testemunho do país real!

Deixo aqui o apelo de um cidadão português, idade 50 anos, casado, pai de dois rapazes. Chama-se António Oliveira, vive em Torres Vedras. O testemunho seguinte é dele mas existem na sua situação muitos mais…

A quem ler estas minhas palavras quero desde já pedir desculpa se de alguma forma poderei ser maçador por escrever com tantas palavras, mas não conseguiria expressar o que sinto de outra forma, por isso peço desculpa e se puderem leiam até ao fim. Obrigado.

Desde que fiquei desempregado à cinco anos a minha vida transformou-se completamente, na minha vida profissional activa de então tinha um rendimento acima da média como director da empresa que representava , a minha esposa também devido à função que exercia tinha também um bom vencimento, nos últimos anos de trabalho consegui concretizar alguns sonhos, fazer poupanças, para que pudesse melhor assegurar um futuro para os meus filhos, viajar um pouco para conhecer-mos outras realidades, comprar os carros dos nossos sonhos, obter para a nossa casa o que de melhor nos poderia dar conforto, poder oferecer à minha esposa algumas lembranças que marcassem pelo menos os onze anos que já estamos juntos e que nos trouxeram também as felicidades dos nascimentos do meu filho de dez anos, o André e do meu filho de três anos, o António, enfim uma vida normal de uma família de classe média.

Nunca antes estivera desempregado e mesmo quando me defrontei com esta realidade desconhecida para mim, achei que rapidamente esta situação mudaria, até porque na área em que trabalhava sempre fui considerado um profissional acima da média, mas a realidade tem sido bem diferente, talvez devido à minha idade nunca mais consegui arranjar trabalho como gestor, aliás cheguei à conclusão que o melhor era esquecer tudo para que me preparei ao longo de anos, não só com a minha formação académica mas também outras formações mais especificas direccionadas para a minha vertente profissional.

Tive que optar por outras alternativas profissionais para as quais nem sabia que tinha capacidades, como motorista de pesados, trabalhador agrícola, servente de pedreiro, carpinteiro, mas mesmo assim não consegui até agora um trabalho que tenha durado mais de dois meses e sempre como temporário, o que me traz grandes preocupações sobre como gerir as necessidades da minha casa e da minha família, em Dezembro consegui um trabalho de motorista de pesados que pensei que iria ser permanente mas no final desse mês devido ao decréscimo de serviços da empresa fui dispensado.

Quando fiquei desempregado e comecei a receber o subsídio de desemprego, por iniciativa própria fiz um contrato de prestação de serviço com o IEFP de Torres Vedras, achei que assim, como cidadão, que tem deveres para com a sociedade, poderia desta forma contribuir para ter um País socialmente mais justo, engano o meu, quando o subsídio chegou ao fim e deixei de ser um “encargo” para o Estado fui pura e simplesmente “despedido” apesar da necessidade que prevalece relativamente ao trabalho e funções que exercia na Escola Secundária Madeira Torres.

A minha esposa que também está desempregada à cerca de dois anos também não tem conseguido trabalho nem como doméstica, ambos pusemos na minha pagina do facebook ofertas de serviços que podemos prestar, para além dos anúncios de ofertas de trabalho a que respondemos todos os dias, mas até agora não houve qualquer resultado.

Entretanto ao longo deste tempo fui gastando todas as economias que tinha, liquidei os PPRs e seguros de saúde e para sobreviver fui vendendo todos os bens que tinha, primeiro vendi antiguidades e peças de valor que tinha em casa, depois as jóias da minha esposa, e a seguir os carros, também troquei de casa pois devido a não ter já condições tive que mudar para uma casa arrendada, que agora também não consigo pagar devido a não ter mais valores ou rendimentos para fazer face a todas as despesas mensais de casa, para além disso sofremos o corte dos apoios que tínhamos conseguido através da Seg. Social, primeiro deixamos de receber o subsidio de apoio à renda de casa e a seguir tivemos um corte de 50% no valor dos abonos dos nossos filhos, actualmente já não recebemos qualquer subsídios de desemprego.

Felizmente tenho ainda comida em casa graças a algumas pessoas que me ajudaram, mas se não conseguir urgentemente um trabalho até estes acabarão, se não conseguir depressa um trabalho terei que ir viver para a rua pois estou na iminência de receber do senhorio ordem para abandonar a casa devido a já ter duas rendas em atraso, tenho mesmo que conseguir um trabalho pois está em causa a sobrevivência da minha família.

Todas as instituições que contactei no sentido de conseguir algum apoio, deram resultados negativos, ou seja, nada consegui, o Estado não consegue que a miríade de institutos e instituições que alegadamente rolam à volta de cada cidadão funcionem com eficácia , na verdade os direitos que a constituição consagra a todos os cidadãos que cumprem os seus deveres já não existem, na verdade o estado social esqueceu a dimensão de família, na verdade estes direitos estão reféns desta cleptocracia vergonhosa, imposta por todos os profissionais da politica que governam o nosso País de forma irresponsável e impune esquecendo os direitos e valores sociais porque tanto se lutou e que agora apenas servem de estandarte para a concretização dos seus objectivos pessoais.

Sinto uma angústia muito grande dentro de mim, sinto uma enorme frustração por não conseguir apenas um trabalho para poder dar uma vida minimamente digna aos meus filhos, sinto um desencanto total por esta sociedade em que vivo, não sei o que poderá acontecer amanhã, não sei o que terei que fazer para evitar cair numa situação em que depois aqueles que me deviam ajudar, poderão, devido à minha situação precária, fragmentarem a minha família separando-me dos meus filhos com a desculpa de que o estado está preocupado com o bem estar das minhas crianças e que só está a pensar no que é melhor para elas.

Nunca irei deixar que essa situação possa acontecer, eu amo muito os meus filhos e também só quero o melhor para eles eu amo muito a minha família (minha esposa e meus filhos) e por eles farei o que for necessário para nos manter juntos e se para isso eu tiver que pensar em fazer alguma coisa menos digna não pensarei duas vezes, pois estou cansado de apelar, estou cansado de pedir ajuda e não ter resposta, estou farto de ter que mendigar por alguma atenção para a minha situação que é dramática, e eu não irei sujeitar a minha esposa e filhos a viverem na rua ou num abrigo da segurança social, se é que existem.

Cada vez é mais difícil para mim viver neste estado permanente de ansiedade, nesta angústia do dia-a-dia sem saber se amanhã terei comida ou tecto para dar aos meus filhos, não aguento mais viver assim, mas também sei que tenho que ser forte, e tenho que ser forte para porventura engolir os meus princípios morais pelos quais sempre tentei ser um homem justo, tenho porventura que esquecer o meu carácter de honestidade de sensatez de sinceridade de justiça que sempre tentei seguir ao longo da até agora minha curta vida e pensar que terei que fazer tudo o que nunca pensei fazer para salvar a minha família de uma situação a que nunca pensei chegar.

Será que tem que ser assim, será esta a nova sociedade em que temos que aprender a viver, em que o que conta é ser o mais forte, o mais inteligente, o mais esperto, o menos honesto e menos escrupuloso ?

Nunca pensei sequer que algum dia teria estes pensamentos a trespassarem a minha cabeça, que alguma vez poria tantas coisas em causa, que alguma vez teria tantas dúvidas acerca de tantas coisas e acerca de mim próprio, acerca do que a vida me está a fazer passar, mas uma coisa eu sei, que não quero perder a minha família.

Eu só quero poder trabalhar, eu só quero trabalho para mim e para a minha esposa, só queremos ter o direito de dar uma vida digna aos nossos filhos, só queremos ter o direito de ser uma família.

Por favor ajudem-nos, ajudem-nos a encontrar alguém que nos dê uma oportunidade para trabalhar, só queremos poder trabalhar, precisamos urgentemente de um trabalho pois estamos muito aflitos com o risco de receber-mos a qualquer momento uma ordem de despejo da casa que habitamos.

Só peço a quem ler estas minhas palavras que me ajude enviando nossos currículos para os contactos que acharem mais pertinentes nesta nossa procura desesperada por um trabalho, poderei enviar estes directamente para esses contactos ou reencaminhar por e-mail para onde me solicitarem, também está na minha página uma lista de serviços (biscates) que podemos prestar de forma pontual ou temporária mas que tem alguma limitação geográfica.

Agradeço desde já a todos os que leram esta minha carta o tempo e a atenção que me deram.

Um Pai e Responsável de Familia Aflito.

António Oliveira

918779970

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