José Jorge Letria, na RTP

“Àqueles que nos vêm por todo o mundo queremos lembrara que a cultura que hoje se faz em Portugal é um dos principais factores de valorização, de prestígio e de internacionalização do nosso país e também, internamente um factor de recuperação da economia e de reforço da coesão nacional e da nossa identidade. (…)

Estamos aqui para relembrar que sem autores não há cultura, nunca houve nem haverá, porque uma coisa não existe sem a outra. (…) Imaginem, por exemplo, o que seria este palco, todos os palcos, sem canções, sem a palavra dos artistas e, sem as imagens das várias formas de expressão criadora que (…) estamos hoje aqui a premiar… Seria tão triste como um mundo sem sonho, a alegria e a imaginação que só a arte consegue, de facto, acrescentar. Por isso, apetece aqui evocar hoje e homenagear José Afonso, que nos deixou há 25 anos e em cuja utopia cabia o sonho de uma terra, onde em cada esquina houvesse um amigo e não apenas uma unidade estatística, impessoal e fria.

Sabe-nos muito bem ouvir dizer em Bruxelas, ou aqui em Lisboa, que a cultura é essencial para que Portugal supere a crise e para que a nossa identidade e confiança se reforcem de facto mas, para que tal aconteça são precisos meios, leis justas e modernas e o investimento que não pode em circunstância alguma ser confundido com o conceito redutor de despesa. O que se aplica na cultura e educação é sempre um investimento no futuro, por muito que tentem fazer-nos crer o contrário. Muito mal andam, e andaram, os países que apostaram no progresso material esquecendo o progresso moral porque ficaram com muito mais rotundas do que com obras de espírito.

Ao público em geral nós pedimos que tenha presente que atrás de cada canção, de cada livro, de cada filme, de cada peça de teatro, de cada quadro, ou de cada bailado, existe pelo menos um autor; e, que o saláriodo autor são os direitos correspondentes à legítima utilização da sua obra ou das suas obras.

Muito mais triste e pobre havia de ser a nossa vida sem todo este trabalho criador. Uma terra sem cultura é uma terra sem alma, sem memória e sem esperança, afinal uma terra sem futuro mas, nós não queremos viver numa terra que possa ser assim. Nós queremos acredita que merecemos melhor e vamos continuar a lutar com firmeza e convicção por aquilo em que verdadeiramente acreditamos, também, e sobretudo, em nome das gerações que hão-de vir. Por isso, os autores mais do que nunca têm de estar unidos, representados e defendidos pela úniva instituição que está em condições de o fazer, e é bom que o seu nome seja aqui frisado, Sociedade Portuguesa de Autores.

Estamos hoje aqui, caros amigos, afinal, para celebrar a alegria, a força e a beleza de quem não vira as costas aos sonho e faz da cultura uma luz que teima em não se apagar, no espírito de quem acredita que nem tudo se resume ao pessimismo, à lógica do cifrão e à ganância do lucro. Fernando Pessoa, Manoel de Oliveira, Siza Vieira, Paula Rêgo ou Agustina Bessa-Luís nunca estarão dependentes da notação das agências de rating, se estivessem não haveria resgate para o nosso inquieto desconsolo que já é tão grande e tão preocupante neste momento. É tudo isto que queremos hoje aqui afirmar para que não restem dúvidas quanto ao papel da cultura. Um papel libertador, crítico e mobilizador, sempre que se fala da soberania, da esperança colectiva e do futuro. Digo bem, do futuro desta pátria secular de grandes criadores que se chama Portugal. Muito obrigado!”

José Jorge Letria, Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores em RTP, hoje!

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