Assembleia Municipal de Silves em S. B. de Messines I

Acabada de chegar na segunda-feira ao nosso país e terra, almoçando tardiamente (quase seria um lanche!) um bacalhau com grão regado com azeite e vinagre, polvilhado com cebola e salsa em pleno rejubilo familiar e gastronómico, depois de uma folga pra tentar diminuir o efeito da troca de horários, eis que me dirigi para a Assembleia Municipal que teve lugar na Junta de Freguesia de S. B. de Messines. A primeira parte pelo menos! É que houve continuação pelas 21h na terça-feira dado que ficamos a meio dos trabalhos.

Segunda-feira foi assim!

A Assembleia Municipal (adiante AM) não teve nada de novo. Isto é, embora as queixas por parte dos cidadãos presentes sobre a falta de obra e resolução de problemas na freguesia de S. B. de Messines, e noutras, continuem as respostas são invariavelmente as mesmas, ou será melhor dizer a mesma já que é sempre temos que esperar, ter paciência, não se pode resolver porque imagine-se “o QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional e os fundos comunitários não apoiam a construção” de novas infraestruturas higiénico-sanitárias, diz a presidente Isabel Soares em resposta aos cidadãos que perguntaram pelas mesmas para a Fonte João Luís, Azinhalinho, Zimbreira e Benaciate. E a julgar pelo estado do Concelho nem estradas – como a da Foz do Ribeiro/Zebro, Vale Fontes, Vale Favas reclamadas pelos cidadãos que se deslocaram à AM, nem coisa alguma! Ocorreu-me então porque é que andam sempre (o PSD nacional) a falar de gestores para as câmaras, é que posta a coisa desta maneira se é só para gerir sem uma visão de filosofia de organização, direcção e administração de futuro baseada em ideias, ideais e valores específicos para o bem da comunidade silvense de facto só precisamos de um gestor, não de um executivo partidário!!! Ou será que o PSD por saber desta ineficiência numa estratégia de ultrapassar obstáculos internos pondera o uso de gestores para fazer face ao déficit de execução dos programas políticos com que os seus membros concorrem às eleições???? É que verdade seja dita 30% é a execução orçamental desta Câmara, os outros 70% sabe-se lá… ficam pra executar um dia no âmbito dos “amigos imaginários” típico das crianças, isto é saudável até, entre os 3 e os 7 anos de idade. O problema é que este executivo já está na adolescência, 12 anos…

Depois o PS Silves, pela voz de alguns dos seus vereadores, como gosta sempre de fazer da política e dos problemas das populações um concurso pra ver quem diz mais coisas que não foram ainda feitas, e repete sempre as mesmas coisas – e eu a pensar que a cassete era da CDU! – para dar um ar de defensor dos interesses públicos como partido de esquerda que deveria ser – teve que trazer o seu rol para dar a entender que até sabe quais são os problemas da população. Mas depois entra em contradição quando sabendo desses mesmos problemas o vereador não permanente do PS no executivo camarário se abstêm na votação do aumento das taxas do Imposto Municipal sobre Imóveis permitindo assim que as mesmas subam. Contraditório! Certo?! Contudo, como não conseguem encarar a discrepância entre o que pregam e as atitudes que praticam chamam aos outros demagogos… ou então não sabem o que a palavra significa e dizem-na porque a acham bonita. Para que não restem dúvidas, demagogia: “discurso ou acção! que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político”, entre outras definições. Esta estratégia para quem parece, como diz o Paulo Sousa, estar a candidatar-se “à la longue” parece ter muitas fraquezas”. Vamos ver o que nos reservam os deputados do PS Silves na terça-feira quanto ao IMI: mais ou menos demagogia?!…

O mais engraçado é que dando uma vista de olhos pela blogosfera leio que o Paulo Dinis percebeu que existe um vereador que conta estórias! Paulo há pessoas que serão sempre, e apenas, excelentes contadores de estórias por mais que isso nos decepcione pelas expectativas que nelas colocamos… Há quem tenha dado esse vereador como desaparecido mas, posso dizer que foi visto na segunda-feira à porta da Junta de Freguesia de S. B. de Messines e aparenta boa saúde!

A proposta mais engraçada que ouvi foi um estudo sociológico para perceber a desertificação de São Marcos da Serra, juntamente com a afirmação de que o real debate seria a agricultura, aliás a falta do seu desenvolvimento e o seu fim!, e que disso não se falou na assembleia que ontem teve lugar. Esta intervenção que veio da bancada do PSD colhe em mim uma valente gargalhada para afastar a irritação, estes senhores andam a gozar com os cidadãos. Não percebem que é por causa das políticas nacionais do PSD e do PS que a população migra cada vez mais para o litoral porque eles fomentam o fecho de escolas, dos centros de saúde, das estações de caminho de ferro, privatizam os serviços, etc. o que leva as pessoas a procurarem estes serviços vitais para o pleno desenvolvimento de qualquer ser humano, no contexto em que nos encontramos, onde eles existem e mais, onde existe a possibilidade de arranjarem trabalho.

Falar de agricultura?! Pois claro! Faz todo o sentido. A CDU fê-lo muita vez, quando era necessário tomar medidas estruturantes para o País, mas para muitos senhores do PSD e PS era a cassete! Nessa altura não interessava discutir.

Agora é que o PSD acordou para a vida, depois de viabilizar a Política Agrícola Comum (vulgo, PAC) juntamente com o PS aquando da entrada de Portugal na União Europeia. Uma política que de comum a única coisa que tem é o facto de não fazer dos países da União Europeia concorrentes leais, em que se promove o cultivo das espécies em percentagens não justificadas – porque não é para o pousio das terras que elas existem, é para minar a capacidade de produção, crescimento, riqueza, oferta e procura de cada país… Além de que os subsídios têm servido muito mais para alimentar velhos latifundiários que não produziram nada – compraram uns terrenos, uns carros, etc as notícias falam por si, daí se percebe a nossa dificuldade em explicar como não somos competitivos quando tivemos fundos para isso, do que pequenos e médios produtores e agricultores que com dificuldades têm continuado o seu labor. Portanto essa política da PAC de distribuir pelos produtores um rendimento conforme com o seu desempenho é na realidade uma forma encapotada de continuar a explorar os pequenos. E o objectivo quanto à redução dos excedentes é uma vergonha, com tanta gente a passar fome no mundo e joga-se o leite fora, paga-se multas pela produção em excesso, quando deveriam aproveitar essa riqueza de géneros alimentícios para distribuir pelos povos que deles necessitam. Enfim, políticas dos partidos de centro-direita da Europa (onde incluo o PS que neste momento de socialista tem só o nome) que nos levaram onde nos encontramos hoje. Teríamos ainda que falar dos incêndios e das más políticas de reflorestação e ordenamento do território, ou seja o problema tem muitos poros e eles deveriam ser compreendidos e abordados de forma dinâmica e integrada. A vida dos agricultores não melhorou porque essa não foi a vontade política.

Sobre a desertificação e o abandono das zonas rurais deixo uma reflexão, uma de muitas, do Professor Doutor Pedro Hespanha, Sociólogo do Centro de Estudos Sociais (vulgo CES).

O problema desta gente é que vêem o mundo espartilhado, cada coisa numa caixa diferente, será assim tão difícil compreender que a politica nacional tem o seu reflexo nas políticas locais? Querem fazer um estudo sociológico façam-no no país inteiro, não sei é se vão gostar dos resultados… isto é se o estudo for feito por entidade idónea, não como as sondagens que se vêem na altura das eleições e que servem para manipular o sentido de voto dos eleitores menos atentos.

Vive-se uma desertificação em muitos aspectos neste país. Não o diria melhor que Jorge Bento, Professor Catedrático na Universidade de Desporto da UPorto:

“A desertificação aumenta gravosamente em muitos outros sectores. Até há não muito tempo um dos traços marcantes da pessoa era a vergonha na cara. Pois bem, a vergonha foi igualmente atacada pela moléstia da seca e esta vai alastrando de forma vertiginosa. Atingiu já a consciência, que por causa disso caiu num estado de letargia e dormência, do qual não dá mostras de acordar. Não se pode, pois, esperar dela que distinga com presteza entre a verdade e a mentira, entre a rectidão e a justiça, entre a correcção e a falsidade, entre a lisura e a falcatrua, entre a nobreza e a mesquinhez, entre a probidade e a desfaçatez, entre a honra e a desonra, entre a dignidade e a baixeza, entre o belo e o horrendo, entre o bem e o mal, entre a humanidade e a animalidade. De sonhos e ideais fala-se pouco. O silêncio vai-se abatendo sobre eles, reduzindo o tamanho do homem e da vida. Ademais aquilo que não tem palavras, aquilo que não se diz e deixa de ser nomeado deixa forçosamente de existir”.

Quanto às questões do estádio municipal de S. B. de Messines que o José Piasca colocou, no período de audiência ao público, foi-lhe respondido que o Plano Director Municipal (aidante PDM) – documento elaborado pela Câmara Municipal e que vai a votos à Assembleia Municipal, que regula o planeamento e ordenamento do território de um município específico – do ano de 1995 não previa um espaço para um complexo desportivo, daí que agora se colocavam duas alternativas:

– alargamento do estádio deitando a baixo o 1º degrau da bancada; ou alargamento para a rua de terra batida entre o estádio e os quintais das casas ao designar essa rua como pedonal o que permitiria roubar espaço à rua e diminuir o campo.

O problema é que a longo prazo a questão de condições para a prática desportiva não fica resolvida. A freguesia tem muitos jovens, a União Desportiva Messinense (adiante UDM) tem à volta de 300 atletas (se os números que ouvi estão correctos) e tem que gerir muito bem o espaço para permitir que todos os escalões treinem, muitas vezes o campo é dividido em dois para que todos possam treinar. A freguesia necessita efectivamente de um complexo desportivo para a prática de várias modalidades, uma vez que a Presidente da CMSilves referiu que está a ser preparada a discussão pública do PDM para nova alteração vejamos se será incluído no PDM um espaço não como mera intenção (“dessas está o Inferno cheio!”) mas com o objectivo explícito da implementação do complexo desportivo.

Acerca do complexo desportivo o deputado José Carlos Xavier da CDU apresentou esta proposta que foi aprovada por unanimidade, dando conta na apresentação da mesma, do descontentamento face à actual situação a que chegou a UDM.

A bancada da CDU, na pessoa do presidente da JFSBM e de Analídeo Brás, apresentou ainda estas propostas:

arranjo da rua da liberdade, aprovada com 20 votos a favor: 7 CDU, 1 BE, 3 PSD, 9 PS. Abstenções: 6 PSD.

iluminação da vila, aprovada por unanimidade.

contra as portagens na via do Infante, aprovada com 28 votos a favor: 7 CDU, 1 BE, 8 PS, 12 PSD. Contra: 1 PS.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s