“José Sócrates e Teixeira dos Santos dizem que estão a aumentar impostos e a reduzir benefícios em nome do interesse nacional. Mas qual interesse nacional?”

O Governo e a Mota-Engil

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Metade da receita prevista pelo aumento do IVA vai direitinha para a ASCENDI, uma daquelas “empresas” do regime. Quem domina a ASCENDI? Adivinhem, lá? Claro, a Mota-Engil.

I. Segundo o economista Álvaro Santos Pereirametade da receita prevista pelo aumento do IVA vai para uma empresa “privada”. Uma única empresa. Mais: as transferências de dinheiros públicos para esta empresa equivalem a metade da poupança conseguida com a redução da massa salarial da função pública. Esta empresa é a ASCENDI, uma parcela do império da omnipresente Mota-Engil. Dependendo das concessões, os donos são a Mota-Engil (entre 35% e 45%), a ES Concessões (detida pela, ah, Mota-Engil), OPway, etc.

II. José Sócrates e Teixeira dos Santos dizem que estão a aumentar impostos e a reduzir benefícios em nome do interesse nacional. Mas qual interesse nacional? É do interesse nacional tirar todo este dinheiro das famílias e colocá-lo nos cofres de uma empresa amiga do regime? O Governo que faz este aumento pornográfico de impostos é o mesmo Governo que dá 587 milhões de euros a uma empresa. Pior: estas verbas correspondem a um aumento de 290% nas verbas pagas à ASCENDI em relação a 2010. Isto, meus senhores, tem de ser esclarecido.

III. Curiosa é a forma como a ASCENDI vê o Estado português: “vemos o Estado português como uma entidade que se confunde com o país, com o bem-estar e com o bem comum”. Que bonito. Mas entre o sacrifício dos portugueses e o sacrifício da Mota-Engil, esta “entidade” prefere a primeira hipótese. Meus senhores, quando é que Jorge Coelho e a Mota-Engil desaparecem do centro da nossa política? Por que razão esta empresa está sempre meio de nós e da nossa vida colectiva? Por que razão José Sócrates não tenta renegociar estes contratos que só beneficiam as empresas de construção como a Mota-Engil? Meus senhores, o nosso bem comum colectivo está refém de construtoras como a Mota-Engil?

PS: quando deixar de ser primeiro-ministro, José Sócrates vai trabalhar para alguma empresa do reino da Mota-Engil? Eis algo que devemos acompanhar com atenção.

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