribuir pelos povos que deles necessitam. Enfim, políticas dos partidos de centro-direita da Europa (onde incluo o PS que neste momento de socialista tem só o nome) que nos levaram onde nos encontramos hoje. Teríamos ainda que falar dos incêndios e das más políticas de reflorestação e ordenamento do território, ou seja o problema tem muitos poros e eles deveriam ser compreendidos e abordados de forma dinâmica e integrada. A vida dos agricultores não melhorou porque essa não foi a vontade política.

Sobre a desertificação e o abandono das zonas rurais deixo uma reflexão, uma de muitas, do Professor Doutor Pedro Hespanha, Sociólogo do Centro de Estudos Sociais (vulgo CES).

O problema desta gente é que vêem o mundo espartilhado, cada coisa numa caixa diferente, será assim tão difícil compreender que a politica nacional tem o seu reflexo nas políticas locais? Querem fazer um estudo sociológico façam-no no país inteiro, não sei é se vão gostar dos resultados… isto é se o estudo for feito por entidade idónea, não como as sondagens que se vêem na altura das eleições e que servem para manipular o sentido de voto dos eleitores menos atentos.

Vive-se uma desertificação em muitos aspectos neste país. Não o diria melhor que Jorge Bento, Professor Catedrático na Universidade de Desporto da UPorto:

“A desertificação aumenta gravosamente em muitos outros sectores. Até há não muito tempo um dos traços marcantes da pessoa era a vergonha na cara. Pois bem, a vergonha foi igualmente atacada pela moléstia da seca e esta vai alastrando de forma vertiginosa. Atingiu já a consciência, que por causa disso caiu num estado de letargia e dormência, do qual não dá mostras de acordar. Não se pode, pois, esperar dela que distinga com presteza entre a verdade e a mentira, entre a rectidão e a justiça, entre a correcção e a falsidade, entre a lisura e a falcatrua, entre a nobreza e a mesquinhez, entre a probidade e a desfaçatez, entre a honra e a desonra, entre a dignidade e a baixeza, entre o belo e o horrendo, entre o bem e o mal, entre a humanidade e a animalidade. De sonhos e ideais fala-se pouco. O silêncio vai-se abatendo sobre eles, reduzindo o tamanho do homem e da vida. Ademais aquilo que não tem palavras, aquilo que não se diz e deixa de ser nomeado deixa forçosamente de existir”.

Quanto às questões do estádio municipal de S. B. de Messines que o José Piasca colocou, no período de audiência ao público, foi-lhe respondido que o Plano Director Municipal (aidante PDM) – documento elaborado pela Câmara Municipal e que vai a votos à Assembleia Municipal, que regula o planeamento e ordenamento do território de um município específico – do ano de 1995 não previa um espaço para um complexo desportivo, daí que agora se colocavam duas alternativas:

– alargamento do estádio deitando a baixo o 1º degrau da bancada; ou alargamento para a rua de terra batida entre o estádio e os quintais das casas ao designar essa rua como pedonal o que permitiria roubar espaço à rua e diminuir o campo.

O problema é que a longo prazo a questão de condições para a prática desportiva não fica resolvida. A freguesia tem muitos jovens, a União Desportiva Messinense (adiante UDM) tem à volta de 300 atletas (se os números que ouvi estão correctos) e tem que gerir muito bem o espaço para permitir que todos os escalões treinem, muitas vezes o campo é dividido em dois para que todos possam treinar. A freguesia necessita efectivamente de um complexo desportivo para a prática de várias modalidades, uma vez que a Presidente da CMSilves referiu que está a ser preparada a discussão pública do PDM para nova alteração vejamos se será incluído no PDM um espaço não como mera intenção (“dessas está o Inferno cheio!”) mas com o objectivo explícito da implementação do complexo desportivo.

Acerca do complexo desportivo o deputado José Carlos Xavier da CDU apresentou esta proposta que foi aprovada por unanimidade, dando conta na apresentação da mesma, do descontentamento face à actual situação a que chegou a UDM.

A bancada da CDU, na pessoa do presidente da JFSBM e de Analídeo Brás, apresentou ainda estas propostas:

arranjo da rua da liberdade, aprovada com 20 votos a favor: 7 CDU, 1 BE, 3 PSD, 9 PS. Abstenções: 6 PSD.

iluminação da vila, aprovada por unanimidade.

contra as portagens na via do Infante, aprovada com 28 votos a favor: 7 CDU, 1 BE, 8 PS, 12 PSD. Contra: 1 PS.

as actas da assembleia municipal de Silves online

Carregando onde diz Assembleia Municipal de Silves (por baixo de Páginas, a negrito) na barra lateral do blog pode agora ter acesso às minutas das actas da Assembleia Municipal de Silves.

Espero que sejam úteis para o conhecimento do que se vai passando no concelho e do papel que as forças políticas vão desempenhando e de que forma essa actuação afecta o desenvolvimento do Concelho de Silves.

Nessa mesma página é possível colocar questões, apesar de dizer resposta. Apelo a todos os interessados a colocar questões que achem pertinentes levar à Assembleia Municipal.