Aumento do salário mínimo nacional!?

Hoje teve lugar na Assembleia da República o debate promovido pelo PCP acerca do aumento do salário mínimo nacional, depois de ontem PSD, PS e CDS terem votado contra a proposta do PCP que visava tributar em 2010 a distribuição de dividendos, ou seja, travar a antecipação de distribuição de dividendos já anunciada por várias grandes empresas para escapar ao agravamento fiscal do próximo ano.

Foi preciso Assis fazer birra e bater o pé para que os socialistas votassem quase em bloco contra a proposta. Será que alguém se recorda de Sócrates ter dito em entrevista à TVI, no mês de Novembro, que não era «moralmente aceitável» que a distribuição de dividendos extraordinários da PT se fizesse ainda em 2010.

Em entrevista à TVI, José Sócrates explicou que a «alteração feita no nosso sistema fiscal vai ter como consequência que a distribuição de dividendos pague imposto», não sendo, por isso, «moralmente aceitável que a PT fizesse isso antes» destas modificações.

«A administração da PT certamente compreenderá e fará essa distribuição de dividendos por forma a que esses dividendos paguem esses impostos contribuindo dessa forma para o esforço colectivo que estamos a fazer», acrescentou.

Pois! Está bem! É isso mesmo que está a acontecer…

Como escreveu Daniel Oliveira, no País mais desigual da Europa o salário mínimo não pode ser actualizado para uns miseráveis 500 euros. E nesse mesmo País o Parlamento chumbou a possibilidade dos accionistas da PT pagarem impostos pelos seus dividendos.

Dúvidas houvesse, para aqueles que ainda acreditam no Pai Natal (até porque estamos em Dezembro!!!), ficamos esclarecidos com esta política PS, PSD e CDS: quem tem que pagar impostos, fazer esforços, gerir recursos mínimos, lutar pelo país, viver à míngua com parcos euros, sacrificar-se, tudo em prol da “invenção da crise” são os indivíduos que trabalham todos os dias, mal pagos pela sua força de trabalho, pela sua capacidade de produção, os outros, os que inventam os termos, condições, que têm a possibilidade de ditar as regras (porque muitos dos que são mal pagos, pouco têm para comer, para prover às suas necessidades quanto mais aos seus desejos, assim o possibilitaram), esses, esses divertem-se a contar-nos estórias sobre o FMI, as SGPS’s, as Ongoings, usam termos como necessidade de sacrifício – sem saber o que isso significa, e todos os dias voltam para as suas casas satisfeitos com a exaltação do seu super-ego porque muito poucas pessoas os fazem encarar as diferenças e os obrigam a escolher e a fazer opções nesse plano em que a maior parte de nós habita, o da realidade.

a intervenção do PCP na Assembleia da República

É com estas acções, não com palavras, que se vê que há uns mais iguais que outros quando se diz que os políticos são todos iguais, que só querem é roubar, que nada muda, que querem é tachos: uns mais iguais que outros… uns mais independentes que outros… uns mais intricados com o poder económico que outros…

Para mudar é preciso primeiramente que não se continue a votar nos mesmos. Dizer que são todos iguais é sempre uma boa forma de nos desculparmos a nós próprios por não fazermos nada quanto a algo que nos incomoda…



Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s