Teorias explicativas do comportamento eleitoral

Num dia em que se espera que a mobilização e participação activa num acto democrático seja em massa, ou assim desejem alguns de nós, como eu, deixo aqui algumas reflexões após ter ido deixar o meu contributo para a democracia em que vivo, que encaro como um dever mas também um privilégio – tempos houve em que as mulheres não podiam votar porque a sua opinião era considerada menor que a dos homens e, outros houve em que ninguém tinha direito a votar.

Um dos maiores problemas dos cientistas sociais que se dedicam ao estudo do comportamento eleitoral tem sido a questão da previsibilidade do voto. Afinal, parece não ser “suficiente” fornecer  à posteriori explicações acerca dos motivos que levam os eleitores a votar desta ou daquela maneira, neste ou naquele candidato, depois de contabilizados os votos. Embora, por si só tais explicações já constituam um enorme desafio, dificilmente alguma teoria explicativa do voto se furta ao desejo de postular uma possível “lógica” da decisão eleitoral – seja ela moral, simbólica, cognitiva, racional, ideológica, psicológica, históricocontextual – capaz, por sua vez, de predizer, com um grau considerável de acerto, a direcção das escolhas futuras dos eleitores.

Fenómenos sociais são fenómenos de grande complexidade, motivados por uma multiplicidade de variáveis. O comportamento eleitoral, enquanto fenómeno social, está entre os fenómenos políticos mais difíceis de atribuir previsibilidade. Tentativas de explicação  do voto através da noção de representação ideológica ou de interesses, da estratificação social, do regionalismo, da segmentação religiosa, de clivagens sociais, do cálculo racional, da psicologia, têm produzido importantíssimas reflexões sobre o tema,  mas estão longe de esgotá-lo justamente por que não captam – nem poderiam fazê-lo – toda a multiplicidade de variáveis que lhes são inerentes. Sexo, idade, situação económica, cultura, religião, escolaridade, estilo de vida, tradição, visão do mundo, história, “sofisticação política”, contexto histórico, tradição familiar, “centralidade”, valores morais, avaliação de governos e candidatos, etc. Quanto mais se produz sobre o tema, mais se tem noção do quanto ele é complexo.

Contudo, mesmo aceitando essa postura metodológica, não significa que devamos abrir mão de investigações que busquem explicações sobre possíveis “tendências” eleitorais, a partir de análises que tenham como objectivo identificar a maior quantidade possível de elementos que influenciam na determinação do voto, e quais entre eles são mais importantes nos diferentes grupos sociais, em diferentes momentos e contextos históricos e nos diferentes níveis e modalidades de eleições – nacionais, municipais, maioritárias e proporcionais. Em Portugal a divulgação destes trabalhos de investigação e de análise não está disseminado e apenas os interessados no assunto vão acompanhando os mesmos. O mais importante é que, tais trabalhos, construíram uma valiosíssima sistematização e interpretação de dados e formulação de teorias que têm servido para novas e constantes reflexões que, no seu conjunto, possibilitam significativos avanços no desenvolvimento desse campo de pesquisa no país.

O estudo do comportamento  eleitoral é por si só um importantíssimo campo de análise, cuja importância ultrapassa o espaço académico transformando-se num factor fundamental para o entendimento e até mesmo a manutenção da democracia. Expressão máxima e momento simbólico por excelência da democracia representativa, o evento eleitoral é o derradeiro momento de constituição e, especialmente, de legitimação desse sistema que aprendemos não só a admirar, mas a desejar e a defender.

Portanto, entender os mecanismos que estão aí envolvidos – seja no que tange a questões ligadas à moralidade e valores, avaliação de desempenho, cálculo e avaliação racional, utilitarismo, voto emotivo, etc. – é de fundamental importância, inclusive, para garantirmos a sua própria sobrevivência, além de ser condição sine qua non para qualquer tentativa de aprimorá-lo.

Contudo, a maioria dos autores que se tem dedicado  ao estudo do comportamento eleitoral, tem dado prioridade a estudos sobre eleições nacionais (Presidência da República, Legislativas), existindo raríssimos trabalhos dedicados à análise do fenómeno eleitoral a nível local (Autárquicas), o que demonstra a necessidade de realização de pesquisas que tomem esta perspectiva. Afinal, eleições nacionais e municipais envolvem dinâmicas, “lógicas” e mecanismos político-eleitorais significativamente diferentes, de modo que as reflexões realizadas acerca daquelas podem até servir de referência para estudos sobre estas, mas a generalização dos seus resultados é algo no mínimo arriscado sem as devidas análises, comparações e contextualizações. Muito embora a escassa literatura que aborda o tema, de modo geral, aponte para o facto de eleições locais envolverem lógicas e dinâmicas diferentes, especialmente em cidades pequenas e médias onde a relação candidato-eleitor é muito mais próxima fisicamente (relações de amizade, parentesco, favores, etc.), e os problemas em pauta nas campanhas serem de natureza e dimensões bastante diferentes daqueles que compõem o debate de uma eleição presidencial, praticamente não existem estudos que tenham procurado aprofundar esse tipo de análise. Que eleições municipais constituem eventos democráticos cuja dinâmica, forma e conteúdo são diferentes de eleições nacionais é, de certa forma, consenso. Porém, “como”, “porque” e “em que medida” se dá essa diferença, são questões que ainda precisam de muita dedicação analítica dos cientistas sociais para serem respondidas. Falta percorrer um longo caminho.

As teorias explicativas do voto mais comumente utilizadas na literatura internacional, são: a Teoria Sociológica, a Teoria Psicológica ou Psicossociológica e, a Teoria da Escolha Racional.

A perspectiva sociológica pauta-se pelo princípio da macro análise e toma o contexto social do grupo ao qual o eleitor pertence como categoria fundamental para as suas tentativas de explicação do comportamento eleitoral. Adopta o pressuposto de que os comportamentos e escolhas individuais devem ser entendidos a partir do contexto social onde são praticados. A importância dos determinantes socioeconómicos, culturais e da estrutura de classe na formação das clivagens sociais é um elemento fortemente enfatizado. Há uma preponderância das abordagens que enfatizam a situação, o contexto e as condições socioeconómicas como estando entre os  elementos de maior importância no processo de segmentação social que fundamenta a estruturação de diferentes tendências de comportamento político e eleitoral. Resumindo, eleitores em situação social semelhante desenvolvem condutas político-eleitorais similares. O colectivo social é quem exprime a dinâmica política, não o indivíduo isoladamente. O acto individual, de voto, não é socialmente isolado. Deve ser entendido a partir da noção de interacção social. É através das interacções sociais que se formam as opiniões individuais, as quais, por sua vez, permitem as tomadas de decisões de forma isolada. Portanto, é a totalidade das relações sociais que está entre as características individuais e os actos sociais, de modo que não é suficiente reduzir a explicação às características pessoais. Os macro-comportamentos não podem ser explicados pelo somatório dos micro-motivos.

A corrente sociológica preocupa-se em compreender os mecanismos através dos quais são construídas as identidades entre determinados grupos socialmente definidos e partidos e/ou ideologias políticas específicas. Os partidos, através dos seus discursos, procuram angariar votos. Procuram uma forma de criar e manter identidade com grupos sociais, comunidades, segmentos, classes sociais. Ou ainda com grupos mais genéricos como “pobres”, “povo”, negros, mulheres, católicos, evangélicos, aposentados, etc. Essa identidade partidária, segundo a perspectiva sociológica, dá-se sob a forma de um contrato entre eleitores e partidos/candidatos, onde aqueles são representados por estes. Ou seja, para que haja uma identidade partidária constante, são necessários alguns elementos que nem sempre são encontrados empiricamente nas sociedades. Primeiro é preciso que os grupos sociais específicos se reconheçam como tais, ou seja, tomem consciência de sua própria condição de grupo – “identidade interna” – e da condição do seu grupo no contexto mais amplo da sociedade à qual pertence – “identidade externa”. Em segundo lugar,  é necessário que haja partidos ideologicamente identificados com tais grupos específicos, especialmente do ponto de vista dos interesses políticos, e que se afirmem e se apresentem socialmente como tal. Por fim, é preciso que esses grupos sociais identifiquem tais partidos e os reconheçam como seus representantes, criando com eles um “contrato” capaz de estabelecer um vínculo de representação. Em Portugal, pelos diversos resultados eleitorais, esta não é uma realidade corrente para uma determinada franja da população que é “flutuante”. Daí que os cientistas sociais têm compreendido a necessidade de considerar o maior número de variáveis possível, como elementos de cunho cultural que se têm constituído como importantes categorias analíticas, nas tentativas de compreender o comportamento eleitoral como parte do comportamento humano colectivo.

Ao contrário do que acontece na abordagem anterior, para a perspectiva psicossociológica o indivíduo e as suas motivações ao nível psicológico é que se constituem na unidade de análise. O pressuposto é de que o comportamento eleitoral é baseado na estrutura de personalidade dos indivíduos e no seu sistema de crenças, os quais são relativamente independentes do contexto social em que o sujeito vive. Com intensa e sistemática utilização de dados colectados através de pesquisas empíricas, inquéritos - surveys, a corrente psicológica de estudos do comportamento eleitoral foi desenvolvida por um grupo de investigadores da Universidade de Michigan nos Estados Unidos. O modelo analítico desenvolvido por esses investigadores pautava-se pela busca da causalidade, relacionada com o voto, ao nível psicológico, onde o indivíduo é a unidade de análise e, a estrutura da personalidade dos indivíduos é composta, juntamente com outros aspectos, pelas atitudes adquiridas por esses mesmos indivíduos. Torna-se necessário saber, primeiramente, de que modo os sujeitos concebem a sua própria existência social, como são estruturadas, ao nível individual, as opiniões que possibilitam e determinam as diversas escolhas/decisões, bem como a maneira como apreendem a sociedade enquanto estrutura organizada e as relações sociais que nela se dão. As atitudes ligadas ao “mundo político” são parte integrante da psicologia humana e são consolidadas pela socialização política. Assim, agindo, reagindo e interagindo social e politicamente, a partir de uma base psicológica formada e com categorias políticas normativas razoavelmente consolidadas, o indivíduo  articulará sempre da mesma maneira as suas respostas a diferentes contextos.

Para a perspectiva psicológica, a ideologia não constitui necessariamente elemento decisivo determinante do voto para a maioria do eleitorado. São as crenças, sentimentos e laços afectivos, muito mais que os laços ideológicos, que constituem as identificações partidárias – quando essas existem, claro. Aliás, em países, como o nosso, onde a estrutura do sistema partidário se tem mantido por longos períodos, as preferências partidárias estáveis formam-se no processo de socialização, a partir de tradições familiares sem  nenhuma ou apenas com uma remota relação com as opiniões e avaliações sobre temas públicos expressos pelo eleitorado. Os estímulos políticos recebidos dentro do grupo social, bem como a importância dada aos mesmos por esse mesmo grupo, fazem com que o interesse por questões de natureza política varie também entre indivíduos que pertencem a grupos sociais diferentes. Contudo, esses estímulos, assim como as atitudes políticas, não são determinados pela situação e origem económica nem pela “classe social”. Esses são construídos no ambiente social do indivíduo, desde o início da sua formação através da família. Desse modo, a importância dada por cada eleitor à política influencia e é influenciada pela sua socialização política, a qual é processada no sistema de atitudes e compartilhada por indivíduos com características demográficas semelhantes. Os avanços dos estudos iniciados pelo grupo de Michigan levaram à incorporação de novos elementos na análise, contribuindo para a criação de uma abordagem mais atenta às questões de cunho sociológico relacionadas com o comportamento eleitoral. A partir desses estudos, adquiriu importância a perspectiva que trabalha com o pressuposto de que os contextos estruturais em que os indivíduos se inserem e as interacções que se dão dentro do grupo de que fazem parte explicam, em parte, o seu comportamento como eleitor. Entretanto, tratam de mostrar que a influência de factores sociais seria mais remota, não daria conta de flutuações de curto prazo das decisões de voto. Propõem, então, uma análise ainda baseada nas atitudes. O comportamento eleitoral, a escolha partidária e o comportamento político devem ser entendidos a partir das motivações e percepções dos indivíduos. Mas essas variáveis de atitudes seriam factores intervenientes entre os factores sociais propriamente ditos (raça, situação socioeconómica, religião, escolaridade, profissão, etc.) e o comportamento eleitoral. De um lado as lealdades partidárias e as imagens formadas dos partidos e candidatos num contexto socialmente determinado e, de outro, as avaliações e atitudes relativas aos partidos e candidatos, ao nível individual, são os elementos aos quais a corrente psicossociológica dá mais importância nos seus estudos acerca do comportamento eleitoral. Ou seja, embora admita a influência dos factores histórico-contextuais como modalidades a serem consideradas, para a corrente psicossociológica ainda importa a dimensão subjectiva envolvida no processo de escolha eleitoral. O indivíduo continua a ser a unidade de análise, porém agora entendido a partir do contexto no qual se constitui como tal. As atitudes políticas fazem parte da psicologia humana e, portanto, também estão sujeitas às mesmas influências de experiência de vida, de formação, de cultura, etc. É por isso que indivíduos com a mesma formação social e atitudes semelhantes tendem a ter comportamentos sociais também semelhantes, pois possuem uma estrutura de personalidade e de atitudes formada sob condições sócio-históricas e culturais similares.

Contudo, é preciso ressaltar que a teoria psicossociológica reconhece o aspecto relativo das prerrogativas mencionadas, de modo que não pretende assumir como pressuposto uma total determinação dos contextos estruturais sobre o comportamento e as atitudes dos indivíduos. O convívio familiar, as experiências pessoais, os grupos de amizade também exercem influência sobre a forma como os sujeitos entendem, explicam e se situam diante do mundo à sua volta, de modo que as estruturas da sociedade na qual estão incluídos,  embora tenham amplo poder de configuração dos comportamentos, não irão, necessariamente, padronizar as atitudes e ideias de todos os cidadãos. É, pois, esse aspecto que marca um dos principais pontos de discordância da teoria psicossociológica relativamente à abordagem sociológica dos estudos do comportamento eleitoral. Assim, é o entendimento da formação subjectiva do indivíduo dentro do seu “meio social” que possibilitará tomar a convergência de atitudes face ao mundo como elemento básico para a compreensão da totalidade do fenómeno social, pois, tendo sido formadas dentro de um contexto específico, é que as atitudes, opiniões e ideias acerca do mundo, e da política, apresentam relativa estabilidade no tempo, tendendo, inclusive, ao inter-relacionamento com outras que apresentem consistência lógica com as anteriores. Dessa forma, o que importa realmente, para o entendimento das escolhas eleitorais dos indivíduos, é o conteúdo cognitivo e o referencial de mundo, e de política, que o sujeito constrói ao longo da vida.  E esses, por sua vez, podem ser influenciados pelo contexto e pelas condições sociais em que vivem, muito embora não sejam, necessariamente, determinados por eles.

Foi a partir dos estudos da corrente psicossociológica que se formulou o modelo da “centralidade política”. Segundo este modelo, quanto mais central for a posição de um indivíduo na estrutura social à qual pertence ou dentro de um grupo específico, mais informações o mesmo terá sobre questões políticas, e maiores serão o seu interesse e o seu envolvimento no processo político. São aqueles indivíduos que estão em posição central os que apresentam os maiores índices em todos os indicadores de participação político-eleitoral, além de serem também nestes que se pode observar um maior grau de “estruturação ideológica”, manifestada na relação que fazem entre opiniões sobre as diversas questões em discussão na arena política e na escolha eleitoral. Um dos problemas encontrados pela perspectiva psicossociológica, porém, é a falta que a maioria dos eleitores apresenta de um sistema de crenças estruturado, ou seja, os elementos que compõem o complexo de crenças, atitudes e valores dos eleitores, dificilmente apresentam uma estrutura razoavelmente coerente e lógica, de modo que o que parece realmente prevalecer é a coexistência dessas categorias apresentando conteúdos frequentemente contraditórios ou pouco organizados, especialmente do ponto de vista cognitivo. Além disso, existe ainda um problema relacionado com o pressuposto da identificação partidária, sugerido a partir da identificação da personalidade construída pelo indivíduo com um partido específico. Isso porque os estudos que trataram da identificação partidária fundamentam-se em estruturas cognitivas individuais (dos eleitores) com concepções ideológicas bastante inconsistentes. Noutros termos, as opiniões e avaliações sustentadas pelos eleitores e as suas respectivas identificações partidárias apresentavam relações irrelevantes. Ou  seja, às identidades partidárias não correspondiam opiniões coerentes sobre os diversos assuntos que diferenciam as propostas dos partidos e candidatos, mostrando baixo grau de estruturação ideológica entre os eleitores, especialmente entre aqueles de baixo estatuto socioeconómico. Resumindo, constata-se que a maioria do eleitorado  é “estonteantemente” errática na concepção do mundo político: são comuns sistemas idiossincráticos, onde convivem atitudes com sinais trocados. Essas evidências empíricas são irrefutáveis no nível macro, e isso ataca o coração da teoria: se o comportamento futuro dos indivíduos é função dos seus sistemas de atitudes frente ao mundo e esses sistemas não são coerentemente estruturados, então não é possível prever nada.

Para tentar resolver esses problemas a corrente psicossociológica, além de propor a noção de centralidade acima descrita, irá desenvolver a noção de “grau de motivação para a política”.     Não basta, pois, saber como supostamente o eleitor agiria em determinadas condições de decisão política a partir da sua estrutura cognitiva. É preciso saber o quanto ele está motivado para reflectir, envolver-se e, efectivamente, agir politicamente. Afinal, o individuo pode ter todas as condições, mas não estar motivado a procurar e “digerir” as informações disponíveis para, posteriormente, fazer as suas escolhas.  Além do grau de centralidade do indivíduo no grupo  social ao qual pertence, importa o grau de centralidade que os temas da agenda política têm na vida desse mesmo indivíduo. Portanto, a solução está em conjugar os níveis de estruturação dos sistemas de crenças com o grau de motivação para a política que os indivíduos desenvolvem.  Outros estudos vinculados com essa corrente propuseram que as preferências partidárias não se dão através das opiniões e avaliações políticas, mas através do processo de socialização, especialmente a partir de tradições familiares. Ou seja, o eleitor “escolhe” primeiro o partido para depois buscar uma justificação para tal escolha, comumente atribuindo ao partido escolhido o papel de defensor dos seus interesses. A identidade partidária parece ser menos definida por uma identificação de caráter polico-ideológica do que em função de relações de amizade e parentesco e valores tradicionais próprias do grupo, contexto social ao qual cada indivíduo pertence. Assim, não é difícil encontrarmos eleitores que afirmam possuir identidade com determinado partido, mas que ao construírem um discurso argumentativo para “explicar” tal identidade, não conseguem fazê-lo sem reproduzir motivos que reflectem muito mais tradições familiares e vínculos históricos com determinado grupo político que escolhas individualmente feitas sob condição de avaliação pessoal e opção ideológica. Embora, como se pode notar, os avanços da corrente  psicossociológica não tenham conseguido eliminar todos os problemas explicativos de seu arcabouço teórico-analítico, é inegável a importância das suas contribuições para os estudos do comportamento eleitoral.

Tendo como trabalho pioneiro a obra de Anthony Downs, a Teoria da Escolha Racional tem como ponto de partida a perspectiva do individualismo metodológico. O seu argumento central  é que o comportamento político e eleitoral pode ser explicado tomando os indivíduos como actores racionais que agem tendo como objetivo primeiro a maximização dos ganhos com a minimização dos custos, tal qual um consumidor no âmbito do mercado, noção do homo economicus da teoria económica. Nessa teoria, a lógica do voto baseia-se na premissa de que diante de diversas alternativas, um actor racional escolhe sempre aquela que lhe traz a maior utilidade, ou seja, age em seu próprio benefício. Esses benefícios esperados, que os eleitores consideram para tomar as suas decisões, resultam da  utilidade obtida através da actividade governamental. Pressupõe-se, portanto, que os cidadãos eleitores agem racionalmente nas questões de ordem política, cada  um votando no partido/candidato que acredita ser o que lhe proporcionará mais benefícios do que qualquer outro.  Muitos estudos, principalmente os primeiros realizados por essa abordagem, tomaram como determinante fundamental do comportamento eleitoral, a preferência partidária do eleitor, afirmando que esta é, por sua vez, ideologicamente orientada. Supõe-se, nesses trabalhos, que eleitores, assim como os partidos, distribuem-se numa escala que indica, por exemplo, a posição entre direita e esquerda ou entre liberal e conservador. Com isso, através de uma análise da distância entre a posição que atribui a si mesmo e a posição que atribui aos  partidos e candidatos, votam, naquele(s) que estiver(em) mais próximo(s) de sua própria posição. A ideologia aparece assim como um factor simplificador do universo político. Contribuindo para a caracterização dos partidos, ela serve estes como “meio de obter votos”, ao passo que, para os eleitores, é um recurso que diminui os custos no processo de busca de informações sobre os partidos e candidatos. Contudo, para que seja possível a sustentação das suas prerrogativas fundamentais, a teoria da escolha racional precisa tomar como ponto de partida uma concepção de eleitor cuja sustentação, teórica e empírica, é um dos seus maiores problemas. O cálculo que fundamenta a escolha racional pressupõe um eleitor com opiniões formadas sobre as diversas  questões políticas em debate, com informações sobre as propostas dos partidos e candidatos, um eleitor enfim, interessado e envolvido na política e em condições de escolher e identificar-se com o partido que representa mais de perto as suas próprias opiniões.

No lugar do homem psicológico e/ou do homem sociológico, a teoria da escolha racional irá formular a sua concepção do homem político a partir da noção do  homem económico oriunda da teoria económica clássica/neoclássica, assumindo o pressuposto de que os eleitores são actores sociais racionais, que calculam os custos e benefícios possíveis do voto nos diversos candidatos, escolhendo aquele que, na sua avaliação, lhe pode proporcionar o maior benefício. É importante mencionar que existem diferenças entre grupos de autores no âmbito “interno” desta perspectiva. Poderíamos, sem querer esgotar o tema, mencionar um grupo que realiza uma análise mais “económica” do voto, seguindo o modelo “clássico” downsiano, e um grupo que trabalha com uma abordagem de preocupação mais “economicista” ou “satisfacionista”, formulada um pouco mais tarde com a incorporação de algumas críticas dirigidas ao primeiro grupo. Para o modelo económico, downsiano, o pressuposto é o de um comportamento maximizante do eleitor, o qual faria as suas escolhas eleitorais tendo em vista optar pela alternativa que produza o melhor resultado. Por outro lado, o modelo economicista/satisfacionista adopta uma perspectiva mais abrangente, segundo a qual o eleitor escolhe a alternativa que garanta minimamente a satisfação dos seus interesses. Por outras palavras: para o modelo downsiano o comportamento humano é maximizante; para o modelo economicista o  comportamento humano é satisfacionista. Nesta perspectiva, na “teoria da escolha racional” o actor selecciona partidos e candidatos em ordem de preferência e opta por aquela alternativa que avalia possibilitar a obtenção de maiores ganhos. O eleitor, analogamente ao consumidor, decide votar num partido ou candidato de acordo com as ofertas políticas. A escolha é condicionada pelos elementos que constituem a situação decisória: as alternativas existentes, os objectivos desejados e as possibilidades eleitorais. Assim, o eleitor ordena, conforme os seus interesses, as alternativas políticas em graus de desejabilidade e escolhe aquela que, de acordo com  as probabilidades eleitorais, oferecer as melhores condições para maximizar os ganhos da sua acção política.

Uma das principais estratégias da teoria da escolha racional para sair do “impasse” oriundo dos problemas causados pelo suposto alto grau de exigência feito aos eleitores, foi ampliar o conceito de racionalidade, admitindo como escolhas racionalmente orientadas, além daquelas rigorosamente coerentes com os supostos da identidade ideológica adoptados pela ciência política, também aquelas cuja decisão é tomada sob uma condição de “racionalidade limitada”, admitindo a noção de diferentes “níveis de racionalidade”. Ou seja, seriam também racionais as escolhas feitas a partir do contexto e dos conteúdos culturais do eleitor, desde que reflectissem uma situação de coerência com o seu próprio arcabouço informativo, cognitivo e reflexivo. Importam menos  as informações, do que como elas são articuladas. Mais do que isso. Nem mesmo se trata, necessariamente, de levar em conta esses outros elementos. Podem, inclusive, ser admitidas escolhas de ordem económica. A questão é que, para os autores que trabalham com esta perspectiva, o baixo grau de informação utilizado no processo de escolha não deve ser reduzido à escolha irracional. Ou seja, mesmo sem serem muito  informados e nem tendo “coerência ideológica” ou “saber político”, os eleitores não votam, por isso, de modo irracional se por “irracional” estiver subentendido um voto emocional ou algo do género.  Enfim, não possuir alto grau de informação, identificação ideológico-partidária e sofisticação política não é, necessariamente, o oposto de ser um eleitor racional. O facto de não realizar cálculos racionais aprimorados não faz do eleitor um agente irracional, assim como não o torna irracional o facto de ter as suas escolhas eleitorais influenciadas por questões de ordem moral, emocional e/ou intuitiva. Até porque, como trataremos adiante, um eleitor pode não votar  num candidato por que acredita que ele não é honesto, embora não tenha elementos objetivos/racionais para isso, sem deixar de ser coerente com o pressuposto adoptado, qual seja, a intuição acerca da legitimidade moral do candidato .O problema com essa estratégia, conforme é correr o risco de levar o raciocínio ao seu limite lógico e, com isso, considerar racional toda escolha humana, visto que, sendo uma escolha, ela foi certamente feita em alternativa a outra que o sujeito julgava menos importante para atingir seus objectivos. Assim, as escolhas eleitorais dividir-se-iam entre as racionais e as feitas sob condição de insanidade, afinal, qualquer comportamento que o eleitor escolher “deve maximizar sua utilidade percebida”, caso contrário ele teria escolhido de maneira distinta. Desse modo, se for tomado como referência um conceito mais restrito e “exigente” de comportamento racional, corre-se o risco de cair numa situação contraditória: se for considerado que a aquisição de informações tem custos, muitas vezes bastante significativos, pode-se julgar como racional uma escolha não informada, ter em conta que o custo pela obtenção de informações pode estar além da disponibilidade do eleitor em se informar. Ora, expandindo o conceito de racionalidade, a teoria da escolha racional corre o risco de acabar por explicar tudo sem, na realidade, explicar coisa alguma. Ademais, além dos problemas lógicos apontados, há  ainda o facto de que, empiricamente, um baixíssimo número de eleitores faz as suas escolhas eleitorais levando em conta as “exigências mínimas” do cálculo racional, devido especialmente ao seu baixo grau de “sofisticação política”. É necessário que nos detenhamos um pouco mais neste ponto.

Ao contrário do que se pode pensar, a Teoria da Escolha Racional não é um modelo absolutamente oposto, por exemplo, à perspectiva sociológica. Ou seja, ela não nega a importância do contexto na determinação das escolhas político-eleitorais. Pelo contrário, admite que o contexto dentro do qual as  escolhas são feitas é factor determinante para as referidas escolhas. Contudo, ao contrário da perspectiva psicossociológica, não pressupõe que haja um processo automático do comportamento político-eleitoral determinado pelas  condições sócio-históricas e culturais de cada grupo social. A própria noção de racionalidade deve ser entendida como um elemento histórico, que interage e possui relação de influência recíproca com o contexto sócio-cultural. Contudo, o que a Teoria da Escolha Racional não apregoa é a ideia de que esse contexto possua determinação total e unilateral sobre a forma como os indivíduos fazem as suas escolhas racionais. Mesmo num contexto de pouca informação e sofisticação política é possível, segundo os defensores da Teoria da Escolha Racional, um comportamento dotado de racionalidade ou, ao menos, não irracional.  Contudo alguns críticos dessa perspectiva acham que essa “flexibilização” da concepção de racionalidade acaba por comprometer a teoria como um todo. Para alguns autores trata-se de um processo de “contextualização da racionalidade”, que não resolve o dilema central da Teoria da Escolha Racional. Não adianta contextualizar o cálculo racional tentando entendê-lo a partir do referencial do indivíduo que o executa. Não adianta, por exemplo, admitir como racional o eleitor que votou no mesmo partido  que identifica como o melhor representante de seus interesses. Ele pode muito bem ter construído a sua identificação com esse partido pela tradição familiar ou por identificação pessoal com um político específico, por exemplo, e dizer,  à posteriori, que esse partido é seu representante para justificar a sua escolha. Parece haver aí um problema, qual seja, o facto de que apenas a coerência, por mais contextualizada que seja, entre a caracterização feita pelo eleitor do candidato como defensor dos seus interesses e o respectivo voto nesse candidato, pode perfeitamente ter sido feita  depois da escolha, não lhe servindo como base. Enfim, o eleitor pode muito bem ter escolhido o candidato por uma série de motivos não racionais (valores, emoção, simpatia, imagem) e racionalizar os seus motivos depois, para justificar o seu voto quando questionado sobre o mesmo. Ou ainda, o eleitor pode até identificar um candidato como “defensor dos pobres”, mas votar nele por outros motivos, extra-racionais, que julga ainda mais importantes, questões morais por exemplo. Além disso, há ainda o problema da “desfiguração” do conceito de racionalidade, associado ao facto, já mencionado anteriormente, de que expandir o potencial de abrangência da “racionalidade” para todas as modalidades do comportamento humano é esvaziar o seu potencial analítico, acabando por não explicar nada na tentativa de explicar tudo. Ainda dentro dessa perspectiva racional de análise do voto, alguns autores admitem uma espécie de “relativização” do conceito de racionalidade, aceitando como “racionais” aqueles comportamentos influenciados por questões de caráter psicológico, subjectivo, e cultural – “racionalidade adaptativa” – para tomá-lo como categoria fundamental explicativa do voto, muito embora não compartilhem da ideia de uma “combinação de teorias”. Postulam que  a Teoria da Escolha Racional é suficiente para explicar o voto e, portanto, qualquer outra forma de fazê-lo não tem como se sustentar. Afirmam, ainda, ser possível explicar o voto apenas considerando-o a partir de motivações individuais essencialmente económicas ou economicistas associadas às condições contextuais da disputa eleitoral. Contudo, as afirmações que fazem não são devidamente sustentadas com dados empíricos, ficando no nível da articulação lógica de conceitos e elementos analíticos, fazendo do seu modelo de eleitor muito mais um “Tipo Ideal” aos moldes weberianos do que um actor político real.

Qual destas teorias explicará melhor o resultado eleitoral de hoje? Seria interessante o estudo de caso por certo. Resta agora aguardar os resultados.

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4 pensamentos em “Teorias explicativas do comportamento eleitoral

  1. Olá Tânia. Belo post (foi-me recomendado por uma amiga comum, a Renata).

    Pessoalmente sou mais bourdeusiano e absoluto desconhecedor da produção académica portuguesa sobre o assunto. Sinto-me ainda militante do PCP e, apesar disso, não consegui votar no Chico Lopes. Existe um mar entre nós: o Oceano Atlântico. Escrevo-te do Brasil, onde vim estudar.

    Costumo dizer que ao tomar uma decisão custa-nos trair as decisões passadas. Esse é o nosso princípio fundamental de tomada de decisão: coerência connosco próprios. Ou, se quiseres, coerência com a nossa identidade se entendermos identidade como uma lógica que reconhecemos nas nossas acções e escolhas passadas. Algo que emana delas, e não algo que abstracto (que possamos descrever, a não ser dando a exemplos) fora delas.

    A questão é que não escolhemos essas “escolhas primeiras”. Elas se nos impõem na família, na escola, no trabalho, nas associações (sejam associações culturais da aldeia, sejam sindicatos, sejam partidos políticos), etc. Daqui que para responder à tua questão seria necessário começar por alguns estudos de micro-sociologia bem ao estilo do “The established and the outsiders” de Nobert Elias. Portanto relacionar estas micro-estruturas sociais com a tendência de voto (incluídos o voto flutuante e a abstenção) é o primeiro nível de análise.

    Em seguida, é preciso reconhecer que nada disto se opõe à classe. Os tipos de família, de escola, de trabalho, de associações pelas quais cada um passa variam muito de acordo com a situação socioeconómica desse indivíduo. Mas isto implica um trabalho de comparação em cima dos trabalhos anteriores.

    Espero que gostes do meu apontamento.
    No meu blog escrevi algo sobre a abstenção caso querias dar uma olhada.

  2. José,

    primeiro que tudo, obrigada.

    Quanto ao Oceano podes sempre votar por correspondência :)

    Espero que estejas a gostar da experiência. A minha orientadora de mestrado também estudou e trabalhou aí, adorou.

    Conheço esse trabalho do Norbert Elias. Fiz uma pós graduação em psicologia política em Stanford e havia lá quem defendesse o caminho de que falas. Concordo com o que dizes, mas em termos psicológicos acho que falta fazer muito trabalho na área das heurísticas e do seu papel no julgamento e tomadas de decisão. Não concebo o psicológico sem o social, e vice-versa. Elas intersectam-se, interagem, têm uma relação dinâmica sem a qual uma e outra não existiriam.

    Queria ler o que escreveste. Tentei aceder ao teu blog mas não consigo e já tentei em computadores diferentes… Se puderes envia por mail!

    Obrigada pela partilha

  3. Olá Tânia

    Curiosamente, quando comento em outro serviço de blog o link com o meu nome vai para o meu blog; quando comento no wordpress (onde tenho o blog) vai para a minha página (que, por acaso esteve fora do ar até domingo).

    Portanto cá vai:
    http://falaferreira.wordpress.com/2011/01/24/a-vitoria-da-abstencao/

    Por outro lado, o meu gosto pela controvérsia, está-me a obrigar a tentar explicar-te por onde passa a sociedade nessa proposta. Mas deixa-me dar um volta!

    Hoje fiz o meu almoço. Pasta a bolonhesa. Poderia ser uma carne à portuguesa; um arroz de tomate com carne guisada, etc. Não poderia ser pepian! Porque, como português não sei fazer este prato da cozinha guatemalteca. Isto é, o lugar onde nascemos e crescemos (a família, a escola, o trabalho, etc.) determina o nosso leque de opções. Esse leque é brutalmente pequeno quando comparado com todas as opções quando pensamos no mundo. Só aparentemente somos livres para fazer escolhas.

    O que é que isto têm a ver com as nossas opções políticas? Ali vale a pena falar de variações de classe; mas todos os indivíduos de todas as classes de um país estão frente ao mesmo leque de opções: o boletim de voto! Certo? O problema é que nem todos vêem o boletim de voto da mesma maneira. Por exemplo, enquanto uns viram uma grande diferença entre Cavaco e Nobre, e portanto como escolhas possíveis, outros não viam diferença nenhuma. E, claro, vota-se sempre naquele que é diferente dos outros; o resto é farinha do mesmo saco. (Estou a fazer aqui uma análise bastante simplificada, obviamente).

    Como se explica isto? Se explica sabendo que o individuo A vê o mundo de uma ou de outra maneira devido à educação (podes ler socialização) que recebeu na família, na escola, no emprego. Mas só explicas que o indivíduo A veja de uma maneira e o indivíduo veja B de outra se verificando que as famílias, as escolas e os empregos ocupados por A e B se distinguem em termos de posição sócio-económica (de classes).

    Certamente isto é muito distinto de dizer “tomamos decisões por coerência connosco próprios” como disse antes. Mas o resumo é isto: as experiências primeiras que tomamos por influencia dos outros e sobretudo da nossa posição na sociedade, acabam por marcar-nos para toda a vida.

    Tudo isto e a minha grande antipatia pela teoria da acção racional :)

    Bjos

    Post script (bem por extenso): recebi hoje o contacto do camarada da Soeiro responsável pela emigração. Com um bocado de sorte vou começar a ligar-me com os camaradas aqui. Nem que seja só para fazer jantares no aniversário do Partido.

  4. Oi

    Desculpa outro comentário. Estou de férias e este teu post fez-me reflectir (e tentar empregar o meu bourdeusianismo da forma mais simples possível).

    Ao reler o teu post chego a uma conclusão. Todas as teorias confundem comportamento eleitoral com vinculação, através do voto, a um partido. Parece-me que aqui está colocado um obstáculo epistemológico. As coisas são mais complexas.

    1) Votar ora num partido de centro, ora noutro, consoante o seu desgaste político é um comportamento eleitoral.
    2) Votar num pequeno partido (exactamente o PCP) nas eleições municipais, quando tem possibilidade de ganhar, mas noutro maior (obviamente no PS) nas nacionais porque o primeiro não tem possibilidades de ganhar, também é um comportamento eleitoral.
    3) Distribuir os votos pelos 3 partidos de esquerda como fez a minha colega de casa nas últimas eleições no Brasil, também é comportamento eleitoral.

    Todos estes são comportamentos eleitorais do mesmo modo que votar sempre no mesmo partido é um comportamento eleitoral.

    Não se trata de dizer que aquele que vota PCP nas eleições para a Câmara de Arraiolos e, um ano depois, PS para a Assembleia da República mudou o seu comportamento. Ele tem um comportamento que pode ser definido por votar PCP num nível e PS noutro.

    Assim, quando tu dizes que as teorias sociológicas não explicam o voto flutuante, parece-me que o problema é que se confunde “comportamento eleitoral” (os princípios [ou valores] implícitos com que se escolhe em quem votar) com o voto dado, num dado momento, a um partido. Isso parece-me um empirismo radical.

    Bjos
    E desculpa ser chato
    Mas este post é óptimo!

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